Foi um dia atípico, pois a bolsa subiu 3,3%, o que denota otimismo, e o dólar subiu para 1,80, denotando pessimismo (investidor saindo do país). Bom, de fato mesmo não há muito o que comentar, pois tais movimentos podem ter sido influenciados por fatores que não indicam tendência alguma! A bolsa pode ter sido influenciada por uns poucos papéis com alto peso no IBOVESPA, enquanto que o dólar pode ter sido alvo de alguma ação especulativas, como alguns dizem.

Que ninguém fique procurando tendência nas cotações de ativos financeiros, nestes “days of confusion” (Black Sabbath’s Seventh Star, com Glenn Hughes nos vocais).

A declaração que segue, de Mônica Araújo, da corretora Ativa, reforça o que digo: “A notícia trouxe um pouco de racionalidade para o papel (NDR: o papel é Petrobras) e o mercado voltou a olhar o fundamento, o que é muito bom”. Em outras palavras, racionalidade é o que menos se encontra no mundo da finanças – aqui e lá fora.

E como incerteza é a regra do jogo, divido com vocês duas opiniões absolutamente opostas. As duas no mesmo artigo + vídeo (link abaixo). As duas podem acontecer, pois tem gente inteligente acreditando nas duas visões. Seria fácil se pudessemos deixar que terceiros decidissem por nós – e corressem o risco por nós -, mas o mundo não funciona assim, i.e. nós temos que analisar e decidir.

http://www.businessweek.com/magazine/content/08_38/b4100022002840.htm?chan=top+news_top+news+index+-+temp_news+%2B+analysis

Boa leitura + boa decisão! Abraços, FB

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YOSHIAKI NAKANO
O que acontece na economia global?

 


O ano de 2008 deverá marcar o fim de um longo ciclo de duas décadas de expansão econômica global


OS PROBLEMAS enfrentados atualmente pela economia mundial -a crise financeira do “subprime”, que está desencadeando uma contração global de crédito, a deflação dos ativos financeiros, a desaceleração econômica nos EUA e a recessão na Europa e no Japão- não são fenômenos passageiros e conjunturais. O ano de 2008 deverá marcar o fim de um ciclo de 20 anos de expansão econômica global. Não se trata apenas da crise do “subprime” e seus desdobramentos, mas do esgotamento de algumas das forças que vinham comandando o longo ciclo de crescimento global.
Esse ciclo se originou nas poderosas forças dinâmicas geradas pela mudança de paradigma tecnológico, ou seja, as novas tecnologias de informação. Esse ciclo foi fortemente alavancado pela tendência, que vinha de antes, de forte expansão do crédito, impulsionada pelas inovações financeiras, pela integração global dos mercados financeiros e pela invenção dos mercados emergentes. Isso ocorreu com crescente fragilidade, com a retração dos órgãos de controle e de regulação. Essas forças foram tão poderosas que podemos falar em crescimento econômico impulsionado pelas inovações e especulação financeira e dominância do financeiro sobre o lado real da economia e de sua hegemonia política. Essa expansão teve seu auge com a bolha da Nasdaq.
Além de alavancar o crescimento econômico mundial, essa expansão de crédito gerou um quadro de excessiva liquidez global, inflação de preço de ativos, bolhas financeiras e taxa real de juros de longo prazo extremamente baixa. Gerou, de um lado, a aceleração do crescimento de países como a China, a Índia e outros do leste da Ásia. O sucesso da estratégia desses países foi tão vigoroso que provocou uma mudança na estrutura dinâmica da economia mundial, deslocando o pólo de crescimento para essa região.
De outro lado, essa mesma expansão global de crédito provocou a semi-estagnação e sucessivas crises financeiras em países com fragilidade institucional e que privilegiam o presente em detrimento do futuro, como o Brasil. Tivemos booms de entrada de capitais, com pequenos surtos de crescimento puxados pela expansão de consumo, mas seguidos de paradas súbitas e crises, como ocorreu em 1995, 1997, 1998/9 e em 2001/2. Desde 2004, estamos tendo um surto mais prolongado, mas que, aparentemente, já chegou ao seu final. A manifestação maior e mais longa desse último tipo de fenômeno se deu nos EUA com a bolha imobiliária, que alimentou forte expansão de consumo e déficits gigantescos nas suas transações correntes. A crise do “subprime” estoura a bolha imobiliária em 2007 e desencadeia profunda crise de contração global de crédito que já estamos sentindo com a saída de capitais, o colapso da Bolsa e a depreciação do real.
Do ponto de vista institucional, a economia global viveu sob a hegemonia absoluta do dólar e da política americana, o que dava um senso de estabilidade. Isso também está sendo questionado com a desastrosa gestão Bush e a literatura econômica, que passou a revelar “os privilégios exorbitantes” do dólar como moeda de reserva, marcados pelo domínio da economia americana.


YOSHIAKI NAKANO, 62, diretor da Escola de Economia de São Paulo, da FGV, foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo no governo Mario Covas (1995-2001).

Dois dias sem blogar…

Tornei-me um serial blogger e sinto falta quando não o faço, mas não posso reclamar, pois venho de dois dias de muitas emoções e realizações. Eu e colegas da Coface – daqui e do exterior – estávamos no Rio de Janeiro para concluir a aquisição da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE). A SBCE tem 50% de participação de mercado e a Coface assumiu o controle, com 75% do capital e a gestão da empresa. Os demais sócios são Banco do Brasil e BNDES.

Back to the blog: o humor do mundo mudou ontem de novo e aqui no Brasil só se fala da crise. Lamentavelmente, tal falatório acontece fora de hora e pelas razões erradas. Acontece que a mídia (local e internacional), como de hábito, só reage, i.e. só fala em crise, quando as bolsas de valores – sempre elas – derretem. Aí, os motivos alegados para tal queda tornarem-se manchetes. Só que os sinais já estavam todos dados e ninguém ligava!

Para estragar o humor dos normais e excitar os masoquistas (e short sellers), destaco abaixo um pout-pourri de más notícias para reflexão de final de semana.

1. A UNCTAD fala de desacelaração econômica – mais um pitonisa do caos:

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200809041505_AFP_77385244

2. As bolsas derretem porque (finalmente) enxergaram que o mundo estará em recessão:

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200809051019_BBB_77387439

3. Nouriel Roubini, o Nostradamus econômico do século XXI, e meu guru, prova e comprova suas previsões:

http://www.rgemonitor.com/blog/roubini

4. A OCDE reforça que o mundo desenvolvido cresce abaixo do que devia:

http://www.oecd.org/dataoecd/0/51/41229145.pdf

Por aqui vai tudo bem, mas eu repito a ladainha:

1. Quando (e não se) e em que extensão seremos impactados pela desaceleração internacional?

2. E quão grave será a retração do crédito no Brasil quando a economia desacelerar, machucando os neo-endividados?

Abraços, FB

A semana será quente aqui na Coface, i.e. menos posts no Blog do Crédito…

O link abaixo traz uma polêmica entrevista que o ministro das finanças do Reino Unido (que muitos insistem em chamar de Inglaterra), o escocês Alistair Darling, deu para o jornal The Guardian. Veja o link: ele toca fogo nas perspectivas econômicas da Ilha. Junto com França, Alemanha e Espanha – só para citar os mais relevantes -, não há muito do que se esperar da Europa.

Aliás, causa-me espanto a forma pouco profunda que a mídia brasileira – e seus analistas regulares – vem dando à situação econômica internacional. Primeiro, foi a catarse coletiva com o crescimento econômico americano no segundo trimestre: jornalistas importantes e veteranos como Celso Ming, C.A.Sardenberg e Alberto Tames prefiraram louvar a “incrível capacidade da economia americana de surpreender e reerguer-se”, quando nem os mais ufanistas economistas americanos foram capazes de comemorar o citado crescimento, como fizeram os brasileiros. Depois é o maior desdém com a fragilidade econômica de Japão e Europa…

E viva o Brasil “blindado”!

Boa leitura + abraços, F.

http://www.guardian.co.uk/politics/2008/aug/30/economy.alistairdarling

A coisa está mais feia do que parece. A minha Coface, que monitora risco país no mundo todo – com um “certo expertise” na França -, há seis meses tinha confiança que França e Alemanha estavam com economias sólidas.

Hoje – ver link abaixo – saiu a notícia que o PIB francês recuou 0,3% no segundo trimestre. Já sabíamos que o Reino Unido está num drama similar – ou pior – que o americano, pois também está em pré-recessão e com inflação de 10%. A Espanha, Portugal e os poucos expressivos países do Báltico já estão mal faz meses.

Atenção, muita atenção…Abraços, F.

http://br.noticias.yahoo.com/s/14082008/40/economia-pib-da-fran-cai-0-3-no-segundo-trimestre.html

Mais um post dedicado para os OCP’s (Otimistas Comprados de Plantão).

O U.S. Census Bureau divulgou números fracos do consumo – leiam o link abaixo do International Herald Tribune. O blogdocredito foi ao site do Instituto e comprovou que em julho vendeu-se menos em junho, algo incrível, pois lá também tem inflação ascendente e julho é mês de viagens, jardinagem, etc.

Enfatizo: só por que não tivemos mais manchetes de quebra de grandes bancos, assim como – sabe Deus porque… – o país ainda não entrou em recessão técnica, não significa que não há uma crise séria em gestação.

Abraços, F.

http://www.iht.com/articles/2008/08/07/business/08retail.php

Este post é dedicado para aqueles que acham que “o pior já passou”

Agora que as commodities sofreram um reajuste técnico, já tem um monte de “analistas” animados!! O buraco é bem mais embaixo.

Abraços, F.

http://www.businessweek.com/smallbiz/content/may2008/sb2008056_484858.htm?chan=search

http://www.businessweek.com/smallbiz/running_small_business/archives/2008/08/more_on_the_cre.html