Eu não resisti! Eu tento focar menos na questão americana, mas é fascinante acompanhar os desdobramentos da crise bancária (e política) daquele país.

E é útil também, afinal, como já disse aqui no limite de provocar náuseas nos leitores mais assíduos, o mundo não sairá da recessão enquanto os bancos americanos não forem resgatados e, portanto, voltarem a emprestar.

Tem confusão para todos os gostos:

  • Bancos pequenos reclamam do custo da “ajuda” dada ainda nos tempos de Bush & Paulson.
  • Bancos grandes querem pagar de volta os empréstimos do TARP, para poderem distribuir bônus à vontade…e não limitar a míseros USD 500 mil por executivo.
  • O famoso stress test que o Governo está aplicando nos bancos tem amigos e inimigos! Os grandes bancos passarão no teste, mas não querem vender seus ativos podres, porque ficarão sem capital (não sou mais eu quem diz, mas especialistas locais).
  • Fundos abutres estão no maior lobby para que o Governo imponha regras duras e force a venda destes ativos podres. O objetivo é simples: quebrar os bancos para que tais fundos possam comprá-los a preço de banana. Capitalismo da pior espécie!
  • A Associação dos Bancos Comunitários, que representa 5 mil (!!) bancos está reclamando de tudo também…

Eu sempre disse que a coisa era complicada e que iria demorar para ser solucionada. Há muitos interesses multi-bilionários em jogo.

E tem também o painel do Congresso que avalia a evolução dos planos TARP, TALF, etc. Para quem tiver saúde, seguem as 150 páginas do Relatório de Abril. É muito rico, pois mostra a crise nos diversos países, os riscos dos planos, etc.

Detalhe: Obama está á frente de tudo, o tempo todo, participando de todas as reuniões! Eu venho testemunhando pela TV (CNN, Bloomberg) e via fotos (WSJ, Times, etc.) que Ele é quem manda, o que também funciona como uma proteção para o seu maltratado Treasury Secretary Tim Geithner. Admirável sob qualquer ângulo.

Abraços, F.

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Graças a Brad Setser e seu super blog, eu descobri  este discurso de Geithner quando ele ainda era um jovem (e importante) CEO do FED de N.York.

Resumo e comento:

  1. Ele tinha uma visão muita clara do desbalanceamento da economia global, em que os EUA se endividavam contra o mundo, consumindo mais do que devia, sendo que China e Índia estavam na ponta oposta, i.e. produziam, exportavam, poupavam e investiam suas reservas nos EUA.
  2. Se por um lado Geithner alertava, já em 2005, para o endividamento das familias americanas, ele não percebeu a bolha imobiliária – e os maus créditos concedidos por conta do preço ‘inflado’ dos imóveis.
  3. Quando comentou (em 2005) sobre as instituições financeiras americanas, errou fundamentalmente. Sua crença nestas instituições não levou em consideração o frágil arcabouço legal e regulatório americano.

No post de onde tirei o link acima, Setser explica que trabalhou sob a liderança de Geithner no FMI e no Tesouro americano (quando Geithner era apenas um funcionário graduado – e não o Secretário [Ministro] como é hoje). Detalhe: Nouriel Roubini também trabalhou sob as ordens de Geithner no Tesouro, junto com Setser, durante o governo de Bill Clinton. Acho que é por isso que Roubini vendo sendo mais, digamos, suave em seus comentários sobre as ações e propostas do atual governo, para tirar a América da crise.

Me deu maior conforto saber como ele pensava 4 anos atrás. Como era lúcido, mesmo em tempos de ‘vacas bem gordas’. Geithner sabe das coisas. O seu plano, pelo qual rezo para que dê certo, tentará tirar o mercado do buraco utilizando-se de instrumentos…de mercado (com subsídio do Estado). Temo que não irá funcionar. Mas estatizar o mercado financeiro não é algo que ele saiba fazer – mas quem saberia?…O Chavez, talvez…

Abraços, FB

Espero que seja notícia falsa, plantada, mas este link do Financial Times nos conta que alguns dos bancos americanos com o maior volume de ativos tóxicos, estariam considerando comprar mais dos mesmos! Como? Utilizando-se dos empréstimos risco-zero do Plano Geithner. Será o cúmulo da ousadia se os gestores destes bancos permitirem isto; será o cúmulo do absurdo se o FED deixar que o façam!

Abs, F. 

PS: este rumor dá uma clara visão de como o Plano Geithner é, de fato, mamão-com-açucar para os investidores. Até os que perderam com tais ativos querem agora fazer mais uma ‘fézinha’…

Passou pouco notado um tremendo feito de Tim Geithner, Secretário do Tesouro dos EUA, ontem no Congresso americano: ele deu início a uma cruzada por mais regulamentação dos mercados financeiros.

Foi só o primeiro passo, mas o sofrimento dele será grande e longo. Primeiro, porque terá de enfrentar um lobby fortíssimo da indústria e, segundo, porque os Republicanos não lhe darão vida fácil – mesmo para aprovar o óbvio e necessário.

Destaques para o projeto de Geithner:

  • Poder para impor capitalização de bancos que corram riscos além do aceitável pelo governo.
  • Poder para regular certos fundos, e.g. Private Equity, Hedge Funds, etc.
  • Poder para regular instituições quase-bancos, e.g. GE Capital, AIG, etc.
  • Impor restrições aos mercados derivativos ‘de balcão’, tais como a obrigação de registros em bolsa.

Abre-se, portanto, uma terceira frente de batalha na guerra hercúlea que Obama & Geithner vêm enfrentando. Primeiro foi o pacote fiscal para acelerar a economia, depois foi o plano de resgate do sistema financeiro e, agora, começa a luta para evitar que esta hecatombe financeira volte a ocorrer.

Aqui a matéria doThe Times, com link para o texto original de Geithner.

E aqui a da Business Week, que fala que será uma “guerra”!

Abraços, F.

PS: os Europeus já deixaram claro que não há acordo com os EUA, enquanto estes não ‘arrumarem a casa’ no quesito regulamentação bancária. Só que não adianta os EUA fecharem o cassino se Europa e Ásia não fizerem o mesmo. Isto é uma tarefa para o G-20 liderar, semana próxima, em Londres.

Não é à toa que já flagaram os primeiros fios ‘prateados’ na até então intocada cabeleira negra de Barack Obama. Ou cresceram os primeiros fios ou simplemente vem faltando tempo para Mr. Obama passar aquele bom e velho Grecin 2000.

Hoje o dia foi quente nos EUA, mas ele foi ao ataque:

1. Liberou geral: O FED usará USD 1 trilhão para aquisição de títulos do Tesouro, visando dar liquidez aos mercados, reduzir os juros de longo-prazo e mostrar que não faltará financiamento para as agências hipotecárias federais (Fannie Mae e Freddie Mac, cujos papéis também serão comprados pelo FED). Agora, será apenas a mais inconveniente das coincidências o fato de Brad Setser haver postado este artigo sobre a diminuição do apetite dos estrangeiros pelos títulos de longo-prazo do Tesouro americano? Ah, e de onde vem o dinheiro do FED para tal aquisição? O NTY fala claramente em emissão de moeda…

2. “Ninguém mexe com o meu guri! Ele tá prestigiado!”: seria mais ou menos assim a tradução da coletiva que Barack Obama deu hoje, nos jardins da Casa Branca, e que eu assisti ao vivo pela CNN. O garoto em tela é Tim Geithner, seu Secretário do Tesouro (ou Ministro da Economia). Ele vem, de fato, se atrapalhando demais na execução do programa de resgaste dos bancos e, injustamente, está apanhando por conta do bônus da AIG. O cúmulo do desprestígio é ter sua demissão negociada em contratos futuros (via internet e fora da bolsa, naturalmente). A turma aposta na data da saída e o contrato de junho parece ser o mais líquido.

De qualquer forma, os mercados reagiram bem. Vivemos dias de busca descomunal por boas notícias.

Saudações, F.

<<Post pre-cooked. Blogueiro ainda fora do ar , mas melhorando …>>

Amigos, faz um tremendo bem para o ego e para a sanidade mental, quando alguém como Paul Krugman vem e diz exatamente o que estamos dizendo por aqui: Barack Obama, seu # 2 Geithner e o FED governor herdado de Bush, Ben Bernanke, não estão sendo suficientemente arrojados na solução do problema dos bancos americanos!

Os bancos americanos viraran zumbis e Krugman chama a turma de Obama de Zumbis também!

“Tá, lá vem este Fernando Blanco falar de novo (!!) sobre bancos americanos e nacionalização do sistema e bla-bla-bla”. OK, vocês têm o direito de me achar um chato, sem assunto, banqueiro-frustrado (ou será um regulador frustrado?), etc.

Mas na verdade, eu e Paul Krugman 🙂 estamos certos por conta dos seguintes motivos:

  1. A economia americana representa perto de 30% do PIB mundial.
  2. O mundo não sairá do lodaçal enquanto a economia americana não começar a se mexer de novo.
  3. A economia americana travou porque o seu sistema financeiro quebrou.
  4. O sistema está sem confiança e capital. Pior os executivos estão sem coragem para emprestar mais.
  5. E se os bancos Made in USA não voltarem a emprestar, a economia real não voltará a fucionar e a consumir…e o resto do mundo continuará em recessão. Até enjoar.
  6. Os bancos americanos só voltarão a emprestar – pra valer – quando forem devidamente sanitizados e isto não acontecerá com estas medidas meia-boca que vêm sendo divulgadas.

A solução para o Planeta Terra voltar a ser feliz – ainda que não como antes -, passa obrigatoriamente por reverter o coma bancário, i.e. estatizá-los (só aqueles que estiverem insolventes), limpá-los (jogando o lixo no Bad Bank), consolidá-los (pois também é necessário cortar custos), capitalizá-los (pois sem capital adequado os empréstimos não voltarão) e vendê-los para quem queira comprá-los.

Mas se você não concorda com Krugman & Blanco tente então Gerard Caprio , especialista em bancos (ex-Banco Mundial).

Anotem aí: esta crise global (e brasileira) não acaba enquanto não seguirem a receitinha acima.

Oremos. Abs, F.

Primeiramente, espero que as folias momescas tenham servido para diversão ou relaxamento da melhor espécie.

Agora, que discurso “de campanha” este de Barack Obama, quando ele abriu o ano legislativo do Congresso americano. Eu não gostei. Não que ele deva prometer o que não pode cumprir, ou sei lá o que. Mas o fato é que não gostei! A Miriam Leitão disse que ele foi “Vibrante como na campanha”. Perfeito, mas agora é mostrar como irá fazer…

Leiam e/ou vejam o vídeo – e muito mais – aqui, no blog da Casa Branca. Não, não é brincadeira!

Mas pior mesmo foi a nova dupla econômica Geithner e Bernanke. O governo Obama, que tem estes dois senhores à frente do lado financeiro, chegou à conclusão que não deve estatizar (ou nacionalizar, como eles dizem por lá) – parece que eles vivem em outro planeta, onde os bancos são saudáveis e críveis. Leiam aqui na Bloomberg.

As últimas que chegam de lá é dão a impressão os bancos é que escolherão se querem dinheiro público – como se pudessem escolher ou tivessem credibilidade para decidir qualquer coisa. E dizem também que eventuais investimentos públicos serão feitos via ações preferenciais conversíveis em ordinárias, i.e. o governo não quer mandar nos bancos que quebrarem e que precisem de dinheiro público. Ai que saudades do nosso PROER…

Mais que isso, Bernanke, o todo-poderoso chefe do FED, diz achar que o sistema não está tão mal assim, que a maioria dos bancos tem capital em excesso. Me tira o tubo…

Assistam aqui um breve vídeo com Bernanke.

E aqui outro com o Geithner. (quase 9 minutos)

Quer saber, mais cedo ou mais tarde essa turma vai cair na real e nacionalizar boa parte do sistema financeiro americano (não os 6 mil bancos, mas aqueles que representam 90% dos depósitos e ativos do sistema, que devem ser uns 20, não mais).

Por enquanto, o espírito liberal americano e anti-estatizante está falando mais alto, mas se o crédito não for retomado e a economia continuar deprimida eles tomarão alguma decisão mais drástica.

Abraços,