Olá, o tema do crescimento do PIB em 2009 gerou alguma controvérsia. E com justiça, pois o tema é complexo (i.e. ninguém sabe, tudo mundo acha).

Já Paul Krugman advoga a tese de que todo processo de depressão costuma ser interrompido por alguns ‘suspiros’ de aquecimento. Estas aparentes recuperações são seguidas de mais queda do produto. Vejam este post dele.

Será que é isso que estamos sentindo por aqui? Vários índices estão sinalizando que a economia começa a se recuperar – ainda que timidamente -, mas será que em breve teremos mais deterioração? Não gostei da fala do Henrique Meirelles…soturno demais, especialmente para alguém do governo, que tende a esbanjar confiança.

Eu continuo achando que tendemos a um crescimento entre zero e + 1% do PIB, ainda que sem crescimento relevante do nível de emprego e com consideravel nível de inadimplência.

Ainda no campo do desemprego, achei no blog da Miriam Leitão este gráfico – atribuído ao Bradesco. Não entendi bem o milagre, mas o Bradesco acredita que mesmo com o Brasil crescendo ZERO % este ano, o país gerará 300 mil empregos em 2009.

Tomara II, A Missão! Abs, F.

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Bom dia. Rapidinho.

Este espaço nunca foi dado a malhar o governo até por que isso não ajuda nada a resolver os nossos problemas e eu também sei um pouquinho das dificuldades que a turma enfrenta lá em Brasilia, i.e. é mais fácil criticar do que consertar e isso não tem graça para mim.

Mas eu acabo de levar os guris no colégio e ouvia o Ricardo Boechat, craque da Bandnews, esculhambar o governo e ele inspirou este post. Os motivos:

  1. Governo promete mundos e fundos para apoiar ‘n’ setores com dificuldades de liquidez e/ou com consumo cadente. Como: via financiamentos da Caixa, do BB, BNDES e compulsórios do Banco Central (caso de bancos médios e pequenos). Tudo certo.
  2. Só que o custo dessa ajuda é altíssimo, a começar pela taxa básica de juros (13,75%), a SELIC, que é a taxa de juros real mais alta do mundo. Fora o spread, que no caso dos bancos públicos até que são razoáveis (apenas para o padrão local!). Só que os demais bancos estão cobrando muito mais, pois a liquidez está escassa no sistema como um todo. Tudo errado.

O ativismo governamental está centrando fogo nos seguintes focos da crise:

  1. Limitar a falta de liquidez de bancos pequenos e médios (na marra)
  2. Reativar setores (“cadeias produtivas”) importantes para o emprego
  3. Incentivar o consumo da população – em especial da baixa renda

Só que, como de hábito, Fazenda e Banco Central atuam como inimigos na trincheira. Parece que o BC realmente não acredita que haverá uma forte retração econômica no país, ao mesmo tempo que, por outro lado, teme que há um processo inflacionário recalcitrante a ser atacado com força.

Se pensarmos que a recessão que galopa rapidamente é um incêndio, a Fazenda se comporta como o bombeiro zeloso, mas o BC brinca com o isqueiro no meio do incêndio. Já o BC acha que incêndio mesmo é a inflação. Então, dá-lhe jato d’água e pó químico, enquanto a Fazenda prepara-se para jogar mais lenha no fogaréu.

Existe um processo inflacionário, não há dúvida, pois a desvalorização do real foi brutal e certamente haverá repasse do custo inflado dos produtos importados. E não há evidência alguma que o câmbio voltará a um patamar próximo de R$ 2,00. Em 2009, será de R$ 2,20 pra cima, na minha opinião.

Agora… o governo liberar a torneira de liquidez de um lado e o mesmo governo cobrar caríssimo por essa mesma água parece-me um equívoco. Parece-me que o “chefe” dos senhores Mantega e Meirelles deveria chamá-los para uma “conversinha”.

Reparem que 6 meses – sim, é só isso – atrás, o fantasma global era a inflação em função dos altos preços das commodities. Naquele período, nosso BC foi exemplar ao iniciar um vigoroso processo de alta de juros, enquanto os demais bancos centrais titubeavam. O nosso Henrique Meirelles foi festejado em todos os fóruns internacionais. Quando o vento mudou de lado – e não há dúvida de que mudou lá e aqui – os outros BCs foram vigorosos em dobro, derretendo suas taxas de juros, mas aí o nosso – que historicamente tem viés altista – resolveu ser triplamente cauteloso.

O momento pede uma outra abordagem.

Saudações e um bom dia a todos.

Fernando

PS: hoje tem Fernando Blanco no Conta Corrente, do canal Globonews, às 20:30. Não percam! Promessa de grandes revelações!! 🙂

Caros – a notícia é de ontem, mas nem recebeu maior destaque na mídia eletrônica, por conta do risco sistêmico que se avizinhava com a quase-quebra da AIG. Aqui eu abordo o tema só para reforçar um pouco a crise global.

O link abaixo ilustra bem a visão do sr. Bernake, equivalmente americano do nosso H.Meirelles. A SELIC deles continua a 2% a.a. – muitos apostavam que o FED reduziria os juros para acalmar a crise, o que seria absurdo na minha opinião. Os juros (taxa básica) reais americanos já são negativos! Aqui passam dos 5% positivos (sem contar o spread enorme quem vem em cima da SELIC)!

Enfim, o FED identificou corretamente a situação e concluiu: o problema não está na taxa de juros, mas sim na falta de liquidez no sistema. Conclusão: manteve a taxa básica em 2% e ofereceu liquidez para quem lhe batesse à porta. Dizem que a fila começava em Wall Street e chegava ao Central Park…

http://www.businessweek.com/bwdaily/dnflash/content/sep2008/db20080916_038473.htm?chan=top+news_top+news+index+-+temp_news+%2B+analysis

Abraços, Fernando

A Miriam Leitão nos pergunta que decisão o COPOM tomará na próxima semana em mais um round da luta do início de século Mantega X Meirelles.

A queda da inflação coloca dúvidas sobre quais fatores de fato contribuíram para a queda nos preços. A economia já terá desaquecido? Ou a redução da especulação com commodities teria sido fator preponderante? Ninguém sabe, esta que é a verdade.

Na dúvida, portanto, o BC subirá a SELIC. Minha aposta é 0,5%. Quem dá mais?

Abraços e boas apostas, F.

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=o_que_fara_copom_na_semana_que_vem&cod_Post=123559&a=495

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080712/not_imp204697,0.php

O link acima nos trás o texto do Editorial do caderno de economia do Estadão de hoje.

Não deveria haver – mas sempre há… – discussão sobre o fato que o aumento do crédito é o grande responsável pelo robusto crescimento econômico que o Brasil teve em 2007 e que vem tendo em 2008.

Mas este mesmo volume de crédito disponível joga contra o esforço do governo para abater este surto inflacionário – por mais que os preços mais recalcitrantes sejam os dos alimentos (e aí a questão é internacional) e não nos eletrodomésticos e automóveis.

Saco de maldades – no post anterior eu comentei que o Ministro Mantega vem, consistentemente, pegando mais leve do que Henrique Meirelles. Porém, dia desses, o Ministro disse que, se necessário, o governo tem ainda vários instrumentos para atacar a inflação. Isto me lembra a famosa expressão utilizada pelo ex-Presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que disse algo do genêro: “Se o mercado não entrar na linha, o ‘saco de maldades’ do Banco Central é grande e será utilizado”.

Sem a mesma verve de Franco, Mantega quis dizer a mesma coisa. Acho que já existe consenso no governo, que o crédito é um co-responsável de peso pela alimentação da inflação. Desta forma, o ‘saco de maldades’ teria as seguintes ‘ferramentas’ para ação:

  • Restrição aos prazos de diversos tipos de crédito, e.g. ao consumidor, para aquisição de automóveis, leasing, etc.
  • Aumento do IOF, visando encarecer o custo do dinheiro para toda a cadeia (e de quebra aumentar a arrecadação federal).
  • Aumento dos depósitos compulsórios que são recolhidos pelos bancos, o que reduz a quantia de recursos disponíveis para empréstimos livres – e que aumenta o custo do dinheiro, por tabela.

A lista é longa, mas quanto mais duradouro for este processo infacionário, mais difícil ficará a vida de quem:

  1. Tem dificuldade para obter crédito.
  2. Está endividados além da conta.
  3. Tem projetos de expansão e necessitará crédito para financiá-lo.

O que fazer? (repetindo o que já foi escrito antes)

  1. Reduza seus gastos (PF).
  2. Alongue suas dívidas já (PF e PJ).
  3. Aumente o números de bancos de crédito.
  4. Reduza a dependência de um ou poucos bancos.
  5. Evite sacar/tomar linhas indexadas (e.g. ao CDI). Fixe o custo, no Pré.

Abraços, FB