Caros,

O Estadão de hoje emplacou várias matérias sobre as dificuldades que o país vem enfrentando com o crédito escasso.  Apesar de domingo de carnaval não ser o melhor dia para se apoquentar com crédito, a comunidade que luta pela transparência do crédito agradece! Sigamos:

Crédito escasso freia o consumo, por Leandro Modé

O argumento é que o crédito não se regularizou, apesar da solene afirmação feita por Henrique Meirelles e já comentada – e destruída – aqui no blog. Me digam, custava o BC ser mais transparente com um assunto tão importante para a população e empresas? Até a Febraban, que é entidade de classe, foi muito mais correta neste ponto! O BC sim tinha essa obrigação, mas pisou na bola – e feio.

A reportagem é focada no varejo. Todos concordam que o setor mais afetado foi o comércio. Eu concordo e vou mais longe:  aos olhos de quem financia, o comércio é o setor menos transparente no Brasil. Não gostam de dar balanços para análise e quando os dão…lembram de Star Trek, Star Wars e outras ficções? Conheço muito bem o setor e algumas de suas associações de classe…enquanto não mudarem sua forma de encarar crédito e o relacionamento com bancos, financeiras, etc., vão sempre pagar os juros mais altos.

Quem não é transparente com banco sempre passa impressão de má qualidade de risco, então as linhas são escassas e, portanto, o empresário não tem  como barganhar. Conclusão, pagam o que é cobrado, i.e. juro alto.

 BC e Febraban admitem dificuldades , por Leandro Modé

Pelo que diz a reportagem, o BC enviou uma nota apenas. Que feio! Bem, acho que ninguém do BC resistiria a duas perguntas bem feitas sobre o tema. Seria nocaute na certa. A tal nota foi “de sobrevivência”. 🙂

Acho que o destaque desta matéria é a conclusão do próprio jornalista, a respeito da visão do BC: Por ora, o BC entende que as dificuldades se devem a própria crise, que fez os bancos serem naturalmente mais cautelosos na concessão de empréstimos. Se essa percepção mudar, o contra-ataque será diferente”, ele escreve com precisão.

Exigências dos bancos excluem empresas médias, por Marianna Aragão

Confesso que não entendi a lógica desta manchete, mas a matéria explica que as empresas de médio e pequeno porte estão encontrando problemas para fornecer todas as garantias exigidas pelos bancos. Não custa lembrar o ‘caminho do inferno’ nestes momentos de alta percepção de risco:

  • Piora a percepção de risco da empresa?
  • Diminui o volume de linhas de crédito ofertadas.
  • E menos ofertas é igual a preço mais alto, sempre!
  • Pior, os prazos das linhas são encurtados.
  • Muito pior, mais garantias são solicitadas.

A matéria aborda também as dificuldades de empresas de serviços, que não tem ativos ou recebívies. Como conseguir crédito? Bem, no Brasil isto sempre foi quase impossível, só tendo havido um refresco nestes anos recentes de exuberância irracional do crédito verde-amarelo.

Eu sei que é duro para quem tinha acabado de se acostumar com a oferta de crédito (ainda que a custo proibitivo). Mas o crescimento recente do crédito no Brasil não era normal – e não era saudável. Se nada cresce 30% a.a., por vários anos, por que o crédito doméstico, em reais, deveria? De repente o risco empresarial ficou tão maravilhoso assim, ou as famílias ficaram tão abastadas e seguras? Ou os bancos aprenderam a dar crédito pra valer, renunciando a um passado absurdamente conservador? Nah…foi exuberância irracional.

Agora, voltamos à velha ordem natural das coisas. Só que de forma abrupta, machucando muita gente inocente.

Factoring vira tábua de salvação, por Marcelo Rehder

Finalmente, ufa, quanta matéria sobre crédito. Até para um veterano obsecado como eu tem coisa demais para ler e comentar. Esta matéria, até pelo próprio título, saúda a existência das empresas de factoring, tantas vezes demonizadas (até por bancos…).

Meus amigos da ANFAC comentam que o volume de negócios aumentou 40%, se comparado com o pré-crise. Notem que não me surpreendo com um provavel aumento da demanda por factoring. Mas me surpreendo sim com o aumento dos negócios. Por que?

  • De onde saiu o funding para as empresas de factoring passarem a descontar tantos títulos a mais?
  • Estariam elas com caixa sobrando, à espera de bons negócios?
  • A única certeza que eu tenho é que os bancos não passaram a dar mais funding para elas.

O custo do factoring é naturalmente mais alto do que os juros bancários, por dois motivos: (a) o custo de funding para as factorings é consideravelmente mais caro que o dos bancos, (b) as factorings sofrem uma cunha fiscal que as torna menos competitivas que os bancos. Em outras palavras, as factorings – na média – correm mais risco, cobram mais caro e lucram menos. Este é um fenômeno do capitalismo financeiro…

Nossa Caixa – esta reportagem traz a declaração de um empresário que reclama de ter sido injustamente protestado pela Nossa Caixa, tendo ficado com o nome sujo e com enormes dificuldades para tomar empréstimos em outros bancos. É óbvio que eu não quero fazer juízo de valor da Nossa Caixa ou do empresário, mas aqui mesmo no blog já registramos uma tremenda reclamação contra a Nossa Caixa, por motivo similar. Haverá algum problema por lá?

Abraços, Fernando

PS: concluir este post foi uma obra de amor à arte de blogar. Quando o mesmo já estava quase pronto, eu fui salvá-lo, mas o patético serviço da dupla Telefonica/Speedy me fez perder tudo! Deu vontade de jogar o notebook pela janela! Fica aqui a minha vingança: que nenhum dos 23 leais seguidores deste blog jamais usem quaisquer serviços da Telefonica/Speedy!

Caros,

Este assunto me irrita. E deve irritar muito mais os milhares de brasileiros que enfrentam problemas sérios com as suas dívidas (bancárias ou não). Já escrevi textos mal humorados porque vejo a FIESP, o BC, o Ministério da Fazenda e a mídia inteira bater sempre na mesma tecla – …na tecla errada. Os exemplos dos últimos dias:

  1. O BC finalmente tornou pública – de forma transparente – a tabela de juros dos bancos. Só que o próprio BC irá rever a metodologia, pois gerou uma gritaria sem fim.
  2. O Sr. Paulo Skaf, da FIESP, foi à loucura ao pregar cadeia para o…quem?…HSBC, que segundo a lista do BC cobra os juros mais altos do mercado.
  3. O Presidente do BC, Henrique Meirelles, diz para os políticos que vai pegar pesado pela queda dos juros bancários. Que é isso? Palanque para o governo de Goiás?

Os fatos são:

  1. Um triste fato da vida é que as empresas brasileiras estavam mais estocadas do que nunca, porque o país crescia muito rápido (acima de 6,5% a.a., em setembro) e o Natal chegava. E por conta disso todas tinham mais dívida do que o normal.
  2. O cidadão brasileiro também estava mais endividado do que nunca – porque a oferta era grande e o brasileiro não faz conta, i.e. compra uma geladeira na Casas Bahia ou no Magazine Luiza, e faz as famílias Klein e Trajano felizes porque pagam a geladeira e um fogão (de juros).
  3. Quanto as linhas externas secaram para os bancos brasileiros e para o grande empresário local que se endividava lá fora, houve um grande gargalo no crédito doméstico.
  4. Eu, você, o Bradesco e a Petrobras estamos com menor oferta de crédito e  – só por isso – pagamos juros mais altos. Exemplos:
  5. Juros para uma das maiores multinacionais do mundo: 125% do CDI
  6. Juros para um dos maiores grupos empresariais do Brasil: 160% do CDI.
  7. Juros para um grupo brasileiro que fatura mais de R$ 1 bilhão: 188% do CDI.
  8. Juros pagos para o F.Blanco, segundo oferta por escrito, de um banco internacional (ex-primeira linha): 105% do CDI.

Nota: CDI é a taxa média dos juros interbancários e costumava ser semelhante à SELIC (taxa básica do BC).

Deu pra notar a situação? Como lutar contra isso?

A Petrobras e o Bradesco estão se virando para conseguir mais crédito. O cidadão e a pequena/média empresa brasileiros, não o fazem direito. Reclamam, xingam os bancos, etc. Nada disso adianta.

Vejam este post do J.P.Kupfer. O post é bom e pronto, mas o “””destaque””” aqui vai para os comentaristas. É uma falastrice sem fim, que não ajuda em nada a vida de ninguém. Se o tempo que perdem berrando palavras de ordem, fosse usado para fazer uma boa pesquisa de preços e serviços, aí sim se dariam melhor. E o mesmo raciocínio é válido para empresários.

Eu já falei com meia FIESP/CIESP sobre como as empresas podem e devem se defender dos juros altos! Alguém me ligou? Não! Até parece que não querem solucionar o problema. Afinal, se não houver problema não haverá microfones à disposição para a gritaria de sempre, né?

Mas é óbvio que não é isso. Ou será que é ? Skaf e companhia querem a solução do problema. Só não sabem como fazer…e desprezam ajuda externa.

Olhem aqui a famosa lista do BC. Separei dois exemplos: Pessoa Física – CréditoPessoal e Pessoa Jurídica – Capital de Giro Pré. Compare  os bancos e compare o quanto você paga. Vá na agência e converse com o seu gerente, para tentar entender os juros que você paga e o que o BC publica. E assunte por que outros bancos cobram menos.

Mas atenção: compare banana com bananas. Exemplo: eu e você não teremos crédito jamais no Banco Itaú BBA, que é voltado para grandes empresas. E se quiserem procurar os bancos, este link da Febraban ajuda.

E leiam aqui no Blog a sessão Melhore o seu Crédito. Lá tem boas dicas, palavra de escoteiro.

Perguntem, critiquem, etc., mas sempre voltado à busca de solução, pois do contrário é perda de tempo.

Abraços, F.

Promessa é dívida!

A grande maioria das empresas é ‘vítima’ da chamada sazonalidade de Natal. Em outras palavras, elas vendem muito mais durante: (a) outubro e novembro (as indústrias), (b) dezembro (o comércio). Digo que elas são ‘vítimas’ porque a sazonalidade requer um planejamento todo especial para dar conta da demanda irregular desta época.

Significa que meses antes da venda ocorrer a empresa já teve que planejar (i.e. adivinhar) o quanto terá de comprar de matéria-prima (indústria) ou produto para revender (comércio), além da necessidade de capital de giro! No entanto, este ano tivemos um complicador extra: a volatilidade causada por esta crise maluca.

De qualquer forma, a maioria das empresas deve estar neste momento:

  1. Sem ou com pouco caixa.
  2. Com muitas duplicatas a receber no seu ativo –  e com maior risco de inadimplência.
  3. Com mais estoque do que de hábito, porque previu vender mais do que conseguiu.
  4. Boa parte das duplicatas a pagar já foram pagas.
  5. Endividamento bancário elevado – garantido, em parte, pelas duplicatas acima.

Esta é uma fotografia clássica de um balanço em final de ano/janeiro. Só que desta vez há um problema adicional: o cenário de crise deste primeiro trimestre de 2009:

  1. Os bancos entrarão 2009 com menos apetite de lhe dar crédito do que antes.
  2. Razão: eles sabem (ou supõe – e tanto faz!) que sua empresa vendeu menos do que esperava neste Natal.
  3. Sabem – ou supõe, e tanto faz! – que sua empresa está com pressão de capital de giro e que está com menor oferta de crédito do que antes!
  4. Antes de liberarem mais crédito, a tendência é que os bancos solicitem o balancete do primeiro trimestre do ano… que só será produzido em maio, i.e. tarde demais para quem precisa de caixa já.
  5. Grandes setores estão estocados e produzindo pouco ou nada, e.g. automotivo, siderúrgico e construção civil (só para citar alguns que empregam bastante).
  6. A volatilidade do câmbio e o cenário depressivo internacional não ajudarão as exportações.
  7. A indústria irá demitir com mais frequência e os juros subirão (por conta do crédito menos ofertado). Moral da história: a propensão marginal a consumir das famílias cairá consideravelmente.

Resumindo, o cenário de horrores acima citado promete o seguinte às empresas:

  • Poucas vendas
  • Pouco crédito (e caro)

O que fazer (sob a ótica de crédito – não tenho a pretensão de sugerir estratégia empresarial):

  1. Limpar o balanço, i.e. o que não conseguiu vender no preço justo no Natal, não será vendido agora! Então liquide pra valer os seus estoques, pois financiá-los com empréstimo bancário será DIFÍCIL, CARÍSSIMO e ainda DETERIORARÁ O SEU CRÉDITO NA PRAÇA.
  2. “E alongar o crédito?” Se conseguires, sereis dígno do reino dos céus! (texto com estilo bíblio) Os bancos só alongarão créditos para clientes que estejam, comprovadamente, quebrando. E cobrarão juros, taxas e multas contratuais irracionais (e pedirão todas as garantias possíveis e imagináveis).
  3. Não reponha estoques. E se precisar fazê-lo, barganhe como nunca por maiores prazos com os seus fornecedores. Acredite: é melhor pagar mais juros (ou preço mais alto) para o fornecedor alongar o prazo de pagamentos, do que pedir dinheiro em bancos. Os bancos, ao sentirem que sua empresa não precisa deles, voltarão, aos pouquinhos, a procurá-lo para emprestar e aí você poderá reequilibrar o jogo.
  4. Se precisar muito, recorra a empresas de factoring de 1a. linha e faça suas duplicatas virarem caixa – mas só com as de 1a. linha. Procure a ANEFAC (associação do setor) para mais informações. Eu gosto da ANEFAC e de algumas factorings top, mas tem muita gente no setor que cobra como agiota. E saiba: os bancos têm precoceito com empresas que descontam títulos com factorings (palavra de um preconceituoso convertido), i.e. muito banco deixará de te emprestar se ‘cheirar’ que a situação do seu negócio está tão ruim, que você está precisando de factorings…
  5. Outra opção que é válida, mas só para quem vende para empresas muito grandes e poderosas, é descontar o título com o proprio sacado. Grupos que têm seu próprio banco gostam disso. O problema, segundo tenho sido informado, é que tem muita empresa deste perfil que também está com pouco crédito na praça…dureza!

Simples, não é?! A crise está tão dura, que a regra única a ser seguida é CASH IS KING (ou caixa é o rei). E eu diria mais: neste momento CASH IS GOD (…é deus, com ‘d’ minúsculo para não blasfemar).

É isso mesmo, converta seus ativos em caixa e reduza ao máximo seu endividamento bancário.

Opinião deste Blog: 2009 não é ano para se apostar “ah, o mercado vai virar”, “não vou vender por tão pouco e ter prejuízo”, “meu produto vale mais que isso”, etc. A regra é clara: o seu cliente está sem grana!

2009 é ano para empatar ou perder pouco.

A vida é longa e a gente reconstrói as perdas deste ano – mas para quem quebrar agora, o futuro será muito mais incerto e doloroso. Não esqueça: o seu carro tem acelerador e freio (além do breque de mão!): não queira acelerar sempre.

Com meu abraço, que é simpático com a sua causa,

Fernando

Há dias que eu penso em escrever sobre esse tema, mas sempre surge algo mais importante (na minha opinião, mas talvez não na sua…). Aí, ao xeretar o blog da Miriam Leitão, achei dois posts interessantes (lá embaixo), enchi-me de coragem e apresento a vocês a minha visão sobre o assunto:

  1. Disclaimer: a única relação que eu tenho com o mercado da construção civil – e sua cadeia de valor – é um imóvel que comprei e estou pagando (e rezando…).
  2. A maioria das empresas do setor que abriram capital nos últimos anos não tinha estofo sequer para tomar um crédito para capital de giro de 180 dias. Imagine então se estavam preparadas para fazer um IPO e serem gerenciadas profissionalmente logo após. Reinavam a informalidade, a promiscuidade (caixa da empresa e do empresário), a governança “à moda antiga”, os lucros tinham forte componente de sonegação (do contrário o lucro minguava), etc., etc.
  3. A Miriam e eu temos fontes similares: a turma pegou o dinheiro e torrou em terrenos sobrevalorizados. Os menos éticos “ajudaram” a sobrevalorizar o terreno para dar um ‘tombinho básico’ nos novos sócios minoritários.
  4. De qualquer forma, se tivessem um mínimo de planejamento financeiro, não teriam problemas sérios para tocar suas obras. Afinal, construção civil só pede funding de longo prazo (ou capital próprio). Qualquer coisa diferente disso é brincar de roleta russa. Mas muitos o fazem.
  5. Será que fizeram? Provavelmente, talvez pensando que a crise era ‘café pequeno’ e logo fariam o segundo IPO, este para levantar os prédios.
  6. Em outras palavas, muitos teriam começado a levantar os prédios sem a captação adequada, veio a crise aguda e os bancos congelaram (e encareceram) as linhas.
  7. Pior, com a crise, as vendas devem ter sofrido uma bela queda…com o noticiário sobre o assunto esquentando, aí é que menos gente compra mesmo. Alguém já ouviu falar de risco sistêmico? É igualzinho a banco!

Não tenho dúvida que a situação de várias delas é grave. Fico incomodado só de pensar no governo criando uma “linha de redesconto” para construtoras/incorporadoras incompetentes. Porém:

  1. O negócio imobiliário guarda muita semelhança com o setor bancário, i.e. usa a poupança do cidadão, i.e. quando a construtora/incorporadora quebra, geralmente o cliente perde muito dinheiro (mesmo que a obra seja tocada por outra construtora – como aconteceu em vários imóveis da Encol).
  2. O governo não quer: (a) levar a fama de ter deixado a “Crise que aqui será marolinha” quebrar milhares de mutuários que acreditaram no ‘discurso’ do Presidente Lula; (b) dar de presente esse gigantesco capital político para os adversários do PT; (c) que um imenso ‘imbróglio’ deste venha a danificar ainda mais o clima econômico do país (quebradeira, desemprego, etc.).

Engraçado é que eu ainda não li os jornais (impressos) atacarem esse possível casuísmo político-econômico. Será que é porque todos eles dobraram de tamanho graças aos imensos anúncios do setor?

Bem, e o que deve sair desse ‘saco de bondades’? Nada muito especial, creio eu. Provavelmente uma linha de capital de giro a perder de vista, a ser oferecida pela CEF que é quem entende do assunto na esfera federal.

Lamentável….

Abraços, Fernando

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=onde_esta_lucro_das_empresas_que_pedem_ajuda&cod_post=134254&a=73

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=construtoras_erram_governo_vira_socio&cod_Post=134246&a=73

Prezados,

Está na IstoÉ Dinheiro desta semana, na sessão Dinheiro em Ação (pag. 109):

  1. O que NÃO é novidade: a Magazine Luiza (3a maior rede de eletro-eletrônicos do país) vai invadir a Grande Santos e o Planalto Paulista (sorry, coisa de Santista bairrista…). Será uma entrada triunfal e massiva (e arriscada) com nada de menos que 50 lojas, de uma vez!
  2. O que a revista TRAZ como novidade: “depois de abrirmos as 50 lojas em São Paulo, vamos avaliar como iremos nos capitalizar”, diz a carismática CEO (e líder de fato!) Luiza Helena Trajano.
  3. O que EU comento sobre isso:
  • A família Trajano é boa no que faz. A Luiza Helena, que é sobrinha dos fundadores e principais acionistas da empresa, é uma líder varejista nata, daquelas que encantam os funcionários (lá eles não “vestem a camisa”, mas “tatuam-se” por amor à empresa). Eu os conheci por volta de 2004, quando visitei a empresa e tive a honra de almoçar com a família em sua simpática e nada suntuosa chácara. Lembro-me que naquela época Luiza Helena dava seus primeiros passos como celebridade (termo elogioso) corporativa, arrebatando empresários com seu jeitão pseudo-simplório, mas que é pura sabedoria popular isso sim! Lembro-me da sua tia dando-lhe conselhos: “Vê lá se não vai ficar dando muita palestra por aí, deixando os negócios de lado, hein minha filha”. Um show de verdadeiro management familiar de sucesso!
  • Mas entrar assim, de uma vez, no mercado mais concorrido do país, competitindo com gigantes já estabelecidos como Casas da Bahia e Ponto Frio, é coisa para titã. Detalhe: estimo que eles pretendem arrancar 30% do seu faturamento anual a partir deste projeto Paulistano-Santista. O impacto no capital de giro será, portanto, imenso. Sem falar no capital fixo investido para a abertura das lojas. Que tal uns R$ 400 milhões para começar?
  • Se existe uma coisa que Luiza Helena e sua família não deixaram “para depois” é o planejamento do funding desta mega operação! Deve estar tudo bem arranjadinho!! OK, seria uma sandice não fazê-lo.

O que é bem provável que já tenham engatilhado:

  1. Acordos com fornecedores, que garantam belos prazos de financiamento das novas compras.
  2. Algum (ou alguns) banco de investimentos de primeira linha já deve estar mandatado para fazer o IPO da empresa logo que o mercado se estabilize. Detalhe: este banco (ou bancos) já teria adiantado (via empréstimo-ponte) um imenso volume de recursos para garantir o mandato do (muito rentável) IPO. Prazo longo e custo baixo devem ter sido bem negociados pela Magazine Luiza.
  3. Linhas do BNDES para o investimento fixo, de prazo considerável, também devem compôr a equação financeira.
  4. Fundos de Private Equity devem ter interesse de entrar na empresa. Quem sabe não há alguma negociação já alinhavada/fechada…

Um último comentário, com jeito de conselho de amigo, é o seguinte: é fundamental que a área Financeira da empresa esteja 100% alinhada com as áreas Comercial e de Compras, pois vendas maiores, quase sempre, pressionam o capital de giro. E o bom executivo financeiro irá alertar seus acionistas e preparar seus bancos parceiros para a maior demanda por linhas de crédito. Do contrário, a empresa corre o risco de ser vítima do seu próprio sucesso de vendas. Cansei de ver isto na vida!

A família Trajano, lá de Franca, não cairia nessa, creio eu. Não caia você também!

Abraços, FB

PS: abaixo, um link interessante sobre este projeto.

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0925/gestaoepessoas/m0166387.html

Caros, o link abaixo os leva para o ótimo Blog do Dinheiro/Doletas (ver ao lado).

Nenhum empresário deveria comprar um único computador sequer, utilizando-se de suas linhas de crédito para capital de giro. E há quem o faça? Ô se tem. Se dessem as mãos, a fila daria volta no mundo.

Mas como é linha de médio/longo-prazo, os bancos não aprovam este crédito para qualquer um, mas para aqueles que se apresentam corretamente, i.e. apresentam balanços confiáveis (ou pelo menos muito bem explicados), visão estratégica e gestão e acionistas bem reputados.

Para quem está investindo, vale a pena clicar no link e, se necessário for, visitar 1, 2…10 bancos à procura de uma linha adequada para tal investimento.

Abraços, F.

http://doletas.blogspot.com/2008/08/arrendamento-mercantil.html

A matéria abaixo mostra que o aperto monetário, via aumento da SELIC, começa a impactar os juros na ponta. Os dados da pesquisa, porém, não me deixaram 100% confortável, pois não creio que um HSBC precifique uma linha de Crédito Pessoal a taxas como 4,81% a.m.em maio e 4,82% a.m.em junho.

Juros bancários sobem em agosto, mostra Procon-SP

Valor Online
11/08/2008 14:47

SÃO PAULO – O aperto monetário iniciado em abril pelo Banco Central (BC) já reflete no movimento dos juros bancários. Pesquisa divulgada hoje pela Fundação Procon-SP mostrou crescimento na taxa média de juros cobrada pelos bancos nas modalidades de crédito pessoal e de cheque especial.

De acordo com o estudo, realizado com dez instituições, o juro médio mensal cobrado para as operações de empréstimo pessoal passou de 5,67% para 5,69% entre julho e agosto. Já para o cheque especial, o salto foi maior, de 8,83% para 8,97% ao mês.

Na modalidade de crédito pessoal, três bancos foram os responsáveis pela alta no juro, visto que sete instituições pesquisadas mantiveram as taxas praticadas em julho. Foram verificados reajustes no Bradesco (5,87% para 5,93%), no Itaú (6,58% para 6,64%) e no HSBC (4,81% para 4,82%).

Já no cheque especial, cinco bancos aumentaram as taxas. As três maiores altas foram apuradas pelo Procon-SP nos bancos Safra (11,79% para 12,3%), Real (8,9% para 9,28%) e Bradesco (8,39% para 8,58%).

A entidade salienta que os dados levantados referem-se a taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais, sendo que para o cheque especial foi considerado o período de 30 dias. Foram coletados números dos bancos Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Banco do Brasil, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco.