Este artigo da Business Week está muito bom e eu recomendo a leitura.

Primeiro o autor, Matthew Goldstein, comenta que o Obama foi muito “soft” com os banqueiros na Casa Branca, comparativamente ao que foi com as montadoras.

Depois ele argumenta que o governo do EUA (e por tabela do resto do mundo?) não deveria permitir que nenhum banco ser “grande demais para quebrar” (“too big to fail”). Afinal, 96% dos derivativos estavam nas mãos de apenas 5 bancos.

A solução, segundo ele, seria o restabelecimento de uma legislação semelhante ao famoso Glass-Steagall Act, que separava as funções de banco comercial (depósitos e empréstimos) das de banco de investimento (“mandrakarias” em geral”). Quanto esta lei foi alterada, nos anos 90, bancos como Citibank puderam cumprir os dois papéis, correndo riscos que jamais teriam corrido em outros tempos.

Se, de fato, um novo Glass-Steagall Act for criado nos EUA (e no mundo), o processo de inovação financeira terá dado um passo para trás. Mas é isso mesmo que os governantes querem. E é isso que o mundo precisa.

Em tempo, aqui no Brasil os bancos múltiplos podem cumprir os dois papéis – comercial e investimentos -, só que o mercado local é muito limitado e regulado, o que torna muito difícil que geremos uma crise Made in Brasil, por conta de excesso de liberalidade.

Abraços, F.

“Os bancos irão emprestar ou entesourar os recursos do Tesouro?” – será uma frase de efeito para a mídia, vinda do Ministro Mantega… ou terá mais o estilo do Paulo Skaf, da FIESP…?

Que nada! Essa é a manchete desta matéria da Business Week!!!! E é sobre o crédito nos EUA!!

http://www.businessweek.com/magazine/content/08_45/b4107026056954.htm

No entanto, a coisa ficou preta mesmo é na França. Eu já disse antes que francês não gosta do “financismo” que tomou conta do capitalismo global. Mas eu não fazia idéia que o Presidente Sarkozy estava tão furioso com o sistema financeiro do seu país.

Olhem a manchete de hoje do importante jornal francês Le Monde: “Os bancos franceses sob a ameaça de uma nacionalização parcial”.

http://www.lemonde.fr/economie/article/2008/10/31/les-banques-francaises-sous-la-menace-d-une-nationalisation-partielle_1113161_3234.html#ens_id=1099210

A matéria acima (em francês) traz os seguintes comentários do Presidente Sarkozy, todos fortíssimos:

  1. Eu chamo os bancos às suas responsabilidades. Por conta das condições muito excepcionais que estamos atravessando, as empresas, especialmente as menores, mais do que nunca precisam de previsibilidade e estabilidade nas suas finanças bancárias. Eu vos demando, portanto que, salvo exceções incontestáveis, não renegociem os termos e condições dos negócios atuais”.
  2. Sarkozy criou uma função pública chamada Mediador de Crédito e, sem qualquer cerimônia, sugeriu que este vá à mídia e que diga na televisão “…os exemplos de restrições inaceitáveis de crédito em cada região da França. Todos compararão aqueles [bancos] que fazem o seu trabalho e aqueles que não o fazem”.

Já um assessor muito próximo de Nicolas Sarkozy teria declarado ao jornal: “O Presidente foi muito claro: se os bancos não jogarem o jogo, ele utilizará a bomba atômica”.

O meu mantra é o seguinte:

  1. A crise global de crédito começou porque os bancos americanos perderam muito dinheiro por conta de créditos de péssima qualidade, ficando insolventes. 
  2. A falta de liquidez do sistema, portanto, lançou o mundo às portas da recessão.
  3. Em seguida, a liquidez dos bancos foi parcialmente restaurada por conta das linhas de redesconto e de liquidez dos BC’s e da capitalização realizada pelos Tesouros nacionais.
  4. Mas aí os bancos reduziram seu apetite de crédito e aumentaram seus spreads porque: (a) Haviam perdido confiança decisorial (por conta de suas próprias perdas de crédito) (b) Perderam a confiança na solidez da economia real.

É o que chamo de processo de RETROALIMENTAÇÃO DA CRISE DE CONFIANÇA.

No Brasil, lamentavelmente, também encontramos uma situação de parcial restrição ao crédito, ainda que com tipologia diferente. A conjuntura econômica (interna) e a estrutura do sistema financeiro aqui são incomparavelmente melhores do que nos EUA e Europa e não deveríamos estar passando por isso. Nosso país não convive com nenhuma “bolha” sistemicamente séria (como nos EUA), nem nossas famílias e empresas decidiram “fechar para balanço” e ‘produzir’ uma recessão como fizeram na Europa ocidental.

No Brasil a complicação começou com a restrição das linhas externas (20% do funding total, segundo alguns), mas essa situação evoluiu rapidamente para a aversão ao risco e aumento do custo de crédito, por conta das seguintes incertezas (na ótica dos bancos):

  • Capacidade de refinanciamento de dívidas das empresas e famílias.
  • Viabilidade de exportadores por conta do novo patamar do câmbio.
  • Eventuais ‘esqueletos’ nos balanços das empresas gerados pelas operações com derivativos.

O governo brasileiro vem tomando decisões de apoio ao sistema quase que diariamente, mas estarão elas sendo suficientes? Nos EUA, o FED passou a financiar empresas diariamente. Sarkozy faz ameaças explícitas, em público, de nacionalizar o sistema financeiro. Se a irrigação do crédito não evoluir a contento, podemos contar com uma das duas opções:

  1. Uma brutal desaceleração, com efeito equivalente a uma bela recessão.
  2. Uma ação governamental forte – não me arrisco, porém, a especular sobre o perfil desta…

Comentários, críticas e sugestões são muito bem-vindos.

Abraços,

Fernando

O que é “short-selling”:

  1. Quando o investidor acha que o mercado vai subir, ele compra ações e fica…”Comprado”. Nenhuma novidade aqui.
  2. E quando o investidor acha que o mercado vai ‘derreter’, o que ele faz? Ele “aluga” ações (pagando juros por isso) e as vende no mercado, ficando “vendido”.
  3. Em suma, ele deve dinheiro para quem lhe alugou a ação e torce para que o preço desta caia muito. Quando o preço da ação (que ele vendeu) cair ao nível desejado, o investidor a recompra no mercado, a devolve para quem alugou, paga os juros devidos e, se Deus for bondoso com ele, sobrará um bom lucro.
  4. Esta é uma operação de altíssimo risco, pois se a bolsa subir (o que ocorre com frequência), o investidor perderá a diferença entre o preço do aluguel e o preço que a ação atingir na alta, i.e. o prejuízo potencial é infinito teoricamente, mais os juros a pagar.
  5. Este tipo de operação é conhecida no Brasil como “venda a descoberto”.

Por que proibiram este tipo de trade:

  1. Num mercado marcado pelo temor, os chamados short-sellers se aproveitam do forte viés vendedor do mercado e vendem com vontade, afundando ainda mais as cotações!
  2. A iniciativa de venda do short-seller faz com que investidores “convencionais”, que não pretendiam vender suas posições ainda, acabarem por fazê-lo, uma vez que são tomados pelo pânico. Em outras palavras, os short-sellers funcionam como indutores de vendas adicionais, acelerando a deterioração do mercado.
  3. Os “puristas” foram contra esta medida da SEC, mas o resto do mundo, que não vive de volatilidade, agradece – myself included.

E abaixo segue o link da notícia na Business Week.

http://www.businessweek.com/ap/financialnews/D939SJK85.htm

Abraços, Fernando

Foi um dia atípico, pois a bolsa subiu 3,3%, o que denota otimismo, e o dólar subiu para 1,80, denotando pessimismo (investidor saindo do país). Bom, de fato mesmo não há muito o que comentar, pois tais movimentos podem ter sido influenciados por fatores que não indicam tendência alguma! A bolsa pode ter sido influenciada por uns poucos papéis com alto peso no IBOVESPA, enquanto que o dólar pode ter sido alvo de alguma ação especulativas, como alguns dizem.

Que ninguém fique procurando tendência nas cotações de ativos financeiros, nestes “days of confusion” (Black Sabbath’s Seventh Star, com Glenn Hughes nos vocais).

A declaração que segue, de Mônica Araújo, da corretora Ativa, reforça o que digo: “A notícia trouxe um pouco de racionalidade para o papel (NDR: o papel é Petrobras) e o mercado voltou a olhar o fundamento, o que é muito bom”. Em outras palavras, racionalidade é o que menos se encontra no mundo da finanças – aqui e lá fora.

E como incerteza é a regra do jogo, divido com vocês duas opiniões absolutamente opostas. As duas no mesmo artigo + vídeo (link abaixo). As duas podem acontecer, pois tem gente inteligente acreditando nas duas visões. Seria fácil se pudessemos deixar que terceiros decidissem por nós – e corressem o risco por nós -, mas o mundo não funciona assim, i.e. nós temos que analisar e decidir.

http://www.businessweek.com/magazine/content/08_38/b4100022002840.htm?chan=top+news_top+news+index+-+temp_news+%2B+analysis

Boa leitura + boa decisão! Abraços, FB

Olha, acabo de ler esta nota da Business Week. Vários economistas consultados sugerem que não é hora de estourar a champagne. Acreditam que o consumo irá enfraquecer, pois as estatísticas de desemprego estão em níveis muito elevados para os padrões locais.

Vamos monitorando + abraços,

Fernando

http://www.businessweek.com/investor/content/aug2008/pi20080828_330657.htm?chan=top+news_top+news+index_news+%2B+analysis

Why stay small?

Posted by: John Tozzi on August 20

Matt at 37 Signals profiles legendary Brooklyn pizzeria Di Fara. Here’s an excerpt:

[Owner Domenico] DeMarco doesn’t care about experts, franchising, or expansion because he doesn’t have to. That’s what you can do when you run your own small business. You can stay small. You can create your own thing and keep it the way you want it. You can take pride in what you’re creating and oversee everything that comes out of your oven. If people don’t like the wait, they can go somewhere else. If they don’t want to pay extra for the ingredients you grow yourself or import from Italy, that’s fine. You can be a perfectionist and take as long as you want. And the customers that care about what you care about will flock to you.

Plenty of people want to create scalable enterprises and maximize their profit, but many small business owners just want to work for themselves doing something they care about. Steve King at SmallBizLabs took a look at this last week as well. King sketched out three broad (and not exclusive) reasons for starting a business: financial return, passion, and lifestyle flexibility.

This reminded me of one surprising note from Scott Shane’s book, The Illusions of Entrepreneurship, which is generally discouraging for entrepreneurs. Shane found that small business owners, despite making less on average than they would as salaried employees and facing high risk of failure, are happier than their W-2 counterparts. In fact, business owners would have to earn about 2.5 times as much on average to be as satisfied working for someone else, Shane says. (Our interview with Shane is here.)

We tend to use sales, profit, and growth to measure business success, which ignores the “soft” factors like satisfaction. By those measures, DeMarco’s pizzeria is probably unremarkable.

When you’re building a business, are you looking to maximize profit or maximize happiness? They’re not mutually exclusive, of course, but they’re also not the same.

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Interessante este texto. Tirei de um blog da Business Week. O tema “ficar pequeno” é de muita relevância num momento como este que vivemos. Em tese, ninguém é obrigado a crescer. É difícil resistir a tentação, mas dá para permanecer pequeno (ou estável, sem crescer) desde que se tenha muita competência. 

No Brasil, os empreendedores vivem um momento de euforia. Eu não conheço um que diga “Não, acho que não vou tomar aquele empréstimo e comprar aquela máquina nova. Vai que o mercado vira, a demanda cai e o credito escasseia, etc.”.

Estão todos cheios de pedidos de clientes. Aí, quem não consegue sócio para expandir seu negócio se vira com empréstimo mesmo. E os bancos estão com um apetite para as PME’s como eu nunca vi!

Mas será que é pecado segurar as rédeas, uma vez que o céu está escurecendo rápido?  O texto acima mostra que não, seja lá por qual razão (medo da conjuntura, manutenção da qualidade e do atendimento, necessidade de controle, etc.).

Como diria o multi-task Arnaldo Cesar Coelho, “A regra é clara”: o pagamento do serviço da dívida é uma certeza; o fluxo de caixa para tal pagamento é uma suposição”.

Reflitamos + abraços, F.