Dados: ABPO, via Blog da Miriam Leitão

Primeiramente, espero que todos tenham tido uma Feliz Páscoa!

O gráfico acima mostra três coisas:

  • Duas curiosidades: o pico das vendas de 2008 foi mais alto do que nos anos anteriores e a queda também foi muito mais vertiginosa.
  • Uma importante: a curva de vendas começa a se recuperar.

O papelão ondulado é um item que nos ajuda a entender a atividade econômica, pois é chamado de “embalagem das embalagens”. Quase tudo é embalado em papelão ondulado. Quando se produz e vende-se muito, há muito o que se embalar e, portanto, o papelão ondulado vende que nem ‘pão quente’. A recíproca é 100% verdadeira.

Hoje, Márcia De Chiara, do Estadão, nos traz duas matérias bastante ilustrativas sobre a produção no Brasil. Ver a seguir: Economia dá sinais de recuperação e Nocauteada, indústria perde R$25 bilhões em 6meses.

A segunda matéria ilustra o trágico último trimestre de 2008, com perda de rentabilidade. A reportagem não aborda, mas a indústria perdeu crédito também – volume e prazo, com custo mais alto – e é isto que atrasa a retomada dos negócios.

Já a primeira matéria demonstra o que o gráfico acima torna transparente: muito setores voltaram a produzir. A razão é simples e fundamental: os estoques estão se ajustando. As liquidações de Natal e pós-Natal fizeram efeito e as prateleiras e armazéns começaram a ficar vazios.

Atenção, ninguém – que eu saiba – está investindo! Estamos falando de retomada da produção básica, mas isto é importante para manter e recuperar aos poucos os empregos perdidos. A retomada dos investimentos em novas fábricas, linhas de produção, etc., dependerá do otimismo do consumidor e do empresariado – e em seguida dos banqueiros! Estamos londe disso ainda. Teremos um projeto aqui e outro alí, motivados por um ou outro empresário visionário, arrojado e capitalizado. Se faltar qualquer um destas três características, não tem expansão.

O crédito está se recuperando, aos poucos, via empréstimos para as grandes empresas, que repassam sua liquidez para fornecedores e clientes (via prazo de pagamento). Os bancos começam a analisar os balanços e notam que, apesar da hecatombe do final de 2008, as empresas estavam suficientemente capitalizadas. Isto viabilizará a retomada do crédito para capital de giro.

Spreads – estes só cairão na medida que a oferta de crédito ultrapassar a demanda. A demanda anda fraca – porque os negócios andam devagar -, mas para as empresas transparentes e profissionais no Relacionamento Bancário os spreads JÁ ESTÃO CAINDO – E RÁPIDO!

Amigos, o crédito voltará para o seu negócio – em volume, prazo e preço mais baixo – mais rapidamente se você for transparente com seus bancos. Só isto funciona. Palavra de escoteiro!

Abraços e ótima semana!

Fernando

PS: a inadimplência (em geral) está muito alta e continuará subindo. Na minha opinião, este processo só se reverterá a partir de junho/julho.

Acho que depois do filme de Spielberg,  A Lista de Schindler, a lista de clientes de Bernard Madoff, o maior fraudador da história das finanças internacionais, deve ser a que dará maior ‘ibope’.

Clique abaixo e olhe com atenção, para descobrir se o seu banco e/ou seu fundo investiu nos fundos de Mr. Madoff, ou em outros fundos que o fizeram.

http://projects.nytimes.com/creditcrisis/madoff_clients/table

F.Blanco e os fundos de investimentos – eu não tinha um centavo investido nos fundos de Madoff, ou em fundos que possivelmente pudessem investir nos fundos dele. E não foi por “pura sorte”. Por que? Eu sou um executivo financeiro e, apesar de hoje lidar exclusivamente com seguro de crédito, já convivi bem de perto com boa dose de exotismo financeiro e com gente que investia sua grana em operações de alto retorno (e alto risco).

Eu, por outro lado, nunca (!) investi em nada mais complicado do que em um fundo de renda-fixa/DI ou num fundo de ações (sem alavancagem, sem derivativos, etc.). E mais, tais aplicações sempre foram feitas nos bancos em que eu tive minha conta-salário (i.e. bancões acima de qualquer suspeita). Sempre fui avesso a ‘boutiques’, pois estas, apesar dos talentos que possam lá trabalhar, não têm lastro para bancar uma perda de mercado ou fraude – com um bancão, que tem muitos outros negócios a perder com o investidor (e que tem muito capital para absorver o impacto), a conversa é diferente.

Sou careta, que é ser mais do que conservador. Acho que deve-se ficar bem de vida, rico ou milionário (você escolhe) através do trabalho e da poupança, nunca através de apostas em mercados ou intermediadores financeiros de alto risco – conheci muita gente que perdeu muito dinheiro (“na física” e “na jurídica”) no Banco Santos. Inexplicável. Nada contra quem o faz, mas que não reclame das perdas, pois o jogo é de alto risco.

Abraços,

Fernando

A NOTÍCIA ABAIXO MERECE DESTAQUE: EU NÃO ME RECORDO DE TAMANHO JURO REAL SENDO PAGO PARA O POUPADOR COMO AGORA. EXISTEM DOIS MOTIVOS SIMPLES PARA TAL SITUAÇÃO:

  1. A CAPTAÇÃO EXTERNA DOS BANCOS (E EMPRESAS E GOVERNOS, ETC.) SECOU POR CONTA DA CRISE INTERNACIONAL, i.e. ESTÃO COM DIFICULDADE PARA OBTER FUNDING.
  2. O VOLUME DE CRÉDITO É ALTO E OS BANCOS PRECISAM DE MUITO FUNDING.

É AQUELA FAMOSA LEI DA OFERTA E DEMANDA! AS TAXAS DE JUROS – QUE VOCÊ PAGA E PELA QUAL TAMBÉM É REMUNERADO – REAGEM A ELA TAMBÉM.

ABRAÇOS, FB

PS: PARA QUEM É TOMADOR – E NÃO TEM OFERTA EM EXCESSO A SUA DEMANDA POR CRÉDITO – OS JUROS ESTÃO ALTOS E SUBINDO!

Taxas do CDB apontam para cima Os bancos voltaram a elevar as emissões de Certificado de Depósitos Bancários (CDB), em agosto, com captação líquida de R$ 31,3 bilhões, somente inferior ao mês de abril (R$ 32,6 bilhões). A oferta trouxe novamente para cima as taxas, que em agosto chegaram a apresentar picos de 107% do CDI, invertendo movimento de leve recuo em julho, quando a média ficou próxima a 103,5% do CDI.  

 

As taxas vêm subindo desde o início do ano, por conta do agravamento da crise americana das hipotecas, que restringiu o acesso a recursos externos e também pela criação do compulsório dos depósitos interfinanceiros das empresas de leasing, obrigando os bancos a reforçar o caixa com CDB. “O patamar está mais alto por conta da concorrência mais acirrada”, conta Eduardo Jurcevic, diretor do Banco Real.

Em abril, foi registrado o maior volume de captação de certificados, R$ 32,6 bilhões, com o custo para os grandes bancos tendo atingido 105% do CDI, para prazos acima de um ano. Este foi justamente o mês anterior à entrada em vigor da alíquota do compulsório das leasings (que aumenta 5 pontos a cada dois meses, até atingir 25%). Nos meses seguintes houve uma redução do ritmo, e o preço apresentou leve recuo, mas não retornou ao patamar pré-crise.

O excesso de oferta e uma certa restrição de recursos por conta de uma menor participação de estrangeiros puxaram para cima as taxas. Grandes bancos, que pagavam entre 100% e 102% do CDI, passaram a emitir papéis com até 105% do CDI. “As taxas vêm crescendo. Até o BNDES captou a 103% do CDI. Ano passado havia uma liquidez muito grande, mas o mercado mudou”, afirma Antonio Teixeira, diretor-geral da Cetip.

Flávio Stanger, diretor do Banco Modal, avalia que este passou a ser o novo piso do mercado. “O BNDES tem as melhores categorias de rating e entrou no mercado balizando uma taxa relativamente alta. Ninguém vai captar abaixo disso, para determinados prazos.”

Essa tendência, pelo menos no curto prazo, não deve mudar, segundo Eduardo Athayde, diretor-executivo de captação do Banco Prosper. “Até os bancos grandes estão captando a taxas inimagináveis, na casa dos 107% a 108% do DI por papéis de dois anos, com reflexo em toda curva. Não consigo vislumbrar alteração enquanto não houver melhora no cenário externo.”

Athayde ressalta, no entanto, que hoje os bancos têm conseguido repassar as altas para os empréstimos. “No ano passado, houve um boom de liquidez. Muitos bancos estavam capitalizados e mais preocupados em aumentar a carteira do que a rentabilidade. Hoje, com o enxugamento da liquidez, existe a tentativa de melhorar a rentabilidade.”

Arthur Hime de Araújo, executivo de relacionamento com investidores institucionais do Banco Schahin avalia que os custos ainda podem subir. “Hoje, como estratégia, não deixaria de tomar recursos pelo maior prazo possível. Baixa não vem. Se fosse apostar, apostaria em alta das taxas.” Ele ressalta que os bancos de médio porte são mais sensíveis a prazo do que a volume. Isso porque precisam casar o balanço de captação com o crédito ao consumo. “Os empréstimos do varejo giram entre 18 e 36 meses, portanto preciso de uma captação de prazo longo.”

Laércio Schulze, superintendente de tesouraria do Banco Daycoval, ressalta que, apesar do custo, há recursos disponíveis. “É importante dizer que a liquidez está bem grande. Tanto os bancos grandes quanto os médios estão captando via CDB.” Com relação às captações externas, essencial para alongar a carteira, Schulze avalia que o mercado está momentaneamente fechado, mas que novas oportunidades devem aparecer. “Deve abrir uma janela na segunda quinzena de setembro, ou em outubro”.

Luis Octavio Índio da Costa, presidente do Banco Cruzeiro do Sul, acredita que a janela será mais cara, mas que será uma oportunidade de captação mais longa. “Há liquidez, mas ela está mais restrita.”

Fernando Travaglini, de São Paulo
Valor Econômico – 02/09/2008

Vocês conhecem o FIDC, ou Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios? É uma opção interessante para quem tem um bom volume de ‘recebíveis’ em carteira, como varejistas, incorporadores imobiliários, etc. É uma opção de captação de recursos a custo mais baixo, i.e. ao invés de descontá-los num banco, a empresa pode montar um fundo e vender quotas deste, para investidores dispostos a correr este risco (que em geral é bem diversificado e tende a ser baixo).

O custo para colocar o fundo funcionando é alto e o ponto de equilibrio (custo vs rentabilidade) se dá quando o fundo tem ao redor de R$ 50 milhões de recebíveis/aplicações. E tal volume não para qualquer um, porém, atuando de forma coletiva talvez dê. Várias associações vêm tentando lançar FIDCs, mas com uma boa dose de insucesso. Mas vale investigar.

O link abaixo foi enviado pelo amigo Raul Marinho (obrigado!). Abraços, F.

http://br.noticias.yahoo.com/s/080801/31/gjql62.html

Vocês sabem que eu não escrevo sobre investimentos neste blog. Acho que já tem muita gente analisando os mercados de ações, dólar, commodities, etc. Estou certo que isso leva certas pessoas a acharem que é assim que ficarão ricas, esquecendo-se que o primeiro passo é poupar pra valer.

Mas o link abaixo é uma interessante nota sobre poupança e tem a ver também com Educação Financeira, este sim é um tema que me seduz.

http://economia.uol.com.br/financas/investimentos/2008/07/24/ult5346u76.jhtm

Aí me veio à cabeça um ERRO que a imensa maioria dos brasileiros comete:

1. Primeira coisa que faz é poupar uma parcela do salário, por conta de disciplina, controle, etc.

2. Em seguida, quando a grana acaba (porque poupou), ao invés de sacar recursos dos investimentos o cidadão faz compras à prazo ou entra no cheque especial.

Isto é o que chamamos de arbitragem negativa, ou seja, o dinheiro poupado é investido a taxas equivalentes a 80% do CDI, enquanto as suas compras à prazo custam no mínimo 4 vezes o CDI.

Este tipo de comportamento traz uma falsa sensação de seriedade e responsabilidade: “Ah, eu poupo R$ 2.500 por mês religiosamente!”, me dizia um amigo. Mas no fundo o cidadão está apenas fazendo uma má gestão de ativos e passivos (i.e. de investimentos e dívidas) – mensalmente, o meu amigo adicionava outro anto de dívida com custo bem mais alto do que a rentabilidade de sua imaculada poupança.

Se a compra for inadiável, não poupe e compre à vista com desconto. Do contrário você estará fazendo dois favores para quem não precisa: um favor é para o banco, pois você estará dando funding barato para ele e o outro será para o varejista (ou para quem o financia), pois você estará pagando juros altos.

Como diz a canção da banda de rock Metallica: “Sad but true”…

Abraços e um grande final de semana! Fernando

Caros,

Há tempos que eu desejava postar sobre este tema: por que jornais, TV, rádio, sites, blogs, etc., dão TANTA atenção para o tema INVESTIMENTOS (aqui incluíndo bolsa, commodities, fundos, dólar, etc.) e tão POUCO espaço para CRÉDITO?

Primeira ótica: utilidade

  • Quem investe pra valer tem acesso aos home-brokers, entre outras fontes sofisticadas, i.e. em tese não precisa ficar lendo sobre isto em jornal (enquanto lê, a notícia já ficou velha).
  • Quem está endividado quase não encontra textos/entrevistas que o ajudem a lidar com a situação.
  • Há mais investidores ou endividados? Acho que o segundo grupo é maior e muito pior informado.
  • A informação sobre investimentos tem vida curta, logo se torna obsoleta. A de crédito é mais perene, dura mais – pode ser melhor trabalhada.

Segunda ótica: psicológica

  • Investimentos têm a ver com enriquecimento, dinheiro fácil (é o que muitos pensam, pelo menos), realização de sonhos. Há um viés prá cima, positivo, em termos de humor.
  • Crédito pode até a ver com a realização de um sonho (e.g. casa própria, automóvel), mas vem seguido de uma carga negativa que é a obrigação do pagamento. Sem falar nos infindáveis casos de endividamento por conta de problemas (e.g. desemprego em família, acidentes, doenças, etc.). É um problema gerando outro!

Os agentes de comunicação tendem a publicar aquilo que gera mais leitura/tráfego e, portanto, maior probabilidade de se obter patrocínio/propaganda. Normal, é do jogo.

Mas será que há um nicho para se escrever/falar sobre crédito, como estou tentando criar neste Blog? Tipo uma revista, um programa de TV via web? Ou um livro que trate da questão pra valer?

Agradeceria se comentassem à respeito.

Gracias + saludos! Fernando