Não, eu não irei comentar a famosa canção do Legião Urbana sob a sua ótica original, que tratava das lambanças políticas e injustíças sociais tupiniquins.

Aliás, muito pelo contrário. O foco aqui é o festival de boas notícias econômicas. Só para ficar com o Estadão de hoje temos:

1. “Ritmo das montadoras gera protestos”

Sim, os trabalhadores daqui estão reclamando da carga de trabalho, do cancelamento das férias, etc. Lá fora o protesto é por falta de emprego, fechamento de fábricas e por aí segue.

2. “Microempresas retomam contratações”

Segundo pesquisa do SIMPI, 11% das empresas pesquisadas contrataram e apenas 2,8% demitiram. Há um ano, 30% delas falavam em demissão. Lá fora, ninguém contrata ninguém.

3. “Caixa bate recorde em crédito para casa própria”

Ainda que esta seja mais uma ação de política governamental do que propriamente empresarial, o que vale é que o crédito imobiliário no Brasil cresce de forma vigorosa (inclusive no setor bancário privado) e saudável. O crédito imobliário no Brasil é fundamental para o desenvolvimento econômico, gera emprego, não é tão caro como as demais linhas de crédito…e continua isento de “bolhas”.

Que país é esse?

Abraços, F.

Olá, o tema do crescimento do PIB em 2009 gerou alguma controvérsia. E com justiça, pois o tema é complexo (i.e. ninguém sabe, tudo mundo acha).

Já Paul Krugman advoga a tese de que todo processo de depressão costuma ser interrompido por alguns ‘suspiros’ de aquecimento. Estas aparentes recuperações são seguidas de mais queda do produto. Vejam este post dele.

Será que é isso que estamos sentindo por aqui? Vários índices estão sinalizando que a economia começa a se recuperar – ainda que timidamente -, mas será que em breve teremos mais deterioração? Não gostei da fala do Henrique Meirelles…soturno demais, especialmente para alguém do governo, que tende a esbanjar confiança.

Eu continuo achando que tendemos a um crescimento entre zero e + 1% do PIB, ainda que sem crescimento relevante do nível de emprego e com consideravel nível de inadimplência.

Ainda no campo do desemprego, achei no blog da Miriam Leitão este gráfico – atribuído ao Bradesco. Não entendi bem o milagre, mas o Bradesco acredita que mesmo com o Brasil crescendo ZERO % este ano, o país gerará 300 mil empregos em 2009.

Tomara II, A Missão! Abs, F.

Acabo de ler este ótimo post do Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Banco Santander/Real e ex-diretor da área internacional do Banco Central. Usando outros argumentos, ele também conclui que poderemos ter um crescimento vigoroso no final deste ano.

Tomara! Abraços, F.

<< editado em 18 ABR 20009>>

Chover no molhado pode ser útil – às vezes, poucas vezes.

Este post da Miriam Leitão traz informações que ela recebeu da equipe econômica do Banco Santander/Real. O gráfico abaixo, porém, vale o post.

Ele mostra como os setores do varejo que são mais dependentes de crédito cresceram fortemente, durante os anos de expansão do crédito no Brasil, assim como despencaram brutalmente depois de setembro do ano passado.

Parcece “chover no molhado”, pois deve ser óbvio para todo mundo que o crédito foi o anabolizante mais utilizado pelas economias nacionais na Olímpiada do Consumo global. O Brasil usou menos, mas ainda assim usou muito e repentinamente. Salvo falha da memória, em 2008, em apenas 12 meses, a relação crédito/PIB subiu de 32% para 42%. Anormal e perigoso, como eu já dizia há séculos.

Mas o que interessa aqui é destacar o seguinte:

  1. Os bancos sabem que ‘puxaram demais a corda’ do crédito e, na medida que forem enxergando que o mundo não acabou, voltarão a emprestar.
  2. Apesar mais comedidamente do que em 2006, ’07 e ’08, o crédito voltará em volumes suficientes para fazer a economia doméstica voltar a produzir em volumes que minimizem o risco de recessão e estabilizem o desemprego onde está (por volta dos 9%).

Notem bem, eu, que tinha uma visão horrorosa deste ano, já começo a imaginar até um crescimento POSITIVO do PIB (até 1%). Porém, mais do que nunca, devemos olhar menos para a macroeconomia e muito mais para a MICROeconomia, pois será um crescimento bem irregular.

Devem ser perdedores setores e cadeias ligados à exportação de manufaturados para países ricos (que estarão mais pobres) e o de máquinas & equipamentos (porque os investimentos continuarão anêmicos). Vencedores? Hum…alimentos, eletroeletrônicos, celular, automóveis (será?), petróleo (se Deus quiser)…enfim, tudo aquilo que é iminentemente doméstico.

Abraços, F.

Caros – eu nunca vesti a carapuça de “pessimista”, nem mesmo nos dias em que dizia que os piores dias estavam à nossa frente. Era realismo puro e, lamentavelmente, eu estava certo.

Agora, o meu novo cenário é de que, finalmente, o pior já passou no Brasil.

Este post da Miriam Leitão mostra uns gráficos interessantes sobre a indústria e o comércio. Vale a visita.

O emprego também melhorou, conforme previsto no mês passado pelo Ministro Lupi – que eu havia chamado de “vidente”, lembram? O movimento ainda é discreto, tímido, mas parece-me que é tendência, o que é positivo (mesmo continuando tímido).

Como estamos vivendo uma retomada em função de ajuste de estoques na economia, não veremos grandes arrancadas, afinal, não há crescimento global nem crédito vigoroso aqui dentro.

Mas estou confiante que iniciamos um círculo virtuoso. Espero estar certo de novo.

Com meu abraço, F.

Olá, após algum sumiço (semana dura…), estou de volta com um reflexão muito relevante: A REACELERAÇÃO DA ECONOMIA GLOBAL E BRASILEIRA.

O Brasil vinha crescendo muito por algumas razões:

  1. O comércio internacional estava à toda e os preços das commodities nas alturas – não mais.
  2. O crédito bancário internacional (e local) está muito ofertada e barato – não mais.
  3. O fluxo de capitais para investimento vinha para os mercados emergentes (como o Brasil) a rodo – não mais.

Quanto ao item 3, vejam o gráfico abaixo, diretamente do blog de Brad Setser. Leiam o post completo aqui.

PS: os fluxos de capitais caem mais vertiginosamente do que o fluxo comercial.

Concluo com o seguinte:

  1. O mundo rico está com problemas crônicos em vários fronts, e.g. sistema bancário em coma, estado econômico depressivo, índice de confiança do consumidor nulo, etc. Nós não temos nada disso.
  2. Nosso problema CONJUNTURAL é de reorganização da economia após o choque de Set 15. O nosso desafio ESTRUTURAL será conviver com um crescimento menor, pois os fluxos de capitais, de crédito e comercial serão muito menores do que no passado.
  3. O Brasil sairá desta crise MENOR PIOR DO QUE OS OUTROS.

Chegou a hora do Executivo e do Congresso colocarem a mão na massa e executarem as reformas estruturais devidas, pois do contrário voltaremos a ter um crescimento europeu (1%, 2% a.a.), enquanto que a Ásia crescerá 5% a.a.

Abraços, F.

Olá – eu ia escrever sobre câmbio, exportações e assemelhados, mas após ler com atenção o Estadão de  hoje, fui tomado por irresistível desejo de escrever sobre o consumo das famílias – importantíssimo elemento da demanda agregada da economia e, portanto, peça fundamental para o crescimento econômico.

Começo por meu próprio exemplo – ontem, dia 29 de novembro, eu comprei a minha primeira TV de tela plana (uma Toshiba, 37 pol., LCD). Eu devia ser o ÚNICO alto executivo do Brasil que não tinha NENHUMA TV de plasma ou LCD. E não é que faltem televisores na minha casa (somos uma família de 5 pessoas). É que até bem recentemente todos os aparelhos funcionavam  bem o suficiente. Para que trocar, então?  Bom, o aparelho do meu quarto perdeu a qualidade e então motivei-me pela troca.

E o pagamento? Logicamente, à vista! Mas com todos os descontos que a boa negociação em dias de crise permite. Mas sem cair no ridículo que alguns praticam, num processo que mistura auto-humilhação e ameaça ao vendedor.

De volta ao jornal de hoje: a página 11 do caderno B de Economia está impagável. Não sei se o Editor fez de propósito, mas ela traz apenas duas matérias: uma entrevista da correspondente internacional (na China) Cláudia Trevisan e a tradicional coluna do lendário jornalista econômico Alberto Tamer. Quanta disparidade num espaço tão pequeno!

O entrevistado foi o economista Michal Pettis, professor da Universidade de Pequim, que escreveu VERDADES, como:

  • “O excesso de produção da China era consumido pelo excesso de demanda americana”
  • “Havia certo equilíbrio [na equação acima], mas ele era insustentável”
  • “O consumo privado nos Estados Unidos não vai aumentar”
  • “As famílias precisam poupar mais e consumir menos”

Já a coluna do senhor Tamer, apesar de nos dar uma boa dica de consulta ( www.time.com/mail_of_america ), concluiu da seguinte forma:

  • O que resta? Esperar que o consumidor americano siga comprando e consumindo cada vez mais, gastando USD 13 trilhões por ano [nde: equivalente ao PIB americano]. Assim, eles poderão continuar importando dos países que, ameaçados pela recessão, não tem mais para quem vender o excesso do que produzem”

Deus meu! Parece comentário de Mesa Redonda de futebol, de final de domingo. Virou torcida! E já que comparei economia com futebol, a fala dele é equivalente a esta abaixo, muito minha:

  • O que resta? O Santos FC ganhar hoje do Atlético e domingo próximo do Náutico, torcer contra todos os 12 clubes que estão na nossa frente na tabela do campeonato, para sermos campeões”

Desculpa Fernando “Santista Roxo”  Blanco, mas fica pro ano que vem, tá bom? Afinal, é matematicamente impossível o Santos FC sequer se classificar para G-4 da Libertadores, quanto mais ser campeão! O mesmo vale para a “análise” (i.e. torcida) econômica do articulista. É impossível que o americano compre/consuma USD 13 trilhões por umas 10 razões irrefutáveis que não tratarei neste post, mas que ele deveria bem saber. OK, darei a dica da mais óbvia: FALTA CRÉDITO!!!

E o jornal de hoje segue em frente com o caderno. Aliás, trazendo a reprodução de um artigo, publicado no The New York Times, escrito por Stephen Roach, chairman do conselho do Morgan Stanley para a Ásia. Apesar do Sr. Roach ser “sócio” da imensa crise que vivemos, pois é um senior officer de uma instituição-chave do capitalismo financeiro internacional, ele escreveu um artigo perfeito. Destaco:

  • O título da matéria: “Depois da orgia do consumo”
  • O subtítulo: “Os americanos precisam economizar”
  • “Eles [os americanos] não precisam de mais uma TV de tela plena fabricada na China”
  • “…aquela estratégia [consumir demais e se endividar demais] fracassou por completo”
  • “Não surpreende que o consumo tenha caído de forma tão acentuada”

Olha, não tenho nenhum prazer em tripudiar em cima do jornalista, mesmo tendo ele sido de uma infelicidade só comparavel com outros artigos dele mesmo. Nestes, mais antigos, sua frase favorita era “o pior já passou”, ou “os EUA estão prontos para dar a volta por cima e comandar a virada…”.

Ora, viés tem limite. Otimismo tem limite. Se eu, que “cismei” – desde o início – que a crise é séria for levado a sério pelos meus 15 leitores não fará muita diferença no agregado. Mas alguém que conta com espaço nobre num jornal de tamanha circulação… é inaceitável.

Mas pior mesmo é o Presidente Lula que vem num discurso irresponsável de “não parem de consumir”. Eu não sigo o “conselho” dele. Presidente algum deveria jogar gasolina na fogueira, instruindo que os menos favorecidos (que o escutam) sigam para o abatedouro do endividamento é… francamente… Deixa pra lá.

Tem que gastar quem pode gastar, quem tem poupança para enfrentar a adversidade, quem tem emprego minimamente estável, renda adequada para o gasto, pouca ou nenhuma dívida. E fecho com o exemplo dos…americanos: sim, eles mesmos! Acordaram e agora, nos EUA, só está vendendo a loja que oferece mega descontos.

Abraços, F.