O Estadão de hoje traz duas matérias (ver links abaixo) assinadas por Marcelo Rehder, sobre estudo da Economática, que trata da performance das empresas de capital aberto no 1o. trimestre deste ano.

A seguir, os meus comentários:

Lucro das empresas cai 29% no 1o. trimestre

  • Considerando-se que a economia estava super aquecida em 2008 e hoje ela ela está em recessão, ter os lucros reduzidos (comparando os primeiros trimestres dos dois anos) em 29% é para se comemorar!
  • Mas é do lado financeiro que a coisa pegou: o Endividamento Bruto das empresas aumentou 44,6% em 1 ano, atingindo R$ 183 bi. Por outro lado, as Despesas Financeiras aumentaram R$ 126%, atingindo R$ 1,8 bi.

A dívida bruta das empresas aumentou consideravelmente por dois motivos: o primeiro foi por decisão empresarial mesmo, pois as empresas estavam se expandindo. O segundo motivo foi a desvalorização do real, já que boa parte deste endividamento era externo.

Por outro lado, a matéria não diz que boa parte desta dívida estava (e está) no caixa da empresas, pois é muito comum que estas tenham endividamento líquido pequeno ou até negativo (i.e. tem mais caixa e aplicações financeiras do que dívida bancária). E como os juros em nosso país são altos, muitas vezes as empresas têm lucro com isso.

Apesar da queda, lucro foi de 2,7%

Nesta matéria a manchete não ajudou, pois o que se mediu foi a rentabilidade, que foi muito boa, segundo a Economática. O presidente da empresa, Fernando Exel, diz que uma rentabilidade sobre o capital da empresa de 2,7%, em apenas tres meses, foi positiva se comparada à da SELIC. Ele calcula que uma aplicação em renda fixa convencional renderia 1,1% em termos reais (no trimestre), que é bem menos que os 2,7% que os investidores das empresas obtiveram.

Em outras palavras, não valeria à pena os empresários venderem suas empresas para aplicar num fundo de investimentos qualquer. Interessante…e positivo.

Microeconomia: isto tudo é análise da média – e médias são burras, muito burras. Especialmente quando falamos de crédito. A análise da Economática mostra claramente que alguns setores sairam-se “menos pior”, como os de Utilidade e Construção (surpresa!), enquanto que os de Siderurgia e Químico, entre outros, sairam-se mal demais. O de Alimentos, não conta, pois as perdas da Sadia (com derivativos) bagunçaram a média.

Em crédito, meus caros, ninguém se fia em análise “macro” ou “média”; os analistas de bancos olham o setor e a empresa em sí. Portanto, estas notícias mostram que se, em geral, nossas empresas foram até que muito bem, o crédito só fluirá mesmo para aquelas que de fato foram bem.

Conclusão:  este trimestre teve o cambio volátil, além da questão do hedge cambial que afetou muitas empresas. E mais, a rolagem das dividas será bem mais cara em 2009 do que foi em 2008. Em outras palavras, quem não conseguir rolas suas dívidas externas vincendas e precisar captar em reais terá um impacto negativo no seu caixa.

De qualquer forma, eu acho que as empresas brasileiras, de grande porte como é o caso das empresas de capital aberto, se deram muito melhor do que se poderia esperar. A principal razão, na minha opinião, é o baixo endividamento líquido da empresas.

Abraços, FB

Caros,

Este assunto me irrita. E deve irritar muito mais os milhares de brasileiros que enfrentam problemas sérios com as suas dívidas (bancárias ou não). Já escrevi textos mal humorados porque vejo a FIESP, o BC, o Ministério da Fazenda e a mídia inteira bater sempre na mesma tecla – …na tecla errada. Os exemplos dos últimos dias:

  1. O BC finalmente tornou pública – de forma transparente – a tabela de juros dos bancos. Só que o próprio BC irá rever a metodologia, pois gerou uma gritaria sem fim.
  2. O Sr. Paulo Skaf, da FIESP, foi à loucura ao pregar cadeia para o…quem?…HSBC, que segundo a lista do BC cobra os juros mais altos do mercado.
  3. O Presidente do BC, Henrique Meirelles, diz para os políticos que vai pegar pesado pela queda dos juros bancários. Que é isso? Palanque para o governo de Goiás?

Os fatos são:

  1. Um triste fato da vida é que as empresas brasileiras estavam mais estocadas do que nunca, porque o país crescia muito rápido (acima de 6,5% a.a., em setembro) e o Natal chegava. E por conta disso todas tinham mais dívida do que o normal.
  2. O cidadão brasileiro também estava mais endividado do que nunca – porque a oferta era grande e o brasileiro não faz conta, i.e. compra uma geladeira na Casas Bahia ou no Magazine Luiza, e faz as famílias Klein e Trajano felizes porque pagam a geladeira e um fogão (de juros).
  3. Quanto as linhas externas secaram para os bancos brasileiros e para o grande empresário local que se endividava lá fora, houve um grande gargalo no crédito doméstico.
  4. Eu, você, o Bradesco e a Petrobras estamos com menor oferta de crédito e  – só por isso – pagamos juros mais altos. Exemplos:
  5. Juros para uma das maiores multinacionais do mundo: 125% do CDI
  6. Juros para um dos maiores grupos empresariais do Brasil: 160% do CDI.
  7. Juros para um grupo brasileiro que fatura mais de R$ 1 bilhão: 188% do CDI.
  8. Juros pagos para o F.Blanco, segundo oferta por escrito, de um banco internacional (ex-primeira linha): 105% do CDI.

Nota: CDI é a taxa média dos juros interbancários e costumava ser semelhante à SELIC (taxa básica do BC).

Deu pra notar a situação? Como lutar contra isso?

A Petrobras e o Bradesco estão se virando para conseguir mais crédito. O cidadão e a pequena/média empresa brasileiros, não o fazem direito. Reclamam, xingam os bancos, etc. Nada disso adianta.

Vejam este post do J.P.Kupfer. O post é bom e pronto, mas o “””destaque””” aqui vai para os comentaristas. É uma falastrice sem fim, que não ajuda em nada a vida de ninguém. Se o tempo que perdem berrando palavras de ordem, fosse usado para fazer uma boa pesquisa de preços e serviços, aí sim se dariam melhor. E o mesmo raciocínio é válido para empresários.

Eu já falei com meia FIESP/CIESP sobre como as empresas podem e devem se defender dos juros altos! Alguém me ligou? Não! Até parece que não querem solucionar o problema. Afinal, se não houver problema não haverá microfones à disposição para a gritaria de sempre, né?

Mas é óbvio que não é isso. Ou será que é ? Skaf e companhia querem a solução do problema. Só não sabem como fazer…e desprezam ajuda externa.

Olhem aqui a famosa lista do BC. Separei dois exemplos: Pessoa Física – CréditoPessoal e Pessoa Jurídica – Capital de Giro Pré. Compare  os bancos e compare o quanto você paga. Vá na agência e converse com o seu gerente, para tentar entender os juros que você paga e o que o BC publica. E assunte por que outros bancos cobram menos.

Mas atenção: compare banana com bananas. Exemplo: eu e você não teremos crédito jamais no Banco Itaú BBA, que é voltado para grandes empresas. E se quiserem procurar os bancos, este link da Febraban ajuda.

E leiam aqui no Blog a sessão Melhore o seu Crédito. Lá tem boas dicas, palavra de escoteiro.

Perguntem, critiquem, etc., mas sempre voltado à busca de solução, pois do contrário é perda de tempo.

Abraços, F.

Este post se baseia integralmente no jornal francês Les Echos (equivalente aos nossos Valor Econômico e Gazeta Mercantil).

Primeira revelação: enquanto aqui no Brasil o nosso Banco Central utiliza a famosa (para os ‘iniciados’) pesquisa Focus para balizar a visão dos bancos sobre os mercados, na França o Banque de France tem uma pesquisa equivalente voltada à identificação das perspectivas para o crédito no país.

Parece bobagem, mas bem demonstra o viés pró-“mercados” que temos no Brasil. Enquanto isso, o crédito fica ao Deus dará. Como vivo escrevendo e falando, no Brasil todos querem “ficar ricos rapidamente”, daí o sucesso que temas como bolsa e dólar fazem. O crédito, ou melhor, a sua ausência, mata empresas. E mesmo sabedores desse terrível flagelo pessoas, empresários, lideranças empresariais, políticas e governamentais tratam o assunto com incrível amadorismo.

Desabafos à parte, as conclusões fresquíssimas da pesquisa francesa são:

“No terceiro trimestre, mais de 75% dos bancos endureceram seus critérios de atribuição de crédito para as empresas (“um pouco” para 44% dos bancos e “muito” para 33% destes). Esse endurecimento, mais marcante que a última previsão realizada em julho, se intensificou para as pequenas e médias empresas vis-a-vis as grandes. Para o último trimestre, mais de 75% dos bancos têm a intenção de endurecer ainda mais seus critérios de concessão de crédito.”

Interessante notar que a pesquisa destaca que a demanda por crédito vem caindo, mas principalmente por parte das grandes empresas. Conclusão: grandes projetos sendo adiados. Já as pequenas e médias empresas, que vivem do capital de giro do dia-a-dia, continuam demandando…e sendo mal atendidas.

Não precisa ser um PhD em banking para dizer que a situação é idêntica no Brasil. Quem menos precisa, i.e. as grandes, têm mais oferta; já as que mais precisam, i.e. as PME’s têm menos oferta.

A pesquisa/estudo pode ser acessada pelo link abaixo:

Um outro artigo do mesmo jornal Les Echos (link abaixo) traz uma ótima avaliação sobre como o Brasil está preparado para enfrentar a crise. Eu sou citado no final do artigo, dizendo estar “preocupado” com a dificuldade com o refinanciamento das dívidas. Nada de novo…

http://www.lesechos.fr/info/analyses/4795005-le-bresil-fait-de-la-resistance-face-a-la-crise.htm

Cordialement, au revoir,

Fernando Blanco

O post abaixo veio direto do Blog da Miriam Leitão, pois o achei 100% alinhado com os objetivos do Blog do Crédito. A fonte da entrevista é o diretor executivo da ANEFAC, entidade representativa dos Executivos Financeiros. Boa leitura + abraços,

Fernando

Enviado por Leonardo Zanelli –
20.10.2008
| 16h14m

Crédito

Onda de juros maiores e prazos menores segue em outubro

 

Outubro começou como setembro terminou: juros crescendo na ponta, maior seletividade na hora da concessão do crédito, prazos menores para pagamento. A novidade deste mês está por conta da liberação do crédito para as empresas. Com a crise, elas estão com capital de giro reduzido. Com isso, as financeiras passam a exigir mais garantias.

– Antes, bastava a empresa dar uma garantia como os recebíveis para ela conseguir o crédito. Agora, as garantias aumentaram e estão exigindo até imóvel. Há dificuldade no capital de giro. Isto afeta as empresas porque o crédito está mais caro – diz o diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer.

Segundo Storfer, o que ocorre neste mês de outubro é o que ele chamou de “efeito espelho”: as empresas que ainda não tinham elevado os juros de seus financiamentos passaram a fazer isso porque o mercado inteiro está assim. Os dados fechados deste mês só estarão disponíveis em novembro, mas este foi o movimento verificado pela Anefac nos primeiros dias deste mês.

Para o diretor-executivo da Anefac, o consumo do Natal ainda não deve ser afetado. Isto porque com o crédito escasso e mais caro, seria melhor para as empresas vender seus produtos e fazer caixa do que manter o estoque parado. Além disso, mesmo com a redução no crescimento, o consumo ainda não apresentou retração.

– Continua uma inércia de compra e algumas empresas estão fazendo promoções para fazer caixa. Esse movimento deve persistir até o fim do ano.

Storfer acredita que o problema pode piorar no ano que vem, se a crise e o empoçamento de liquidez persistirem. Neste caso, o mercado ficará avesso ao risco, não haverá lançamento de novos produtos e se o consumo cair mais pode até haver demissão em alguns setores.

– Uma parcela da população que estava inserida no consumo de outros produtos já foi penalizada com a inflação em itens básicos e de alimentação. Com a alta dos juros e dificuldade para financiamento, esse pessoal vai sair do consumo de bens mais duráveis e que precisam de financiamento e vai comprar produtos mais básicos e baratos – explica.

Andrew Frank Storfer defende uma reeducação da população nesse momento de crise financeira.

– As pessoas, principalmente das classes C e D, devem poupar um pouquinho a cada mês, o que pode ser na boa e velha caderneta de poupança, para depois terem condições de dar uma entrada maior e reduzir o financiamento ou até comprar à vista. Muitas vezes, a compra tem efeito psicológico e não lógico. As pessoas olham a compra do vizinho, por exemplo, e querem o mesmo produto ou um similar. Mas neste momento, deve haver uma educação das pessoas – afirma o diretor-executivo da Anefac.

A dica é importante. Não é hora de endividamentos. Nem para o setor das financeiras: pessoas com mais dívidas têm mais dificuldades de pagamento e isso pode gerar inadimplência. E a inadimplência é tudo o que o setor não quer.

 


Enviado por Alvaro Gribel

Ainda tem mais emoção…

5. A gestão de ativos e passivos:

Uma das maiores preocupações dos bancos é administrar o prazo dos seus depósitos vis-a-vis o prazo dos seus ativos de crédito. Imagine a seguinte situação:

  • Na média, os depósitos do meu banco vencem em 15 dias.
  • Também na média, os empréstimos do meu banco vencem em 90 dias.
  • Moral da história: a área de captação do meu banco precisa “pedalar” um bocado para colocar dinheiro para dentro, pois os empréstimos vencem, na média, depois dos depósitos.

E se eu disser para vocês que esta historinha NÃO é hipotética, mas que ocorre no sistema financeiro do mundo todo?

Caros leitores, esta é uma das razões pela qual estamos vivendo estes dias confusos! Além da paralisação do mercado interbancário, as pessoas (físicas e jurídicas de todos os níveis e portes) sacaram seus depósitos de bancos menores (ou com menor reputação) para depositá-los em bancos que julgavam ser mais sólidos. E os bancos que sofreram esses ataques não tinham como fazer caixa, pois seus empréstimos – sempre na média – venciam no futuro.

Solução: ir tomar dinheiro caro do Banco Central do seu país…

Mas banco vive disso e, salvo em casos graves como essa hecatombe financeira (que ocorre uma vez por século), gerencia corretamente esse descasamento. Mas por que os bancos vivem neste ‘fio da navalha’?Usualmente porque ao tomar depósitos mais curtos pagam juros mais baixos, enquanto que ao emprestarem por prazos mais longos acabam por cobrar juros mais altos. Aqui no Brasil, depois de um certo prazo (60 dias, será isso?), os CDBs podem ser resgatados diariamente, i.e. o prazo médio do passivo dos bancos é curtíssimo no Brasil.

E a sua empresa, será que ela também não está descasada? É quase certeza que sim. Faça o seguinte teste:

  1. Imagine-se paralisando a empresa agora, neste minuto.
  2. Você não comprará mais matéria-prima ou produtos para revenda e só produzirá e venderá o que estiver em estoque.
  3. As contas serão pagas nas datas de vencimento e o mesmo acontecerá com os recebíveis.
  4. Idem para suas dívidas bancárias.
  5. E você, empresário, não irá sacar dividendos ou mútuos, nem colocar dinheiro nela.

Pergunta dura para uma resposta honesta: em que dia faltará caixa? E se não houver linha de crédito disponível? Calote, quebra?

Isso já está acontecendo!! Muita atenção!! É hora de liquidez e dívida longa (o que hoje é ficção científica…).

Meu abraço, Fernando

Pois é, amigos, ontem o dia foi calmo, ou melhor, as cotações das ações subiram porque – miraculosamente – os mercados passaram a achar que o mundo não ia mais acabar…

Aqui no Brasil, todo mundo começou a achar que “a crise poderá atingir o Brasil”. Como assim? Não tem que achar nada, ela já nos atingiu e pronto! E logo no crédito! O que mais que querem, quebradeira de banco? Isso não acontecerá, mas haverá quebradeira de PJ e PF, o que é suficientemente ruim! Exemplos:

  1. As linhas para financiamento de exportação estão secando (de curto, médio ou longo prazos).
  2. Não há linhas externas ou mercado de títulos para bancar projetos de expansão empresarial e de infraestrutura.
  3. Até o capital de giro empresarial em reais, de curto-prazo, encareceu. Dizem que o spread dobrou!
  4. E dizem também que bancos de pequeno porte estão sofrendo com o famoso “flight to quality” (i.e. os depositantes estão preferindo investir naqueles “acima de qualquer suspeita”).

Que mais estão querendo? No macro o Brasil vai bem, mas nós vivemos no micro – e o micro deteriora-se rapidamente.

Outras nota de interesse:

  • O americano médio, aparentemente, não entendeu o que se passa em seu país. Paul Krugman comenta que os americanos trocaram o financiamento via segunda hipoteca pelo cartão de crédito, que está aumentando! É mole ou quer mais?!

http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/09/30/death-by-plastic/

  • Existe uma turma que está frontalmente contrária ao plano Paulson, que pretende comprar papéis podres dos bancos para em seguida criar um mercado secundário desses títulos. Esta é uma solução bem ao estilo de um investment banker, como Mr. Paulson – minha opinião: será uma confusão sem limites; difícil de precificar. Paul Krugman preconiza outra saída: que o Tesouro (ou outra agência a ser criada) capitalize esses bancos (diluindo o valor dos atuais acionistas). Seria muito mais limpo, transparente. Esta é a solução que os europeus estão utilizando para o seu crescente problema: banco quebrou; o governo estatiza, arruma a casa e depois o vende.
  • Detalhe cômico se não fosse trágico: quebrou o primeiro banco da Islândia. Krugman calculou a “ajuda financeira/per capita” e concluiu que proporcionalmente à população dos dois países, o Plano Iceland seria equivalente a USD 850 bi contra os USD 700 bi do Plano Paulson.

Cinicamente, eu comento: eu estou tão certo que esses USD 700 bi não irão ajudar muito.

Boa noite, F.

O ótimo portal da revista Cliente S.A. – http://www.clientesa.com.br/ – traz hoje uma notícia que merece uma análise que vai além do título da matéria. Explico:
  1. O índice de confiança do consumidor, em geral, está em alta – e isto até seria bom, no momento, pois ninguém está precisando de notícias ruins no campo econômico-financeiro.
  2. A pesquisa da Fecomércio mostra que a classe média e alta tem clareza sobre a crise internacional, o que traduziu-se em redução do índice para estas categorias.
  3. O drama: as classes mais baixas; aqueles que compram tudo a prazo, “sem juros”, demonstram um ânimo assustador! E olha que os juros estão em alta no varejo há uns três meses! …mas os prazos de financiamento ainda não caíram pra valer!

O caso é o seguinte: esta pesquisa e este post são a prova cabal de que o endividamento das famílias é altamente correlacionado com baixa educação (lato-senso e financeira).

Como se isso ainda precisasse ser provado…

Boa leitura! F.

Confiança do consumidor em alta [23/9/2008 – 12:44] 
Consumidores de baixa renda elevam avaliações, enquanto classe alta mostra cautela
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado mensalmente pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), apresentou alta de 1,8% em setembro, em relação a agosto, e atingiu 140 pontos. No contraponto ao mesmo período de 2007, o índice apresentou elevação de 5,8% (132,3 pontos).
 
O ICC varia de zero a 200 pontos, indicando pessimismo abaixo de 100 pontos e otimismo acima desse patamar, e é composto por dois indicadores: o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e o Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). No mês analisado, o ICEA – que registra como o entrevistado percebe a sua situação atual – apresentou retração de 2,7% em relação a agosto (136,8 pontos). A percepção em relação ao futuro, contemplada pelo IEC também teve alta de 4.9% em relação a agosto e atingiu 142,1 pontos.
 
Na análise realizada por faixa de renda, o ICC apurou queda de 1,7% (148 pontos) entre os consumidores com rendimentos superiores a 10 salários mínimos. Em relação ao IEC, em setembro apresentou queda de 3,8% (146,6 pontos) e o ICEA alta de 1,5% (150 pontos). Já os paulistanos na faixa de renda inferior a 10 salários mínimos tiveram alta de 5,7% no ICC (138,1 pontos). O IEC também apresentou alta de 11,5% (141 pontos) e o ICEA variou negativo em 2,4% (133,8 pontos). Todos estes dados são resultados da comparação com o mês anterior.
 
De acordo com a Fecomercio, a pesquisa apurou comportamento divergente, afinal enquanto os consumidores de renda mais baixa elevaram as avaliações, a classe de renda mais alta mostrou cautela. Os consumidores com renda mais baixa – muito mais afetados pela alta dos itens alimentícios – com a notícia da desaceleração dos preços melhoram significativamente as avaliações. Já os consumidores com renda acima de 10 salários mínimos revelaram grande cautela nas as avaliações em relação à situação econômica do Brasil, justificadas pela percepção das incertezas do cenário externo, e, sobretudo das variáveis juros, câmbio e inflação.