Bom dia. Rapidinho.

Este espaço nunca foi dado a malhar o governo até por que isso não ajuda nada a resolver os nossos problemas e eu também sei um pouquinho das dificuldades que a turma enfrenta lá em Brasilia, i.e. é mais fácil criticar do que consertar e isso não tem graça para mim.

Mas eu acabo de levar os guris no colégio e ouvia o Ricardo Boechat, craque da Bandnews, esculhambar o governo e ele inspirou este post. Os motivos:

  1. Governo promete mundos e fundos para apoiar ‘n’ setores com dificuldades de liquidez e/ou com consumo cadente. Como: via financiamentos da Caixa, do BB, BNDES e compulsórios do Banco Central (caso de bancos médios e pequenos). Tudo certo.
  2. Só que o custo dessa ajuda é altíssimo, a começar pela taxa básica de juros (13,75%), a SELIC, que é a taxa de juros real mais alta do mundo. Fora o spread, que no caso dos bancos públicos até que são razoáveis (apenas para o padrão local!). Só que os demais bancos estão cobrando muito mais, pois a liquidez está escassa no sistema como um todo. Tudo errado.

O ativismo governamental está centrando fogo nos seguintes focos da crise:

  1. Limitar a falta de liquidez de bancos pequenos e médios (na marra)
  2. Reativar setores (“cadeias produtivas”) importantes para o emprego
  3. Incentivar o consumo da população – em especial da baixa renda

Só que, como de hábito, Fazenda e Banco Central atuam como inimigos na trincheira. Parece que o BC realmente não acredita que haverá uma forte retração econômica no país, ao mesmo tempo que, por outro lado, teme que há um processo inflacionário recalcitrante a ser atacado com força.

Se pensarmos que a recessão que galopa rapidamente é um incêndio, a Fazenda se comporta como o bombeiro zeloso, mas o BC brinca com o isqueiro no meio do incêndio. Já o BC acha que incêndio mesmo é a inflação. Então, dá-lhe jato d’água e pó químico, enquanto a Fazenda prepara-se para jogar mais lenha no fogaréu.

Existe um processo inflacionário, não há dúvida, pois a desvalorização do real foi brutal e certamente haverá repasse do custo inflado dos produtos importados. E não há evidência alguma que o câmbio voltará a um patamar próximo de R$ 2,00. Em 2009, será de R$ 2,20 pra cima, na minha opinião.

Agora… o governo liberar a torneira de liquidez de um lado e o mesmo governo cobrar caríssimo por essa mesma água parece-me um equívoco. Parece-me que o “chefe” dos senhores Mantega e Meirelles deveria chamá-los para uma “conversinha”.

Reparem que 6 meses – sim, é só isso – atrás, o fantasma global era a inflação em função dos altos preços das commodities. Naquele período, nosso BC foi exemplar ao iniciar um vigoroso processo de alta de juros, enquanto os demais bancos centrais titubeavam. O nosso Henrique Meirelles foi festejado em todos os fóruns internacionais. Quando o vento mudou de lado – e não há dúvida de que mudou lá e aqui – os outros BCs foram vigorosos em dobro, derretendo suas taxas de juros, mas aí o nosso – que historicamente tem viés altista – resolveu ser triplamente cauteloso.

O momento pede uma outra abordagem.

Saudações e um bom dia a todos.

Fernando

PS: hoje tem Fernando Blanco no Conta Corrente, do canal Globonews, às 20:30. Não percam! Promessa de grandes revelações!! 🙂

Caros – eu tento, eu juro que venho tentando ser menos pessimista. Mas quanto mais se cava, mais coisa errada e perigosa a gente acha. Eu já comentei sobre os Hedge Funds. Eles compõem a primeira bomba-relógio: dependendo de quem explodir, o mercado e o crédito sofrerão novos enormes abalos – assumindo que o FED não irá ajudar fundos (não-banco) ultra-especuladores.

Agora que as cotações reagiram um pouco, os jornalistas foram atrás de mais uma bomba-relógio. E acharam os já falados cartões de crédito dos americanos. O texto abaixo, em inglês, mostra a crescente preocupação de banqueiros e governo com a contínua deterioração das carteiras de bancos, empresas de cartões e varejistas. E como a situação econômica só irá piorar nos próximos 12 meses, espera-se também que o desemprego contribua para que hajam perdas ainda maiores. Falam em USD 55 bilhões nos próximos 12-18 meses – já tiveram mais de USD 20 bilhões este ano. Eu acho que será pior. Pode considerar mais USD 100 bi na conta de Mr. Paulson & Mr. Bernanke.

A situação não seria tão grave se os bancos não estivessem tão descapitalizados e tão fragilizados gerencialmente.

http://www.nytimes.com/2008/10/29/business/29credit.html?pagewanted=1&_r=1&hp

O link abaixo mostra um complemento perigoso para o consumo dos americanos: o índice de confiança do consumidor bateu o recorde histórico de baixa, desde que o índice foi criado. Isso fortalece o sentimento de que a recessão será forte e duradoura, conforme previu Nouriel Roubini meses atrás.

http://www.ft.com/cms/s/0/776b96f0-a4f8-11dd-b4f5-000077b07658.html

Anotem aí: o fim do liberalismo americano atingirá novos patamares. O Barack Obama terá que resgatar pessoas físicas, como nem o mais radical republicano sonhou fazer. Terá que cancelar impostos durante um ano ou coisa parecida, pois a população está quebrada de tanto crédito e ainda perdendo emprego aos milhares por semana (segundo as estatísticas). Após resgatar bancos, após o FED emprestar dinheiro para EMPRESAS, o que mais falta? Financiar o cidadão comum, oras – afinal, eles é que votam! E o farão via corte brutal de impostos ou algo com similar criatividade.

Bem, certamente não haverá tanto dinheiro no mundo para comprar tanto título público americano. Acho que a máquina de imprimir dólares será usada com sofreguidão. Mas aí tem inflação, né? É… mas deixa isso pra lá…um drama de cada vez.

Oremos para eu estar errado!

Fernando

Caros,

O link abaixo vem do A Mão Visível (ver Blogroll ao lado). Nele o Alex, utilizando-se de dados do Celso Pastore (ex-BC, consultor e professor), prova que o Brasil não “importou” inflação via preços das commodities. Nos últimos dias, vêm se alardeando que a inflação caiu no país, por conta da queda dos preços de várias commodities (esta é a tese, inclusive, do ministro Mantega).

Assumindo que feras como Alex Schwartsman e Celso Pastore estão corretos, a “porção inflação de custos” da nossa carestia estaria eliminada. Sobraria então a “porção inflação de demanda”, que existiria por conta de excesso de consumo, turbinado pela retroalimentação de importações baratas, emprego e salários em alta e, principalmente, oferta de crédito abundante.

Então, a queda da inflação teria a ver com uma suposta combinação de oferta de bens e serviços em alta (pouco provável) e redução do crédito (mais provável). Esta é a tese do Blog do Crédito, i.e. ambos, endividados, bancos, varejistas e seguradoras de crédito, chegaram perto do seu limite de concessão e doação de crédito.

Fica agora o gerenciamento dos maus bocados que passarão os neo-endividados, num momento de aperto de monetário.

Abraços e boa leitura (bem técnica), FB

http://maovisivel.blogspot.com/2008/09/ainda-o-preo-de-commodities-e-inflao.html

Pois é, será que a inflação está caindo pra valer porque o consumo caiu? E se caiu, caiu por que? Será que o crédito está mais restritivo para os não-endividados? Ou os neo-endividados é  que estarão mais enroscados? Mas o problema não era com o preço das commodities, cujos preços estão caindo nas bolsas internacionais? …

Resposta única: ninguém sabe de nada. Vivemos dias complicados, aqui e lá fora. É tanto chutador, que uns poucos pobres analistas sérios ficam com as suas opiniões difusas no meio de tanta bobagem que escrevem e declaram por aí. Eu sou honesto: não faço idéia!

Agora, uma coisa é certa: desaceleração econômica é sinônimo de piora no crédito. O emprego cai, a renda cai, o orçamento das famílias aperta e…NÃO É HORA DE SE ENDIVIDAR!

Abraços, F.

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRN0243142120080902

Leiam abaixo um artigo do Clóvis Rossi, da Folha de SP. Ele não é um especialista em crédito, mas nos ajuda a refletir.

Tenho apenas um comentário: quando ele fala que a PJ leva em conta os juros….hum…nem todas, na verdade, muito poucas. A maioria delas é administrada por uma PF, que pouco conhecimento tem do tema, pouco tempo tem para se dedicar ao tema e, pior, por não gostar do tema se afasta ainda mais do mesmo. Abs, FB

 

O besouro e o crédito

Clóvis Rossi

 

SÃO PAULO – Diz-se do besouro que não pode voar, pela sua aerodinâmica. No entanto voa. Daria para dizer a mesma coisa sobre o crédito no Brasil: na teoria, o aumento dos juros deveria derrubar a demanda por crédito. Na prática, o crédito voa -ou alcança um recorde após o outro. Em julho, chegou ao nível máximo desde que começaram a ser coletados os dados pelo Banco Central.
É mais fácil explicar por que a demanda por crédito continua subindo, apesar do aumento do custo do dinheiro, do que explicar por que o besouro voa: brasileiro não leva em conta o nível dos juros, mas o valor da prestação. Se cabe no bolso, pega dinheiro, mesmo pagando mais.
É verdade que são as pessoas jurídicas que estão buscando mais crédito -e, em tese, elas, sim, levam em conta a taxa de juros. De todo modo, fica evidente que o aquecimento da economia tende a se manter, na medida em que o crédito é um dos combustíveis mais importantes para o consumo.
Logo, é igualmente evidente que se torna mais e mais ingrata a tarefa do Banco Central de derrubar a demanda via aumento dos juros.
O que, por sua vez, significa que soa bem provável a previsão da grande maioria dos economistas de que os juros continuarão subindo e subindo. “Uma Selic [taxa de referência do BC] de 14,75% em dezembro é muito provável, assim como sua manutenção por uns quatro a seis meses, entrando em 2009”, escreve, por exemplo, José Francisco de Lima Gonçalves, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e economista-chefe do Banco Fator, para o número mais recente do boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, também da USP.
Vai acabar levando a inflação para o centro da meta em 2009. Mas, acrescenta Lima Gonçalves, “o custo será a redução do crescimento do PIB de 5% para 3,5%”.
É um bom negócio?

Caros,

O link abaixo, do estadao.com.br, mostra que os preços estariam se comportando melhor, após eu e o mundo ficarmos apavorados com a escalada inflacionária de proporções globais. Deus queira!

Ainda é cedo para afirmar que isto é uma tendência, pois há mil motivos para que seja apenas alguma acomodação temporária.  O fato é vivemos num mundo novo, cuja dinâmica de funcionamento ainda não é conhecida por ninguém – repito, ninguém! As commodities agrícolas, metais/minerais e o petróleo vinham subindo aloucadamente, e ninguém sabia (ou sabe ainda) o quanto deste movimento tinha a ver com especulação nas bolsas de mercadorias (i.e. nas BMFs do mundo, que são várias e gigantes) ou demanda aquecida (chinesa, indiana, brasileira, etc.).

Agora os preços das commodities começaram a cair, mas ninguém sabe mesmo o quanto desta queda tem a ver com ‘refluxo especulatório’ e quanto deste movimento, de fato, chegará no preço dos produtos que são consumidos pela sua e pela minha família.

Uma coisa é certa: o pior mal que poderia nos (brasileiros em geral) atingir hoje é uma inflação fora de controle. Com ela o Banco Central continuará aumentando a SELIC (minha aposta é 15% até o final de 2008, lembram?) e isto é ruim para todo mundo. Façamos a nossa parte: é só evitar de comprar produtos com preços remarcados e trocar de varejista.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080824/not_imp229785,0.php

E na mesma linha, segue também um podcast de Miriam Leitão com o Carlos Alberto Sardenberg, na Rádio CBN.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/wma/wma_e.asp?audio=2008%2Fcolunas%2Fmleitao2%5F080822%2Ewma

Abraços, FB

Caros,

O FED (Banco Central americano) decidiu não mexer na sua taxa básica de juros, mantendo-a em 2% a.a. Lá o COPOM chama-se FOMC. Leiam o link abaixo.

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/08/05/fed_continua_ver_riscos_para_crescimento_inflacao_nos_eua-547579606.asp

O que incomoda é ver uma economia dinâmica como a americana na maior recessão e ainda assim estar temerosa de surto inflacionário. No passado, quando o mundo era normal, isto raramente acontecia. Agora não, acontece em qualque lugar do mundo, graças aos preços enlouquecidos da energia (i.e. petróleo), dos minerais e dos alimentos.

O FED está paralizado, pois se aumentar os juros para combater a inflação, derrubará ainda mais a anêmica economia americana. Se baixar os juros – que já estão baixos – para aquecer a economia, será como dar anabolizante para a inflação! O Greenspan fez fama, mas deixou a maior bomba relógio para o Bernake…e ela explodiu!

Sds, Fernando