Os amigos devem ter notado que ando escrevendo menos. Também devem ter notado que venho escrevendo mais sobre temas “frios”, ou atemporais, enquanto que antes escrevia alucinadamente sobre notícias “quentes”, da hora.

O bom sinal do comportamente do blog e do blogueiro, é que a crise perdeu momentum. Ela deixou de ser aguda e, portanto, parou de gerar notícias dramáticas que traziam volatilidade para os mercados. Podemos dizer que este é um blog anticíclico. 🙂

Creio que a crise deu lugar a uma “nova normalidade”, em que todos (países, governos, empresas, bancos, cidadãos) passam a conviver com os destroços que ficaram após a grande avalanche financeira que acometeu o planeta, para aos poucos reconstruirem uma nova economia e novos mercados. É uma fase de transição, ainda cheia e de dúvidas sobre como será este novo mundo.

Se por um lado é difícil achar alguma empresa, algum setor ou nação que esteja bem, ainda há considerável disparidade no grau de malefícios causados pela crise. Se por um lado o varejo no Brasil vai se aguentando, o setor de bens de capital vai mal demais. Se por um lado vende-se automovel à vontade, ninguém compra caminhão.

Este tipo de cenário gera confusão, pois dependendo da folha do jornal que você lê a sua percepção da situação econômica muda.

Mas existe um fato que não deve ser esquecido: a nova normalidade – pós-crise – será bem diferente daquela pré 15 de setembro de 2008! Será de menos riqueza, de mais frugalidade, de menores ganhos para a maioria, de menor volatilidade (e mais bi-direcional) e tudo acontecerá mais lentamente.

E a razão é simples: o capitalismo financeiro foi nocauteado. Não há mais tanto dinheiro fácil, barato e tolo para ser emprestado para qualquer um, para ser investido em qualquer projeto, para viabilizar mega fusões ou para turbinar qualquer IPO.

“Não tenhamos mais tanta pressa”, parece-me ser a nova ordem mundial. E isso me cheira bem.

Abraços, F.

Este é um post pessoal, para consumo próprio. Visa homenagear e registrar o dia do nascimento do meu avô materno, José Pablo Blanco del Mar, que hoje completaria 100 anos.

Nascido em Montevideo, por acaso (seu pai trabalhava como calafate da marinha uruguaia), aos 2 anos já vivia em La Línea de la Concepción, no sul da Andalucia. Logo passou a trabalhar numa loja em Gibraltar, o famoso protetorado Britânico encravado num enorme rochedo, que fica em terras contíguas à La Linea.

Quando tinha 15 anos imigrou com a família para o Brasil, tendo como destino as fazendas de café do interior de São Paulo. A origem portuária de toda família, mais o fato de terem conhecidos espanhóis vivendo em Santos, motivaram a família Blanco a fugir da Casa do Emigrante de Santos no meio da noite, para ali fixar residência definitiva.

A paixão pela mecânica e a ignorância dos pais impediram que Don Pepe, aos 18 anos sendo trilingue e bem educado, seguisse uma carreira mais prestigiosa e rentável. Pelo contrário, trabalhou na abertura dos famosos canais fluviais de Santos, na oficina mecânica central da Companhia Docas de Santos e chefiou a usina hidroelétrica de Itatinga, na vila do mesmo nome, que fica em algum lugar da Serra do Mar, perto de Bertioga.

Em Itatinga foi feliz e realizado. Espanhol gosta de mandar, dizem…e ele, com 1m84 era um gigante naquela época. Ele era caçador (vi muitas fotos), pescador (de remar rios adentro), etc. Viveu em harmonia com a natureza quando isto não era uma prioridade.

Como meus pais trabalham dia e noite, minha infância foi vivida, em grande parte, na casa dos meus avós maternos, Pepito e Totoina, como eu os chamava e chamaria até falecerem na primeira metade da década de 90. Eu tinha adoração por eles e quando os meus pais vinham me pegar para dormir em casa, toda noite eu aprontava um escândalo. Quando viajva, ainda pequeno, com os pais, chegava a adoecer de saudades dos avós.

Foi meu avô quem me levou a dar os primeiros chutes numa bola. Eu, devidamente uniformizado com o manto sagrado do Santos FC, e ele íamos a pé até os antigos campos do Canal 5, que perfaziam uns 10 gramados semi-oficiais de futebol de várzea, em se jogavam as partidas da famosa Liga Santista. Bons tempos. Hoje, este imenso terreno de lazer tornou-se uma imensidão de prédios, lojas, i.e. de progresso. Ou será “progresso”?

As minhas primeiras pedaladas também foram dadas com o Vô Pepito ao meu lado. Nada mais natural, pois ele havia sido um ciclista razoável nos anos 30 (palavras dele). Lembro-me da medalha de bronze que ele me deu, prêmio pela 3a colocação numa corrida de 120 km, a Santos – Itanhaem – Santos, disputada através das areias das praias (não havia alfato naquela época). Dá para imaginar o sofrimento?

Sem dúvida, as fotos e as histórias daqueles dias românticos do ciclismo brasileiro foram grande inspiração para mim, que viria a me tornar ciclista de competição aos 15. Detalhe: contra a sua vontade! Sabedor dos perigos deste esporte, acho que nunca foi assistir a uma corrida minha, pois temia pela minha saúde. Aliás, se dependesse dele eu não sairia de casa para nada, tamanha era preocupação que tinha por mim.

Fui o primeiro e único neto, pelo menos na questão afetiva. O que era reciproco. Meus primos nunca foram próximos dos avós e toda a carga afetiva do velho imigrante foi dedicada para mim. O espanhol durão, dizem, só amolecia com o netinho.

Conheceu o bisneto Fábio já no final da vida, mas pouco o curtiu, dado que estava com a saúde muito debilitada pela falência da circulação periférica – esta o cegou e o impedia de andar direito. Não foi fácil ver aquele gigante, tão ativo e altivo no passado, definhar aos poucos.

Ele se foi aos 84 anos de idade, mas permanecerá na minha memória para sempre.

Fernando, seu neto.

Caros – destaco reportagem do jornalista Leandro Modé, do Estadão de hoje, que trata dos calotes que os exportadores brasileiros vêm levando. Este humilde escriba é citado, pois a minha Coface vem segurando parcela considerável destes calotes.

A situação é feia, pois os calotes não vêm de países da “periferia”, mas do Reino Unido, Alemanha, Itália, etc.

Não bastasse isso, nossos empresários enfrentam mercados enfraquecidos pela crise – e competição desigual com a China, que desova seus produtos a preço de banana – e ainda tem o câmbio jogando contra.

Eu realmente não me conformo com a liberdade que o governo dá para que investidores internacionais invadam nosso mercado, baguncem a taxa de câmbio e a economia real, para depois zarparem ao primeiro sinal de crise – bagunçando tudo e novo.

Crédito – os bancos que dão crédito para exportadores estão de olho, e não é de hoje, para a geração de caixa destas empresas. Estas devem ficar atentas e explicar direitinho a sua situação, antes que percam o crédito.

Com a minha simpatia para os nossos valorosos empresários, que buscam mercado lá fora, abraços! F.

Caros – segue o link da entrevista que eu dei para o Roberto Nonato, da CBN, na última 5af. Abs, F.

Caros – ontem eu fui entrevistado pelo Carlos Alberto Sardenberg sobre o meu tema favorito: empresas que tiverem uma relação profissional com os bancos podem pagar juros/spreads mais baixos. Ouçam aqui.

Mas vale destacar que eu escrevo/palestro sobre este assunto há alguns anos e só agora a mídia passou a se interessar por isso. Ótimo sinal. Outro dia a Folha de S.Paulo também destacou o tema (ver abaixo).

Que assim continue, pois é tema de utilidade pública.

Abraços, Fernando

Caro – a entrevista abaixo saiu na coluna Mercado Aberto, do Guilherme Barros, na Folha de São Paulo desta 4af, dia 22. Ela foi ‘picotada’ demais e não parece muito simpática, mas a mensagem é: AS EMPRESAS PODEM PAGAR JUROS MENORES…SE QUISEREM! Abraços, Fernando

Tomador tem culpa por “spread”, diz especialista

A culpa pelo alto “spread” cobrado pelos bancos é também do tomador. A opinião é de Fernando Blanco, presidente da seguradora de crédito Coface no Brasil. Para Blanco, a maioria das empresas brasileiras não sabe pesquisar taxas e negociar.
“Muitas entregam aos bancos o detalhamento das contas no papel de pão. Na hora de negociar taxas, os dados são incompletos, os balanços, mal costurados, e a barganha, fraca.” Isso provoca aumento das taxas.
“Outras, que detalham as contas, recebem mais limite com mais bancos. Paga menor “spread” quem tem excesso de oferta de crédito, ou seja, você precisa de R$ 100 e tem R$ 200 de oferta.”
Blanco diz que as empresas deveriam estimular a competitividade. “A solução é capacitação creditícia e profissionalização das relações bancárias, por parte do empresariado. Não adianta só reclamar, há uma dinâmica de risco na transação.”
Para Blanco, a concentração dos bancos também não é o vilão. “No Brasil recente, a concentração é notória. Mas, na Holanda, o “spread” pago pelo cidadão é muitas vezes um terço do pago pelo americano. E a Holanda tem só três bancos dignos de menção, enquanto os EUA têm 7.000.” O motivo, diz ele, é que o holandês poupa muito e se endivida pouco, ou seja, os bancos tentam emprestar a qualquer preço.

com JOANA CUNHA, MARINA GAZZONI

Caros – há umas poucas semanas eu dei uma entrevista para a TV ACREFI, que é a webtv da Associação que congrega as financeiras (de bancos e independentes). Nesta entrevista, que está nos dois links abaixo, eu comento sobre a economia e as perspectivas para o crédito em 2009.

Parte I   +   Parte II

Espero que seja de utilidade. Abraços, F.