Semana passada eu conversei com dois empresários de médio porte, que são atendidos por plataformas de Middle Market. Os dois têm ótimos produtos, mas sempre foram gerenciados de forma amadora. Agora se profissionalizaram, mas a contabilidade ainda não reflete a nova gestão – isso demora pelo menos 1 ano.

Estão precisando de crédito. Um teve uma oferta a 1,7% a.m. e o outro a 1,65% a.m. Isto significa 22% a.a., ou um spread de 12,5% a.a. Notem que eles pagam 2,5 vezes a SELIC – daí a minha eterna luta para que se discutisse o spread e não mais a SELIC.

De acordo com o Relatório do Banco Central, os juros médios para as empresas estão em 28,5% a.a., i.e. meus interlocutores, ao pagarem 22% a.a., pagaram um tantinho abaixo da média (que inclui pequenos varejistas, nano-empresas, etc.).

Podem pagar menos, mas precisarão se apresentar melhor para os bancos, estruturando-se melhor para isso.

Abraços, F.

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Prezados, o amigo do Blog Alex me instigou a pesquisar mais sobre a questão do crédito para empreendedores, ou melhor, para projetos ‘start-up’, que ainda não existem além do projeto em sí. Como disse a ele, é muito difícil alguém conseguir crédito no Brasil para uma empresa nesta “faixa etária”. É muito mais fácil conseguir um crédito “na PF”, só que este será caro e curto, i.e. de alto risco para o devedor-empreendedor, que precisa do dinheiro até o seu projeto se estabilizar financeiramente.

Dentre os bancos, só os estatais tem algum apetite para o Empreendedor: BB, CEF, BNDES, BASA, BNB, etc.

Enfim, segue abaixo uma série de links que eu julgo importantes para quem tem interesse em empreender, mas não quer (ou não consegue) se endividar. Há múltiplas formas de se capitalizar e inciar o seu negócio, mas nenhuma delas é fácil, todas são demoradas e demandam projetos absolutamente fundamentados.

Caprichem + sucesso! F.

http://www.anprotec.org.br/

http://www.sebraesp.com.br/

http://www.sebrae.com.br/paginaInicial

http://www.endeavor.org.br/

http://www.fapesp.br/

http://www.abvcap.com.br/

http://www.finep.gov.br/

http://www.fgvsp.br/cenn/

Como eu gosto desta palavra! É do empreendedorismo que vem a inovação, a renovação empresarial, a geração de empregos. Não existe grande grupo econômico que não tenha começado no quarto dos fundos, ou na garagem, de um empreendedor.

E a vida dessa gente é dura, especialmente no Brasil. A confusão fiscal, a carga tributária, as leis trabalhistas…mais o crédito restrito e os juros altos. É neste último trecho da frase que eu entro.

Já de alguns anos eu venho tentando, humildemente, colaborar com esta causa, dividindo minha experiência sobre como empresas podem melhorar seu relacionamento com bancos. Antes mesmo deste blog entrar no ar, eu “me convidei” e fui aceito como Voluntário Mentor do Instituto Empreender Endeavor. O Endeavor é uma obra de Deus. É gerido por um grupo de jovens (sim, de 20 e poucos a 30 e poucos anos) brilhantes, apoiados por um Conselho formado pelas maiores autoridades empresariais do país. E para completar, tem gente como eu que os apóia no trabalho de capacitação dos chamados Empreendedores Endeavor, i.e. empresas que são formalmente apoiadas pelo Instituto.

Os últimos meses têm sido bastante ativos, com mentoring individual, palestras e ontem participei de um debate, lá no auditória do IBMEC. Casa cheia. Fantástico. Estive ao lado do André Rezende, da Prática Technocook, empreendedor de sucesso, e do Marcelo Nakagawa, atualmente Pesquisador da USP e professor da FIA, mas também ex-bancário e executivo de fundos de investimentos. Discutimos, entre nós e com centenas de empreendedores (e candidatos a), como estas empresas podem levantar recursos, seja em bancos, via capital de risco ou a fundo perdido (FINEP, FAPESP, etc.).

Heróis – conforme escrevi acima, os empreendedores, como o André Rezende, são verdadeiros heróis. O que me incomoda, é que nosso país produz uma infinidade de mártires para cada herói. E a proposta do Endeavor – assim como a do SEBRAE – é reduzir a mortalidade empresarial, aquela que acontece nos primeiros 2 anos de vida da empresa.

Saber lidar com as finanças e em especial com as dívidas é parte deste esforço. Falaremos mais sobre isso neste espaço.

Abraços,

Fernando

Caros – apesar de hoje só ouvirmos falar em trilhões, o mundo se move mesmo através dos milhares e uns poucos milhões dos empreendedores. E eu achei um post muito legal no blog tellESFERA, do Camilo Telles, sobre o tema.

Está em inglês, mas vale a pena conhecer os 13 passos propostos por Paul Graham, fera do assunto.

Abraços e bom domingo! F.

Conforme discutimos nos dois posts anteriores desta série, a coisa é simples, não dá para errar, certo? Então por que bancos e empresas não se entendam e com tamanha frequência?

Vejamos agora os casos clássicos de “indigestão” creditícia que venho encontando pela vida:

1. Início de operações: apesar do bom senso dizer que não se usa crédito bancário nesta fase, o empresário usa seus limites na pessoa física, incluindo o cheque especial! 

2. Capital de giro: apesar de ser uma necessidade estrutural da empresa, muitas se utilizam da linha emergencial Conta Garantida, que é muito mais cara.

3. Expansão/aquisição: apesar do ativo adquirido dar retorno em vários anos, a empresa se financia em prazos curtos de 90, 180, 360 dias, tendo um grande descasamento de prazos.

4. Comércio exterior: apesar de poder se financiar em dolar, a custos mais baixos, PMEs costumam se financiar em reais, que é mais e, portanto, tira a competitividade da exportação.

Este descasamento de prazos nas operações Ativas e Passivas inviabilizam negócios e empresas. E não há um culpado único nestes casos. Já vi muito gerente e banqueiro induzir o empresário a tomar a linha errada – por temor de alongar o prazo do empréstimo, mas isto apenas empurra a empresa para o penhasco! Também já vi muito empresário ser descuidado e outros que diziam “não gosto de banco” (e por conta disso só tomavam linha curta – e errada).

A solução é complicada, pois as duas partes têm que caminhar um bom bocado. Já sabemos que linhas de longo-prazo são de maior risco para o banco e este vai demandar muita explicação sobre o uso do dinheiro, além de analisar a empresa de cima a baixo. Quem não estiver preparado para enfrentar esta diligência não conseguirá a linha mais adequada.

Da mesma forma, certas linhas nobres, como BNDES e as de comércio exterior, são extendidas apenas para clientes igualmente nobres. Cabe a você empresário, portanto, valorizar o seu negócio junto à comunidade financeira. Tipo, “Se não me derem o ACC, eu mudo a folha de pagamento dos meus funcionários para o Banco Z que já me ofereceu esta linha”.

Como você bem sabe, o ‘o ecossistema do crédito’ favorece problemas ‘alimentares’, então é bom saber quais são os anticorpos necessários para o seu organismos bem digerir o consumo de capital bancário:

1. Educação Creditícia: conhecer suas necessidades de crédito e o que há disponível.

2. Foco: não deixe a função Crédito se a sua última prioridade, pois quem pede linha de crédito em cima da hora, paga caro – e muitas vez nem as consegue. Observe também se o seu gerente tem competência e/ou interesse em lhe oferecer o produto adequado.

3. Capacidade de negociação: saiba valorizar os negócios que você gera para o banco. Negocie forte, coloque pressão (via concorrência).

Espero ter ajudado. Mas gostaria muito de ouvir histórias de empreendedores à respeito.

Abraços, Fernando

Boa noite,

Este é o primeiro de uma série de textos que escreverei, por conta das inúmeras vezes que encontrei empresas tomando linhas de crédito erradas para suas necessidades. A similaridade para com a ingestão de alimentos é enorme.

Não se come uma bela feijoada no café-da-manhã, certo? Igualmente, não é recomendável que se almoce um prato de amendoins, assim como jantar um pote de doce de leite apenas. Tem hora para tudo, sem falar nas quantidades adequadas.

Com o crédito é a mesma coisa: tem a hora certa (ou a fase em que a empresa se encontra) para se tomar cada uma das diversas linhas de crédito ofertadas no mercado, e sempre na medida adequada. Isto sob pena de inviabilzar o negócio e/ou infernizar a vida do empreendedor. No entanto, e com destaque para os pequenos e médios empresários, a maioria não capta a linha de crédito mais adequada para o seu negócio.

Exemplos e comentários:

1. Início de operações

  • Muita gente me pergunta qual a melhor linha de crédito bancário para se iniciar um negócio. Eu sempre respondo: o seu próprio dinheiro, seja ele poupado, herdado ou emprestado de um familiar tão querido, que não se importe muito se você não o pagar de volta. Parece piada, mas é muito sério.
  • Para a aquisição de equipamentos, máquinas e utensílios, o negócio é obter prazo com o fornecedor. Linhas de leasing, por terem a garantia do bem, são menos difíceis de se obter nos bancos.
  • E se o negócio tiver fortes elementos de tecnologia e inovação, vale a pena conhecer o www.finep.gov.br.
  • Linha de crédito bancário não é recomendado. Séro. O novo negócio, até por ser novo, é um ambiente de imensas incertezas, a começar pela geração de caixa no futuro, quando parte desta deverá ser utilizada para repagar o empréstimo tomado. 
  • Este processo, em geral, dá uma imensa dor de cabeça, certamente desfocando o empresário do seu negócio, i.e. são mais horas na frente do gerente do banco do que na frente dos clientes.
  • Se não houver outro jeito, tente o milagre supremo de conseguir uma linha de prazo mais longo, tal como um capital de giro parcelado de 1 ano (com alguma carência).
  • Se o negócio for uma franquia, tente, através do franqueador, uma linha que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciam ter para franqueados. Leiam o link abaixo e atualizem-se à respeito.

http://www.sebrae-sc.com.br/noticias/default.asp?materia=13585

É isso por hoje. Amanhã comentarei sobre capital de giro e outras necessidades. Abraços! F.

PS: pedõem-me, mas não como sei este ‘verde’ entrou, nem consigo tirá-lo. Dei uma negritada para melhorar a leitura…espero.

Olá,

O último post foi brindado com dois comentários – da Zailda e do Faber -, que originaram o título deste post. Abaixo, indico dois traços marcantes do nosso empresariado:

  1. O brasileiro tem uma essência empreendedora, pois é criativo, otimista, não desiste nunca.
  2. Mas o brasileiro, até pela sua capacidade inventiva  – e “inventiva” -, tende a desprezar importantes competências para o sucesso: disciplina, método, estudo (em geral).

A Zailda comentou que no Brasil poucos tem acesso à informação – VERDADE. E quando tem não a usam – TRISTE VERDADE. Tenho certeza que o empreendedor alemão, dinamarquês e autríaco enfrentam apenas 10% dos desafios que os brasileiros tem pela frente, mas ainda assim são mais detalhistas, planejados, etc., que os nossos.

Já o Faber comenta que o empresário, no fim das contas, acaba tendo que encarar os juros altos, etc. Graças a Deus que nossos empreendedores não se acovardam frente às suas imensas dificuldades, como juros altos, impostos altos, etc. É por isso que o país anda!

O drama é que poderiam pagar menos juros se fossem mais preparados. Eu sei que a vida é dura, que o empreendedor tem que abrir a loja/fábrica, produzir, vender, contabilizar, zerar o caixa e fechar a loja/fábrica. Exagero? Uma vez, quando fui palestrar na dinâmica Birigui, capital do calçado infantil, o Sindicato local me pediu que a palestra começasse à 18 horas – e não antes. Ao estranhar a precisão do horário, me explicaram que os empresários tinham que ‘fechar a fábrica’ e que isto aconteceria ao redor das 17:30. Foi um choque de realidade para mim.

Falta estrutura administrativa para o empresariado brasileiro. Tem o SEBRAE, tem a ENDEAVOR, tem o apoio que as instituições de classe oferecem. Só não se prepara quem não quer –  e não estou falando apenas de crédito, não. Isto vale para todo mundo.

Ah, mas o empresário não tem tempo. Puxa, mas não dá para contratar uns estagiários? Tem uma garotada super bem informada, capaz de dar uma tremenda ajuda na gestão, na captura de informações, etc.

Enxergo duas questões aqui:

  • Há toda uma geração de empreendedores “tecnicos”, i.e. que aprenderam o ofício na raça, sem estudar muito – em especial estudo de gestão.
  • Existe o fato também que uma vez que o empreendedor é ‘sugado’ pelo rodamoinho dos negócios, ele tende a não mais se concentrar para analisar detalhes. A dinâmica mental altera-se profundamente.

Amarrando estes dois pontos, temos: “Um leigo em finanças e mercado financeiro, com pressa e sem concentração para discutir um assunto que não faz parte do foco do negócio dele”. Não dá para ser pior…

Lançarei a campanha: “Contrate um estagiário e modernize a gestão da sua empresa”. Até eu, na pessoa fisica, estou contratando um para fazer pesquisas sobre crédito!

Abraços, FB