Não, eu não irei comentar a famosa canção do Legião Urbana sob a sua ótica original, que tratava das lambanças políticas e injustíças sociais tupiniquins.

Aliás, muito pelo contrário. O foco aqui é o festival de boas notícias econômicas. Só para ficar com o Estadão de hoje temos:

1. “Ritmo das montadoras gera protestos”

Sim, os trabalhadores daqui estão reclamando da carga de trabalho, do cancelamento das férias, etc. Lá fora o protesto é por falta de emprego, fechamento de fábricas e por aí segue.

2. “Microempresas retomam contratações”

Segundo pesquisa do SIMPI, 11% das empresas pesquisadas contrataram e apenas 2,8% demitiram. Há um ano, 30% delas falavam em demissão. Lá fora, ninguém contrata ninguém.

3. “Caixa bate recorde em crédito para casa própria”

Ainda que esta seja mais uma ação de política governamental do que propriamente empresarial, o que vale é que o crédito imobiliário no Brasil cresce de forma vigorosa (inclusive no setor bancário privado) e saudável. O crédito imobliário no Brasil é fundamental para o desenvolvimento econômico, gera emprego, não é tão caro como as demais linhas de crédito…e continua isento de “bolhas”.

Que país é esse?

Abraços, F.

Promessa é dívida!

A grande maioria das empresas é ‘vítima’ da chamada sazonalidade de Natal. Em outras palavras, elas vendem muito mais durante: (a) outubro e novembro (as indústrias), (b) dezembro (o comércio). Digo que elas são ‘vítimas’ porque a sazonalidade requer um planejamento todo especial para dar conta da demanda irregular desta época.

Significa que meses antes da venda ocorrer a empresa já teve que planejar (i.e. adivinhar) o quanto terá de comprar de matéria-prima (indústria) ou produto para revender (comércio), além da necessidade de capital de giro! No entanto, este ano tivemos um complicador extra: a volatilidade causada por esta crise maluca.

De qualquer forma, a maioria das empresas deve estar neste momento:

  1. Sem ou com pouco caixa.
  2. Com muitas duplicatas a receber no seu ativo –  e com maior risco de inadimplência.
  3. Com mais estoque do que de hábito, porque previu vender mais do que conseguiu.
  4. Boa parte das duplicatas a pagar já foram pagas.
  5. Endividamento bancário elevado – garantido, em parte, pelas duplicatas acima.

Esta é uma fotografia clássica de um balanço em final de ano/janeiro. Só que desta vez há um problema adicional: o cenário de crise deste primeiro trimestre de 2009:

  1. Os bancos entrarão 2009 com menos apetite de lhe dar crédito do que antes.
  2. Razão: eles sabem (ou supõe – e tanto faz!) que sua empresa vendeu menos do que esperava neste Natal.
  3. Sabem – ou supõe, e tanto faz! – que sua empresa está com pressão de capital de giro e que está com menor oferta de crédito do que antes!
  4. Antes de liberarem mais crédito, a tendência é que os bancos solicitem o balancete do primeiro trimestre do ano… que só será produzido em maio, i.e. tarde demais para quem precisa de caixa já.
  5. Grandes setores estão estocados e produzindo pouco ou nada, e.g. automotivo, siderúrgico e construção civil (só para citar alguns que empregam bastante).
  6. A volatilidade do câmbio e o cenário depressivo internacional não ajudarão as exportações.
  7. A indústria irá demitir com mais frequência e os juros subirão (por conta do crédito menos ofertado). Moral da história: a propensão marginal a consumir das famílias cairá consideravelmente.

Resumindo, o cenário de horrores acima citado promete o seguinte às empresas:

  • Poucas vendas
  • Pouco crédito (e caro)

O que fazer (sob a ótica de crédito – não tenho a pretensão de sugerir estratégia empresarial):

  1. Limpar o balanço, i.e. o que não conseguiu vender no preço justo no Natal, não será vendido agora! Então liquide pra valer os seus estoques, pois financiá-los com empréstimo bancário será DIFÍCIL, CARÍSSIMO e ainda DETERIORARÁ O SEU CRÉDITO NA PRAÇA.
  2. “E alongar o crédito?” Se conseguires, sereis dígno do reino dos céus! (texto com estilo bíblio) Os bancos só alongarão créditos para clientes que estejam, comprovadamente, quebrando. E cobrarão juros, taxas e multas contratuais irracionais (e pedirão todas as garantias possíveis e imagináveis).
  3. Não reponha estoques. E se precisar fazê-lo, barganhe como nunca por maiores prazos com os seus fornecedores. Acredite: é melhor pagar mais juros (ou preço mais alto) para o fornecedor alongar o prazo de pagamentos, do que pedir dinheiro em bancos. Os bancos, ao sentirem que sua empresa não precisa deles, voltarão, aos pouquinhos, a procurá-lo para emprestar e aí você poderá reequilibrar o jogo.
  4. Se precisar muito, recorra a empresas de factoring de 1a. linha e faça suas duplicatas virarem caixa – mas só com as de 1a. linha. Procure a ANEFAC (associação do setor) para mais informações. Eu gosto da ANEFAC e de algumas factorings top, mas tem muita gente no setor que cobra como agiota. E saiba: os bancos têm precoceito com empresas que descontam títulos com factorings (palavra de um preconceituoso convertido), i.e. muito banco deixará de te emprestar se ‘cheirar’ que a situação do seu negócio está tão ruim, que você está precisando de factorings…
  5. Outra opção que é válida, mas só para quem vende para empresas muito grandes e poderosas, é descontar o título com o proprio sacado. Grupos que têm seu próprio banco gostam disso. O problema, segundo tenho sido informado, é que tem muita empresa deste perfil que também está com pouco crédito na praça…dureza!

Simples, não é?! A crise está tão dura, que a regra única a ser seguida é CASH IS KING (ou caixa é o rei). E eu diria mais: neste momento CASH IS GOD (…é deus, com ‘d’ minúsculo para não blasfemar).

É isso mesmo, converta seus ativos em caixa e reduza ao máximo seu endividamento bancário.

Opinião deste Blog: 2009 não é ano para se apostar “ah, o mercado vai virar”, “não vou vender por tão pouco e ter prejuízo”, “meu produto vale mais que isso”, etc. A regra é clara: o seu cliente está sem grana!

2009 é ano para empatar ou perder pouco.

A vida é longa e a gente reconstrói as perdas deste ano – mas para quem quebrar agora, o futuro será muito mais incerto e doloroso. Não esqueça: o seu carro tem acelerador e freio (além do breque de mão!): não queira acelerar sempre.

Com meu abraço, que é simpático com a sua causa,

Fernando

Este assunto deu o que falar nesses últimos dias. Muita gente dizendo que a Petrobras tem uma gestão financeira ruim e outros tantos falando que ela foi favorecida pelos bancos estatais por se estatal também e por aí seguiu a repercussão.

O link abaixo, do blog da Miriam Leitão, dá uma boa visão do caso, ainda que com certa “parcialidade”. Mas não aborda a questão por inteiro. Ainda bem, do contrário eu não teria o que dizer… 🙂

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=as_distorcoes_do_caso_caixa-petrobras&cod_Post=143349&a=495

Alguns pontos para reflexão:

  1. Sim, ao tomar R$ 2 bilhões da Caixa (e aparentemente outro tanto do BB também) a Petrobras acabou por contribuir, indiretamente e de forma não intencional, para agravar a oferta de crédito no país.
  2. Não é normal que Caixa e Petrobras façam operações de crédito, pois o banco estatal não foca em grandes empresas e porque nossa rainha do petróleo costuma trabalhar com outro perfil de banco.
  3. Porém, deveria ser óbvio para todo mundo que a Petrobras não tomou crédito na Caixa porque tinha desejos mórbidos de secar a já escassa oferta de crédito do país.
  4. A situação de crédito global está péssima e, creio eu, nem a Petrobras está conseguindo rolar certos empréstimos internacionais (e.g. bilionárias linhas de financiamento de importação de petróleo).
  5. Além disso, a estatal tem mega investimentos em andamento e muitos bilhões de contas a pagar por conta disso, i.e. é perfeitamente razoável que tenha tido um furo de caixa.
  6. Calma, o possível e provável furo de caixa poderia ser facilmente coberto com o dinheiro que a Petrobras tem aplicado. Porém, sabedora do clima negativo do mercado, deve ter preferido tomar crédito dos “bancos aparentados” e preservar sua própria liquidez.
  7. Não pagar seus pequenos e médios fornecedores (sim, não é só gigante que vende para a Petrobras!) seria um mal maior, pois estes não teriam para onde correr.
  8. E também não seria uma boa sinalização para o mercado se ela parasse de importar petróleo, ou “comprar fiado”…

Acho que essa celeuma se deu mais por falta de transparência da companhia do que pelos fatos em si. Não que seja fácil admitir que uma empresa-símbolo como a Petrobras esteja enfrentando os mesmos problemas que o Bar do Gosma, lá da periferia, i.e. falta de crédito.

O governo federal também deve ter pensado mil vezes antes de sinalizar que a “Operadora do Milagre do Pré-sal” está enfrentando problemas de caixa – ainda que temporariamente. Mas é que falou-se tanto que o Brasil estaria blindado contra a “marolinha” graças ao petroleo do pré-sal que agora fica complicado explicar que precisaríamos de recursos financeiros para a realização de tal feito. E os tais recursos financeiros estão em falta no planeta…

É isso, meus caros, Risco de Refinanciamento pega qualquer um! E pega com requintes de crueldade empresas que têm ativos mais longos do que seus passivos e, em especial, as que estão com grande volume de investimentos em andamento (e que não querem paralisá-los) e contas a pagar queimando no caixa.

Sinceramente, não me preocupei em saber se os tais empréstimos foram feitos de forma mais ou menos transparente. Pior se tentaram fazer de forma enrustida. Mas o fato é que o governo – qualquer um – tem como missão ser “emprestador de última instância” e seus bancos oficiais têm esse papel e, aparentemente, desta forma agiram.

O resto é balela, lamento dizer. Ou alguém gostaria de ver faltar gasolina no posto?

Abraços,

Fernando

PS: transparência é tudo, minha gente, com ou sem crise! Sempre.

O caderno Negócios e Oportunidades do Estadão de hoje, traz uma matéria muito legal sobre o tema deste post – não consegui achar o link…

Antes de falar de crédito, falarei sobre gestão: não dá para gerenciar direito uma empresa – de qualquer tamanho – sem um adequado arsenal tecnológico. Segundo o SEBRAE nacional, pesquisa de 2005 indicava que apenas 47% das empresas brasileiras era informatizada. Um horror! Na reportagem de hoje, o Banco do Brasil informa que dos seus 1,9 mm de clientes PJ, apenas 500 mil (pouco menos de 25% do total) usa o internet banking. O segundo horror!

Bom, conforme destaquei no post anterior, sobre o leasing, este é o tipo de financiamento bom para o seu negócio. Abaixo as melhores opções:

www.bancodobrasil.com.br/mpe

Proger Urbano EMPL; juros = 0,95% a.m.; 72 meses

Cartão BNDES; juros prefixados; 36 meses

www.caixa.gov.br/pj/pj_comercial/mp/linha_credito

Investgiro Proger; TJLP + 5% a.a.; 48 meses

Cartão Caixa BNDES; TJLP + 3,8% a.a.; 36 meses

GiroCaixa; TR + 0,83 a.m.; 24 meses

www.bndes.gov.br

Os produtos do BNDES são oferecidos a partir da rede bancária, que faz a intermediação e garante o risco para o banco federal. Já os recursos (funding) são liberarados pelo BNDES.

Outros canais para saber das coisas:

www.office.microsoft.com/pt-br

www.driveit.com.br

Para concluir, um recado importante: empresa sem tecnologia adequada é mal vista pelos seus financiadores, pois isto deixa claro que o empresário não está ‘antenado’, a empresa não tem agilidade suficiente e ainda deve incorrer em erros de gestão (e.g. financeiros, controles, etc.), e dificilmente sobreviverá a concorrentes mais modernos.

Abs, F.