Olá, o tema do crescimento do PIB em 2009 gerou alguma controvérsia. E com justiça, pois o tema é complexo (i.e. ninguém sabe, tudo mundo acha).

Já Paul Krugman advoga a tese de que todo processo de depressão costuma ser interrompido por alguns ‘suspiros’ de aquecimento. Estas aparentes recuperações são seguidas de mais queda do produto. Vejam este post dele.

Será que é isso que estamos sentindo por aqui? Vários índices estão sinalizando que a economia começa a se recuperar – ainda que timidamente -, mas será que em breve teremos mais deterioração? Não gostei da fala do Henrique Meirelles…soturno demais, especialmente para alguém do governo, que tende a esbanjar confiança.

Eu continuo achando que tendemos a um crescimento entre zero e + 1% do PIB, ainda que sem crescimento relevante do nível de emprego e com consideravel nível de inadimplência.

Ainda no campo do desemprego, achei no blog da Miriam Leitão este gráfico – atribuído ao Bradesco. Não entendi bem o milagre, mas o Bradesco acredita que mesmo com o Brasil crescendo ZERO % este ano, o país gerará 300 mil empregos em 2009.

Tomara II, A Missão! Abs, F.

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Como assim? A sociedade está dando o primeiro – e mais importante – passo: reduzir a demanda por crédito. A conclusão é minha, mas dados são da SERASA. Se coletivamente reduzirmos a demanda por crédito, o spread cai. É garantido! Ainda que isto aconteça pela razão errada, i.e. economia em recessão.

Comento outras duas notícias: (a) a SERASA também informa que a inadimplência está em alta e eu reforço: cuidado com as suas vendas a prazo! (b) O desemprego parou de aumentar: no mês de fevereiro, tivemos um incremento de 20 mil empregos com carteira assinada – é nada perto dos 700 mil que desapareceram entre dezembro e janeiro, mas é um bom sinal.

Abraços, F.

É tarde da noite e irei dormir chateado com as notícias de desemprego, aqui e no mundo todo. Se nos países desenvolvidos (socialmente falando) a turma se defende com o seguro-desemprego, por aqui ele é sofrível.

Mas o desemprego mexe com as pessoas de uma forma covarde. Digamos que o bolso “furado” é apenas a parte mais visível e óbvia, mas e a cabeça? A auto-estima? O fim (ou atraso) dos sonhos? A insegurança? A educação e bem estar dos filhos? E dos idosos?

Enfim, recordes de desemprego se acumulam e não respeitam fronteiras. No Brasil, a ‘marolinha’ evaporou 100 mil empregos (líquidos das contratações) em janeiro, segundo as notícias da noite – e estes 100 mil somam-se a 500 mil que se foram em dezembro! Recentemente, foi noticiado que o desemprego chegou até ao poderoso Vale do Silício americano, dominado por gigantes lucrativas como Google, Microsoft, entre outros.

Os pacotes de estímulo governamentais estão focados em…nada…pois estão distribuindo dinheiro (e evitando de recolhe-lo através de impostos) através de muitos canais. Acho que não funcionará.

A chave para a solução deste processo chama-se CRIAÇÃO DE EMPREGO. Tem mais valor que deduzir impostos, devolver imposto, apoio para o seguro de desemprego, etc. E por que:

  1. Enquanto o cidadão está sem emprego ele está sem CONFIANÇA. Lembram-se dos posts do final de semana?
  2. Enquanto o cidadão está sem confiança ele não CONSOME. Prefere POUPAR e PAGAR DÍVIDAS.
  3. Enquanto o cidadão está sem emprego ele não consegue CRÉDITO.
  4. Em suma, cidadão sem emprego não faz a ECONOMIA REAGIR.

Mas este post foi motivado pela notícia que a Embraer irá demitir (ou já demitiu) 4.000 funcionários (algo como 20% dos funcionários da empresa). Uma catástrofe social, em especial para as cidades ao redor de S.J.dos Campos e de Gavião Peixoto (ambas no estado de SP).

Lula – vindo de onde vem, não me surpreende que nosso Presidente tenha ficado indignado com a diretoria da Embraer. Pior que ser convocada para tomar um pito no Palácio do Planalto – como deve acontecer -, será ficar ouvindo Lula falar mal desta decisão, em todos os fóruns empresariais que ele participar. O Roger Agnelli, CEO da Vale, que o diga… lembram-se do massacre que ele sofreu por conta das demissões anunciadas em dezembro último?  No fim, as tais demissões nem foram tão grandes e até foram revertidas, até onde me lembro, mas o homem ficou marcado…pelas pancadas que levou do Homem.

Capitalismo financeiro – quando a empresa vai mal, sem expectativa de vendas, eu acho que o empresário tem obrigação de demitir parte da sua força de trabalho, até para preservar os empregos da maioria. Afinal, se a empresa quebrar, os demais perderão seus empregos também, sem falar na desorganização coletiva em sua cadeia de valor (e.g. fornecedores que quebram também, mais desemprego, etc.).

Esta argumentação cheira bem de “direita”? Aprumando mais para a esquerda, lembro:

  1. Empresas de capital fechado – que não precisam dar satisfação para a bolsa, para analistas de mercado, para fundos de private equity, etc. – tendem a ser mais humanistas na hora de demitir. De que estudo tirei essa idéia? Da minha extensa observação das justificativas para as demissões de companhias abertas.
  2. Mas atenção: fechar capital inibe captações financeiras mais baratas!
  3. Quando eu era bem mais novo, as empresas pensavam duas vezes antes de contratar e outras duas vezes antes de demitir. O que mudou? (a) o capitalismo financeiro, em que as empresas precisam provar que são eficientes o tempo todo (do contrário as ações caem e o crédito fica escasso), (b) o capitalismo acelerado, em que tudo, sempre, tem que acontecer rápido. Não se pode “não se ter uma visão clara do futuro” – o futuro é hoje.
  4. O lucro passado (do ano passado que acabou de se encerrar) não serve para mais nada, pois o nome do jogo é EXPECTATIVA DO LUCRO FUTURO. OK, o lucro passado ainda serve como refernência para a distribuição de dividendos e participação dos lucros. Talvez a tal história da bolsa antecipar o futuro tenha ido longe demais. Antes, quando as empresas tinham lucro elas acumulavam caixa também, e se seguravam antes de demitir ou partir para voos arrojados. Hoje, elas cortam hoje, já investem pesado amanhã….e se precisar demitem todo mundo de novo.

Notem que não estou defendendo uma nova era de ineficiência econômica. Mas ninguém pode incentivar um “Capitalismo ABC”, i.e. ‘acelera-breca-corta’, na velocidade como este que vivemos há um década, mais ou menos. É muita instabilidade!

Mas como reduzir esta aceleração perniciosa? Será coisa de governo? Fechar o capital nas bolsas seria uma boa alternativa? Volta ao passado, talvez…será que a minha teoria do pêndulo provar-se-á correta de novo?

Super Lupi – enquanto isso, um personagem que ganhou espaço na Esplanada dos Ministérios é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. O sujeito é uma fera. E possui um imã gigante para atrair microfones! Ele é muito energético e não importa o vetor da notícia (“Brasil Crescendo” ou “Recorde de Demissões”), pois o  sua incansável verve o permitirá fazer um discurso. Hoje, ele apresentou uma nov competência: a visão, a vidência, o terceiro olho, a capacidade de ver o futuro (próximo!). Veja o que diz a sua Bola de Cristal –a virada do emprego é pra março”!

Vamô sair comprando, aí gente!!

É isso. Vou dormir chateado…tá virando hábito! Abraços, FB

O que dizer de uma semana que começa como esta:

  • A FIESP fala em 130 mil demissões na indústria paulista em 2008 – e na Globonews, o diretor Paulo Francini me pareceu realmente preocupado. O baque na indústria foi tão forte que o setor acabou o ano com menos empregados do que que começou – e olha que o ano foi muito forte!
  • O Serasa nos mostra números péssimos: a inadimplência de novembro ’08 vs ’07 aumentou a bagatela de 28%!! E o valor médio das dívidas bancárias não pagas também aumentou: 7%.

Naturalmente, esses números só irão piorar neste primeiro trimestre. As empresas viraram o ano estocadas, sem necessidade de produzir, até porque a demanda também caiu. E o caixa está apertado para todo mundo (e o crédito escasso). Isso vai gerar mais desemprego e este irá alimentar a inadimplência.

Este círculo vicioso só terá fim quando:

  • Ações de estímulo à produção e ao consumo fizerem efeito – e isto é com o governo
  • O crédito voltar a irrigar a economia real (empresas e famílias) – e isto é com o governo também, com os bancos estatais e finalmente com os privados (nesta ordem)

Coface – sabiam que a nossa seguradora registrou 122 avisos de sinistros em dezembro, contra uma média de 60 ao longo do ano? É outro indicador de quão ruim está o nível de atrasos nos pagamentos e a quebradeira na economia real.

É o fim do mundo? Por mais negativo que eu venha sendo – e acertando, infelizmente -, acho que estamos vendo o pico do processo de desemprego. As empresas precisam parar e ajustar as suas estruturas operacionais para o Brasil de…2006, talvez? Estimo que este processo vá até março. Isso gera comoção e uma grande desorganização na economia. Porém, em breve tudo se estabilizará, ainda que num patamar de produção e geração de riquezas mais baixos do que nos acostumamos nos últimos anos.

Calote – de qualquer forma, saiba que eu, você e todo mundo conviveremos com calotes inimagináveis. Aquela história do “eu conheço o meu cliente”...vai ter quebra grande, em vários setores. Quais? Não sei. Falo por experiência e lógica. Por que? Porque quero influenciá-los para que sejam cautelosos com crédito, só por isso!

Adiantamentos para fornecedores, construtoras, fabricantes de máquinas e similares são decisões de alto risco neste momento.

E lá fora – 70 mil anúncios de demissões. Até o meu ex-querido empregador ING, da Holanda, anunciou 7 mil cortes. Lá fora está pior que aqui, sem dúvida.

Chega por hoje…muito negativismo!

Abraços, F.

“Não dá para o governo brasileiro investir bilhões, colocar dinheiro público para ajudar as empresas a saírem de dificuldades e elas continuarem demitindo. Ou essas empresas assumem o compromisso de não demitir ou o governo terá que refazer as linhas de financiamento”, disse Lupi.

Esta foi a reação do Ministro do Trabalho Carlos Lupi, veiculada em cadeia nacional ontem. Ele está errado tecnicamente, mas estará certo moralmente?

I. O Governo:

  1. Governo algum do mundo conseguiu minimizar os efeitos da crise, não obstante os enormes, complexos e abrangentes pacotes de salvação e/ou dinamização econômica.
  2. O nosso governo minimizou a importância de alguma coisa neste processo. Será que foi o tamanho da crise? Será que foi a velocidade com que esta chegaria por aqui? Será que foi com a própria vagareza que a máquina pública se mexe? Será que…etc.!
  3. Aí vem a questão política: “Mas nós emprestamos dinheiro público, abrimos mão de impostos, facilitamos isto e aquilo, e os empresários ainda demitem os trabalhadores! Assim não dá, assim não é possível”…

II. A ótica empresarial:

As dificuldades por que passam as empresas brasileiras, assim como uma eventual solução para tal, vão muito além do que possam sonhar eu, você, o governo todo, a mídia toda, etc.

Uma crise desta – por conta da peculiaridade da redução da oferta de crédito – gera uma DESORGANIZAÇÃO SISTÊMICA, que complica e limita sobremaneira os efeitos de qualquer tipo de ação microeconômica (e.g. reduzir o IPI dos carros, empréstimos de reservas do BC, etc.).

 Ou será que nossos empresários resolveram parar de vender? E de exportar! Ou será que eles é que resolveram parar de tomar crédito?

Olhem a nota abaixo, do Valor online de ontem:

Lupi quer vincular crédito oficial à manutenção de emprego

BRASÍLIA – O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, vai sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os bancos oficiais passem a exigir a manutenção de empregos como uma das condições para a liberação de crédito às empresas. Ele criticou duramente setores que receberam benefícios fiscais, como as montadoras de veículos, e mesmo assim estão demitindo. “O governo está dando isenções vultosas de impostos e abrindo investimentos para salvar algumas empresas, então não é justo que elas continuem demitindo”, disse Lupi.

Uma empresa padrão, neste momento, sofre dos seguintes males:

  • Falta de demanda
  • Excesso de estoques
  • Crédito reduzido e caro

Ou seja, a situação é tão dramática, que o fato do governo abrir os cofres dos bancos públicos para emprestar dinheiro a uma empresa com o perfil acima, não significa que isto irá resolver os problemas dela! Ajudar, isto a ajuda a não quebrar já…e só! Se a empresa não vai vender – porque o país parou – e não vai gerar caixa, ela tem de reduzir custos (todos!) e rápido, do contrário nem conseguirá pagar as linhas de crédito que acaba de obter do BB , CEF, BNDES, etc.

Aí, vem outra frase ‘complexa’ do ministro:

“Não é uma atitude inteligente do empresário, que obteve altos lucros nos últimos anos, não distribuiu esses lucros ao trabalhador, e agora penaliza o trabalhador”, prosseguiu o ministro.

Questão complicada, não é?! Por partes:

  • Não há governo do mundo que conseguiria analisar empresa por empresa, para determinar quais foram ‘gulosas’, quais foram ‘frugais’, etc.
  • Funcionamento do jogo capitalista: a empresa ganhou dinheiro em 2006, 07 e parte de 08; achava que o mundo continuaria cor-de-rosa (como dizia o Presidente Lula até outro dia); contratou mais gente;  investiu (e até se endivida por isso); distribui dividendos e participação nos resultados para executivos e funcionários conforme a lei permite, etc. Algum erro até aqui? Não.
  •  Aí vem uma crise, paralisa a economia mundial, falta crédito para a empresa e…ela quer reduzir custos, mas o governo acha que ela não pode demitir porque o governo a ajudou e…

Existe uma linha tênue entre o moral e o técnico, que eu deixo para cada refletir a respeito.

De qualquer forma, acho impossível que os bancos estatais possam incluir uma cláusula de “não-demissão” nos empréstimos que venha a fazer.

Querem outra visão sobre o tema? Abaixo texto do Gilberto Dimenstein, da Folha de SP.

O ministro e a mentira do emprego

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, transformou seu cargo, no ano passado, numa festa de boas notícias. Periodicamente, ele mostrava, orgulhoso, o aumento do emprego e seus recordes, como se fossem uma obra do governo –o que, significava, por tabela, também sua vitória pessoal. O que é, obviamente, uma ilusão de marketing.

A ilusão aparece agora quando diminuiu, para dizer o mínimo, a festa dos anúncios. Qual é agora a reação do ministro? Culpar as empresas. Ele defende que, em troca de apoio oficial, as empresas se comprometam a não demitir. O governo era responsável pela boa notícia, mas nada tem a ver com a má notícia.

Assim como as empresas não eram moralmente boas porque contratavam –fazem isso porque contratar significa mais lucros -, elas não demitem porque são “ruins”, mas apenas porque precisam balançar suas contas.

Uma das melhores posições que o governo poderia ter para garantir o emprego, além de gastar menos e melhor para reduzir impostos e sobrar mais recursos ao investimento, era defender a flexibilização das leis trabalhistas.

O que garante emprego é o crescimento econômico combinado com a melhoria da educação –e o que garante isso é o estímulo ao empreendedorismo e inovação. O resto é ilusão, como os anúncios do ministro.

Neste tipo de assunto, bravatas e ameaças sem fundamento lógico não resolvem. Acho que gerou-se muita tensão, para este que foi apenas o primeiro de uma série de más notícias que virão. Por outro lado, fontes do governo indicam que em março tudo será diferente. Por que? É que as medidas recém tomadas começarão a surtir efeito. Ou não.

Abraços, Fernando

Olha, acabo de ler esta nota da Business Week. Vários economistas consultados sugerem que não é hora de estourar a champagne. Acreditam que o consumo irá enfraquecer, pois as estatísticas de desemprego estão em níveis muito elevados para os padrões locais.

Vamos monitorando + abraços,

Fernando

http://www.businessweek.com/investor/content/aug2008/pi20080828_330657.htm?chan=top+news_top+news+index_news+%2B+analysis