A Business Week acaba de publicar o Top 10 das piores previsões de “analistas” americanos! Dá para notar que os de lá assim como os daqui chutam muito, e com o viés que lhes interessa! Gente séria não diria o que esse povo disse!

Aliás, tomem sempre muito cuidado com analistas muito enfáticos, com mais recurso cênico do que intelectual: tendem a ser “analistas”.

Abraços, Fernando

PS: as traduções abaixo são de minha autoria, para facilitar o entendimento.

“Here are some of the worst predictions that were made about 2008. Savor them—a crop like this doesn’t come along every year.

1. “A very powerful and durable rally is in the works. But it may need another couple of days to lift off. Hold the fort and keep the faith!” —Richard Band, editor, Profitable Investing Letter, Mar. 27, 2008

“Uma poderosa e duradoura alta das ações está em produção.”

By FB: quando a previsão foi feita, ou melhor, quando o chute foi dado, o índice Dow Jones/Industrial Average estava em 12.300 pontos – hoje está em 8.500.

2. AIG (AIG) “could have huge gains in the second quarter.” —Bijan Moazami, analyst, Friedman, Billings, Ramsey, May 9, 2008

AIG pode ter enormes lucros no segundo trimestre”

By FB: a AIG perdeu USD 5 bi naquele trimestre e outros USD 25 bi no trimestre seguinte. O governo americano injetou USD 150 bi para sustentá-la. A AIG tornou-se uma estatal americana três meses após a “previsão”.

3. “I think this is a case where Freddie Mac (FRE) and Fannie Mae (FNM) are fundamentally sound. They’re not in danger of going under…I think they are in good shape going forward.” —Barney Frank (D-Mass.), House Financial Services Committee chairman, July 14, 2008

” FM e FM têm fundamentos sólidos. Elas não correm risco de quebrar…acho que elas estarão em bom estado daqui para frente”

By FB: em apenas 2 meses, repito, 2 meses (!!) o governo precisou federalizá-las, liberando USD 100 bi para cada uma através de uma linha de crédito garantida. E o pior é que essa ‘obra’ não foi realizada por um “analista”, mas por um Deputado Federal!!

4. “The market is in the process of correcting itself.” —President George W. Bush, in a Mar. 14, 2008 speech

“O mercado está em  processo de auto-correção”

By FB: pobre George Bush, mal assessorado acabou falando bobagem. Mas por aqui não é diferente, não é mesmo? A revista fez piada dizendo que o mercado ainda não parou de se auto-corrigir.

5. “No! No! No! Bear Stearns is not in trouble.” —Jim Cramer, CNBC commentator, Mar. 11, 2008

“Não, não, não! A Bear Stearns não está com problemas”

By FB: em apenas 5 dias o JP Morgan adquiriu a BS  a preço de banana, com os acionistas do BS perdendo quase todo o valor investido. O tal Cramer é comentarista econômico de horário nobre!! Patético se propor a isto…ou haveriam outros interesses em jogo?!…

6. “Existing-Home Sales to Trend Up in 2008” —Headline of a National Association of Realtors press release, Dec. 9, 2007

“A tendência do mercado de imóveis prontos é de alta das vendas”

By FB: a mesma entidade declarou, um ano depois, que o ritmo de vendas está em seu pior nível desde a Grande Depressão de 1929.

7. “I think you’ll see [oil prices at] $150 a barrel by the end of the year” —T. Boone Pickens, June 20, 2008

“Eu acho que veremos o preço do petróleo a USD 150 o barril no final do ano”

By FB: na época, o preço estava por volta de USD 135. Hoje anda ao redor de USD 40-50. Eu também acreditava que veríamos o petróleo a USD 150, mas a economia mundial deu uma “pequena virada”…

8. “I expect there will be some failures. … I don’t anticipate any serious problems of that sort among the large internationally active banks that make up a very substantial part of our banking system.” —Ben Bernanke, Federal Reserve chairman, Feb. 28, 2008

“Eu acredito que haverá algumas quebras…eu não antecipo nenhum problema sério com bancos que tenham ativa presença internacional, que lideram o nosso sistema bancário”

By FB: o Presidente do FED poderia ter passado 2008 sem essa. Ele não tinha nada que se fazer de adivinho ou otimista. Já foi traumático demais o fato de ele não ter idéia do que os bancos tinham em seus portfolios, ou os riscos que corriam. Basicamente, os bancos de investimentos desapareceram, uns 20 bancos comerciais quebraram irremediavelmente (entre eles o Washington Mutual, que foi a maior quebra da história americana). Nem o Citibank, ícone americano (como a Coca-Cola e o Mc Donald’s), se safou da avalanche que soterrou a banca americana.

9. “In today’s regulatory environment, it’s virtually impossible to violate rules.” —Bernard Madoff, money manager, Oct. 20, 2007

“No atual ambiente regulatório [dos mercados], é virtualmente impossível violar as regras”

By FB: apesar de ser uma auto-profecia, acho que esta é a melhor de todas, não? Mas talvez seja incluída na categoria Top 1o Fraudes. Mr. MadOFF, please fuckOFF!!

10. A Bound Man: Why We Are Excited About Obama and Why He Can’t Win, the title of a book by conservative commentator Shelby Steele, published on Dec. 4, 2007.

“…por que Obama não poderá vencer”

By FB: este é o nome do livro que a comentarista conservadora Shelby Steele publicou em dezembro de 2007, prevendo que Obama não venceria a eleição. A Srta. Steele terá os seus livros majestosamente encalhados (graças a Deus)!

Coy is BusinessWeek‘s Economics editor”

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Os dois primeiros links abaixo, da White House, talvez entrem para a história como sendo o registro do início da Grande Reforma que alguns acreditam estar por vir.

Neste final de semana, o presidente dos EUA, George W. Bush, recebeu as visitas ilustres do francês Nicolas Sarkozy e do português José Durão Barroso que representaram a União Européia. O objetivo foi alinhar o discurso sobre a necessidade de se iniciar uma reforma do “Sistema”.

Será uma batalha duríssima, tanto no plano institucional (dadas as diferentes visões dos governos envolvidos), como no plano privado (pois se os bancos mal e mal controlam seus próprios negócios, como controlar instituições que operam fora do sistema, como Hedge Funds?).

Não acreditem no que digo. Reflitamos:

1. Diferenças Institucionais

Enquanto a Europa não demorou para semi-estatizar vários dos seus grandes bancos, Bush resistiu até à beira do colapso do sistema. Para começar, europeus não gostam de bancos, finanças internacionais, derivativos e assemelhados. Já deste lado do Atlântico, respira-se e vive-se banking & finance.  A indústria de serviços financeiros tem um peso importante no PIB americano e no modo de vida do cidadão (que é fortemente endividado). Americanos são liberais até o DNA, enquanto que os europeus são estatizantes e centralizadores. Nos EUA, o sucesso e o destaque público são admirados e incentivados, enquanto que na Europa ocorre o oposto.

Traduzo a seguir uma parte do discurso de Bush: “…Na medida em que façamos as mudanças institucionais e regulatórias para evitarmos a repetição desta crise, é essencial que preservemos as fundações do capitalismo democrático – o comprometimento para o livre mercado, à livre empresa e livre comércio. Nós devemos resistir à perigosa tentação do isolamento econômico e continuar a respeitar as políticas de livre mercado, que subiram a qualidade de vida e tiraram milhões de pessoas da pobreza no mundo todo…”.

Notem que Bush começa bem, mas a sua insistência no não-intervencionismo deixa claro que os europeus terão uma parada dura pela frente.

Este link traz os três discursos oficiais (em inglês), pré-evento.

http://www.whitehouse.gov/news/releases/2008/10/20081018-1.html

Após o evento, saiu este pouco revelador texto para a imprensa (abaixo), onde lemos que após a eleição de Barack Ob…, perdão, após a eleição do próximo presidente americano, no dia 4 de novembro próximo, um Summit será convocado – será nos EUA de novo. A partir desse encontro é que veremos com que grau de profundidade os líderes mundiais estão engajados na criação de um mundo novo.

http://www.whitehouse.gov/news/releases/2008/10/20081018-2.html

2. Gestão de Riscos dos Próprios Bancos

Um dos bons motivos que os governos tem para reduzir o grau de liberdade que os mercados financeiros e de capitais têm é o fato das próprias instituições financeiras não terem o melhor controle dos riscos que correm.

Exemplos? A história recente (últimos 10 anos) é rica o suficiente para se escrever uma enciclopédia sobre o tema. Mas só nestes últimos 12 meses podemos listar:

  • O caso do francês Societé Generale onde um único trader perdeu USD 7 bilhões, numa fantástica fraude interna.
  • O grupo que controla a minha Coface, o francês Natixis, foi surpreendido com perdas ao redor de EUR 1 bilhão, com suas operações nos EUA. Vários executivos foram demitidos recentemente.
  • E um dos controladores do mesmo Natixis, o gigante Caisse d’Epargne, acaba de anunciar a demissão do seu CEO, após descobrir que perderam mais de 800 milhões de euros com operações que foram feitas além dos limites autorizados (ver abaixo).
  • http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aGigtrnYsrsc&refer=home
  • Sem falar no maior fiasco das finanças bancárias internacionais: a aquisição hostil que o ABN AMRO, da Holanda, foi vítima ano passado. Bem, vítimas mesmo foram 2 dois dos seus 3 compradores! O Fortis, da Bélgica, quebrou espetacularmente e a divisão holandesa do ABN acabou sendo estatizada. O Royal Bank of Scotland (RBS, que patrocina os carros da Williams na F-1) ficou ilíquido e desacreditado a ponto do Bank of England ter assumido o controle do banco. Só o Santander, que ficou com o Banco Real aqui no Brasil, escapou ileso da “Maldição Holandesa”.
  • Além do RBS, o sistema financeiro britânico ficou na penúria, pois seus bancos corriam muito mais riscos com hipotecas no próprio Reino Unido e nos EUA do que seus acionistas e reguladores tinham idéia.
  • Nem precisamos falar da banca americana, pois esta implodiu.
  • E em toda a Europa e boa parte da Ásia, a crise bancária atinge mais agentes a cada dia que passa (ver abaixo).

ING (Holanda): http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aFEb7sgN0P2M&refer=home

Bancos da Coréia do Sul: http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aM5S3bpWfGZo&refer=home

3. Outros agentes e ativos não regulados

Não bastasse a endêmica falta de controle dos próprios agentes do mercado e a disparidade ideológica entre EUA e Europa, há ainda uma séria questão a ser resolvida: o que fazer com Hedge Funds e Credit Derivatives (CDS), que não são regulamentados?

Eu tenho uma opinião genérica – essa turma tem que ser regulada e pronto -, mas o tema é complicado demais para nos alongarmos ainda mais neste post. Confiram estes dois links importantes abaixo:

Sobre CDS: http://www.nytimes.com/2008/10/19/opinion/19cox.html?_r=1&scp=1&sq=;;Quoteswapping%20secrecy;;Quote&st=cse&oref=slogin

Sobre Hedge Funds: https://blogdocredito.wordpress.com/2008/10/15/1133/

Bom, é isso. Levar o pêndulo de um extremo para o ponto médio será uma tarefa para os deuses…

Abraços, Fernando

Caríssimos:

É difícil escolher por onde começar. Depois de baterem cabeça durante 6 meses, os líderes do nosso Planeta Azul (incluindo os brasileiros) decidiram resolver tudo em uma semana, mais precisamente em um único fim-de-semana.

Agenda cheia – enquanto os 15 principais eurolíderes se reuniram extraordinariamente em Paris para tratar da crise deles, os ministros das finanças do G7 e do G20 se reuniram em Washington para discutr a crise do mundo todo – e neste último jamboree até o nosso Ministro Mantega participou e discursou. Para arrematar, também aconteceu a reunião anual do FMI e do Banco Mundial.

Algumas notas relevantes

1. A BOA NOTÍCIA – HOUVE CONVERGÊNCIA À TESE DE SE CAPITALIZAR OS BANCOS COM DINHEIRO PÚBLICO, AO INVÉS DO EXÓTICO PLANO PAULSON (i.e. comprar ativos podres, criação de fundos, mercado secundário, etc. OS EUA IRÃO SEGUIR O REINO UNIDO E A EUROPA DO EURO VAI JUNTO.

2. Mas por que demoram tanto para decidir sobre o óbvio?

  • Já dissemos que ultra-liberais como Bush et caterva têm imensa resistência de anexar às suas já surradas biografias palavras como “…durante o seu mandato foi responsável pela estatização dos bancos americanos...”;
  • OK, o governo decide comprar ações dos bancos, mas e o resto, e os detalhes? (i) quais bancos? (ii) a que preço? (iii) qual o percentual de controle? (iv) com quais direitos? (v) como e quando desmontar tais operações, etc. A lista de complexidades e dúvidas é imensa para qualquer um;
  • O lado político, com ou sem eleição [Obama vs. McCain].

Imaginem a situação abaixo descrita pela Bloomberg, i.e. o governo americano tendo que injetar capital para salvar o Morgan Stanley, banco de investimentos mega-protagonista nesta hecatombe financeira. Imagine a situação do Henri Paulson tendo que explicar isso para os eleitores, para os seus vizinhos, filhos, etc.

Morgan Stanley “Urgently needs rescue” by the U.S. Treasury, which should buy preferred stock to help protect Mitsubishi UFJ Financial Group Inc.’s stake in the investment bank, George Soros wrote in the Financial Times today.

Notem que até o George Soros dá palpite. Logo ele, que de tanto especular quebrou o Bank of England em 1992, desvalorizou a Libra Esterlina e ganhou USD 1 bilhão em um único dia, segundo diz a lenda.

E esta outra abaixo: além dos bancos, seguradoras, investidores e fundos de investimentos, muitos Estados americanos também estão ‘beijando a lona’  (como se diz no mundo do boxe).

California, Alabama and Massachusetts are urging the Fed and Treasury to include their securities in rescue plans designed for banks and businesses. The $2.66 trillion U.S. market for state and city bonds has been all but frozen since Lehman Brothers Holdings Inc., weighed down by losses in mortgage-backed bonds, declared history’s largest bankruptcy on Sept. 15.

A Califórnia, ensolaradao estado governado pelo Governator Arnold Schwarzenegger, precisa de UD 7 bilhões, do contrário faltará merenda escolar nas escolas públicas, entre outras amenidades – não é piada!

California has said it needs to sell as much as $7 billion in notes to maintain its schools, health system and other public services. The Bush administration said it is reviewing the states’ financial positions.

Enquanto isso na Europa…

…entre um gole de Veuve Clicquot e um naco de terrine de fois gras, os líderes europeus cedem ao:

  • Charme de Nicola Sarkozy, Presidente da França e, conforme já escrevi aqui, candidato ao futuro cargo de Presidente do Mundo. Ele está aproveitando como ninguém sua passagem como Presidente em Exercício da União Européia – cargo itinerante, que muda de mãos a cada seis meses.
  • Pragmatismo de Gordon Brown, escocês que lidera o Reino Unido que teve ‘guts’ para lançar o plano de capitalização, i.e. estatização dos bancos britânicos. E que agora é copiado por todos! Detalhe: a carreira política dele estava com os dias contados e talvez agora ganhe uma sobrevida.

Abaixo, dois textos de primeira qualidade em inglês (lamentavelmente), sobre o affair Europa. O primeiro link é da Business Week e o segundo é do Wall Street Journal.

http://www.nytimes.com/2008/10/13/business/13europe.html?pagewanted=1&hp

http://online.wsj.com/article/SB122381862224826507.html

E o Brasil até que mandou bem

Gostemos ou não do governo Lula e/ou do Ministro Mantega, o fato é que partiu do próprio Henry Paulson a indicação para que o nosso Ministro da Fazenda fosse o ‘chairman’ da reunião do G20 – e isso é algo muito positivo. Pelo que eu li na imprensa daqui e lá de fora Mantega não empolgou, mas também não decepcionou. Fez um discurso politicamente correto a partir da ótica de uma nação emergente que já fez muita lambança no passado, que levou muitos pitos internacionais em público, mas que agora está bem arrumadinho e sofrendo do mesmo jeito que antes. “Assim não dá, né, Bush!”…

Brazilian Finance Minister Guido Mantega suggested the IMF should “establish a new set of measures to strengthen and protect” the world financial system, shifting focus away from the U.S. and European models it has long championed.

“The world is watching incredulously as the crisis reveals serious systemic weaknesses and policy limitations in what used to be considered model countries, countries that were presented as the reference point for good governability, as examples to be emulated,” he said. “We need a new financial structure, with more controls and less favoritism.”

Brazil has for years pushed for an IMF restructuring that would increase its sway in the institution’s decisions.

Mantega chaired a Saturday meeting of leaders from the G20, a group of the world’s biggest economies, including the European Union, Brazil, Mexico and Argentina. The group will meet again in Sao Paulo on Nov. 8 and 9 to further address the economic crisis.

http://www.businessweek.com/ap/financialnews/D93P67S81.htm

Uma nota sobre o FMI – há 25 anos eu escuto a esquerda brasileira esculhambar com o FMI – lá atrás tinha a famosa frase “Fora FMI” (que alguns saudosistas ainda usam, talvez ignorando que o Fundo já se foi…). Agora temos o presidente Lula (um dos que mais a usou) vociferando esta semana: “Cadê o FMI??? Agora que o problema é lá na casa deles, cadê o FMI???” – acho que foi um desopilar de fígado de várias décadas de ódio retido…

O fato é que o FMI tornou-se uma organização patética. No passado, seja lá qual for o viés político de cada um e o grau de entendimento das suas constantes “visitas” ao Brasil, o fato é que o Fundo tinha um missão clara e a exercia com galhardia: país de terceiro mundo quebrou? Precisa de dinheiro de longo prazo? O FMI ajuda, mas o país terá que engolir um receituario de política econômica duríssimo (juro alto, recessão, sem inflação, corte de gastos públicos, etc.).

Agora que países como o Brasil e boa parte do resto do mundo arrumaram a própria casa, o tal do FMI passou a fazer projeções econômicas ridículas: sempre errando pra cima, tornaram-se os bastiões do otimismo. Quer dizer, até o mundo derreter semana passada, pois agora o managing director do Fundo, o francês Dominique Strauss-Kahn, passou a dizer frases de efeito e fora do tempo, como: “O sistema financeiro mundial está à beira do abismo”. Faça-me o favor, eu quero novidade!

Uma nova liderança mundial

Os chefes de estado do mundo (quase) todo clamaram neste final-de-semana por uma nova arquitetura das finanças internacionais, ou como disse alguém, “para novos tempos, uma nova governança”. Mas como bem disse outro líder, “é difícil achar uma solução global quando temos problemas locais”. É isso mesmo. A natureza do problema é similar no mundo todo, mas todos os detalhes são locais e cada país tem os seus para resolver – em particular as injunções políticas.

Curisiosidade final – vocês sabiam que o FMI é sempre liderado por um europeu e o Banco Mundial sempre por um americano? É uma convenção internacional, não escrita, mas é assim que vem funcionando desde sempre.

Abraços e que tenhamos todos uma semana menos turbulenta!

Fernando

Surpresa Geral: o Plano Paulson não foi aprovado!

E não é que eles não conseguiram aprovar o Plano Paulson?! É inacreditável a falta de liderança e prestígio do presidente Bush! Afinal, foram os senadores do seu próprio partido que o derrubaram na votação! É coisa para “pedir o boné” e ir para o seu rancho no Texas curtir a aposentadoria. O país mais importante e rico (sim, ainda o é, em tese) do mundo vive uma crise sem precedentes e está sem comando.

Ah, e McCain, candidato Republicano que apoiou o pacote (a contragosto) também perdeu, moralmente falando.

Paul Krugman, que é Democrata até a alma, aproveitou para destilar seu veneno com requintes de crueldade. Ao usar a expressão “Banana Republic”, vingou todos nós, latino-americanos. Ver abaixo.

http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/09/29/ok-we-are-a-banana-republic/

Conforme bem escreve Floyd Norris, do NYT (ver link abaixo), surpreendeu também a falta de força dos líderes do partidos no Congresso que não conseguiram arregimentar forças no plenário.

Norris também diz, de forma direta, o seguinte: a indústria bancária está com problema com ou sem o pacote. É lamentável o esforço que estão fazendo para mudar as regras contábeis. Em inglês: The banking industry is in trouble with or without this bailout. Its efforts to change accounting rules to hide its problems are sad and appalling.

http://norris.blogs.nytimes.com/2008/09/29/september-surprise/

Abraços, F.

O que um ubber economist e um lead rock singer tem em comum? Até minutos atrás eu achava que era NADA. Até deparar-me com  um blog que juntou as visões de Jeffrey Sachs, festejado economista americano, com Bono Vox, o cantor-ativista irlandês do U2.

No link abaixo o Sachs esculhamba com o Bush, com educação, mas firmeza! Eu traduzirei uma parte que julgo chave no contexto. É quando o post comenta o discurso infeliz que Mr. Bush Jr fez na ONU:

“…Ele mencionou as palavras TERROR 32 vezes, EXTREMISTAS 7 vezes e TIRANIA 4 vezes. Por outro lado, temas como “Objetivos do Milênio”, “Mudança Climática” e “Meio-ambiente” não mereceram uma única referência…”

http://blogs.ft.com/mdg/2008/09/23/president-george-w-bush-and-terror/

Bush e os Republicanos estão espiando os seus pecados, como raramente um grupo político experimentou na história política dos EUA, do Brasil, da Guiné Bissau, ou de qualquer lugar do mundo não-tirânico.

Tudo começou com a sua primeira eleição, após aquele processo maluco na Flórida governada pelo seu irmão Jeb Bush. A vitória se deu no “tapetão”, após uma suspeita recontagem de votos. Em seguida, ele resolveu mostrar ao mundo que os EUA não precisavam dar satisfação a ninguém, até que…aconteceu aquela coisa hedionda que foi o ataque ao World Trade Center.

Dalí pra frente, o que já não era bom ficou pior. Invasão do Iraque, encrenca no Iraque, fracasso no Iraque. E para marcar de vez o seu lamentárvel governo (de 8 anos!), Bush se auto-presenteou com esta mega crise financeira, que irá doer no bolso dos americanos por muitos anos.

Bush sempre cercou-se de gente dura (os chamados falcões): a sua entourage foi formada a partir de braços-direitos do seu pai, Bush Sr, que sempre foi muito mais carismático que o filho, ainda que não fosse santo também. São homens frustrados e vingativos por não terem derrotado Sadam na Guerra do Golfo, assim como não terem re-eleito Bush Pai, que perdeu para Clinton.

No lado econômico nomeu Henri Paulson, ex-top boss do mais importante banco de investimentos dos EUA (e do mundo, claro). Quis a justiça divina que tudo aquilo que Mr. Paulson preconizou e praticou ao longo da sua carreira (bem-sucedida, por sinal), explodisse como uma bomba-relógio no seu colo, tendo sido a bomba armada por ele mesmo. Ver um homem como Paulson, que tem profunda intimidade com o verbo MANDAR, se ver obrigado a conjugar o verbo CEDER, chega a ser cômico se não fosse tão reflexivo.

O mundo dá muitas voltas e ninguém está livre disto.

Deus os ajude, para que sejamos ajudados por tabela!

Fernando