Caros – este link da revista Cliente S.A. traz uma análise rápida sobre o crescimento do crédito no Brasil.

São otimistas. Bem otimistas. O volume (estoque) do crédito no Brasil está ao redor de 45% do PIB e já falam em números acima dos 50% em 2010.

O que vai acontecer:

  1. Crédito para PF continuará ofertado até que o cidadão endividado e desinformado, i.e. a maioria, se entupa de tanta dívida e comece a parar de pagar. Quando isto vai se dar eu não sei, mas só não acontecerá se houver algum milagre financeiro-educacional neste país.
  2. Crédito habitacional crescerá em rítmo galopante. Apenas uma crise de crédito (Parte II – A Missão) brecaria este avanço. Mas como é fatia pequeno do estoque de crédito, o impacto será pequeno.
  3. Crédito para investimento, de longo-prazo, para grandes empresas deverá ser fornecido por fontes como BNDES e emissão de títulos (debentures e bonds internacionais). Creio que não haverá falta de recursos.
  4. E para as PME’s? Aí é que mora o problema, pois os bancos e as seguradoras de crédito tiveram muitas más surpresas neste segmento de mercado e estão muito conservadores. O capital de giro continuará caro (ainda que menos caro) e de curto prazo…para aqueles que continuarem a se relacionar com os bancos de forma amadora!

Como sempre digo, analisar apenas o lado “quantitativo” do crédito ajuda, mas ajuda pouco, pois é no “qualitativo” da análise que a coisa pega.

Abraços, F.

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É, o Presidente está fazendo a parte dele, pois convocou os bancos a aumentarem o volume de empréstimos para as PMEs, afinal, estas são o verdadeiro motor da economia e principais geradoras de empregos.

Estou falando de Barack Obama! 🙂 Sim, ele chamou os bancões que receberam ajuda do governo e deu um aperto neles!

Só que, lá como aqui, este tipo de apelo não resolve, salvo se houver alguma promessa de “maldade” anexada ao discursos, tipo: “quem não aumentar em pelo menos 25% o volume de concessões de empréstimos para PMEs terá que recolher 10% a mais de compulsórios e…”.

Já disse e repito: crédito não sobe e juros não caem por conta de discursos. Faça sua parte e prepare-se profissionalmente para lidar com o seu crédito e seus bancos.

Abraços, F.

Quanto tempo…sim, eu ando sumido, mas é porque estou com a “batata assando” no meu dia-a-dia na Coface, mas também estou trabalhando forte num projeto chamado Instituto do Crédito (que terá blog também)!

Abaixo segue o link do Estadão de hoje, cujo Editorial comenta uma ótima reportagem do competente Leandro Modé. Acho que a matéria saiu na edição de ontem, mas não achei a versão eletrônica.

Inadimplência e Spread

 A confusão, por conta do desconhecimento de como os bancos tomam decisão, é cavalar. E a própria Febraban não ajuda, pois o seu economista-chefe talvez não entenda este funcionamento também. Quem sabe mesmo é quem trabalha no comitê de crédito da instituição.

É assim:

1. Como os bancos levam muito calote de, digamos, empresas de micro e pequeno porte, seus comitês de crédito aprovam limites de crédito pequenos.

2. Aí, você empreendedor vai aos bancos e, precisando de R$ 10 mil de crédito, só consegue R$ 9 mil e a muito custo.

2. Por conta desta oferta pequena, apertada – para as suas necessidades – você não tem poder de barganha junto aos bancos, pois precisa tomar tudo e ao preço que for pedido.

Moral da história: o spread é elevado para você, mas não é por conta de estatísticas, ou das famosas pizzas que certos analistas adoram produzir (refletindo os balanços antigos dos bancos) e que não servem para nada.

O fato é que os bancos não estão confiantes na adimplência de pequenas e médias empresas, que se machucaram muito na crise. De fato, eu acho que ele estão, aos poucos, lançando a perdas os muitos calotes que levaram de setembro/08 até abril/09. E isso deixa o humor do banqueiro muito negativo.

Eles preferem ganhar pouco aplicando suas sobras de caixa nos títulos públicos, via Banco Central, do que correr risco de crédito. E aí, como a oferta é baixa e a demanda é alta, os bancos têm maior poder de barganha e cobram caro. Todo o risco é ficção científica.

Agora, se a sua empresa é arrumadinha e você a apresenta corretamente para os bancos (com documentação adequada e transparência), você conseguirá linhas…caras, mas aos poucos elas vão barateando, na medida que os bancos ganham confiança em você.

Abraços,

Fernando

PS: e vá para o BB e para a Caixa, pois eles estão emprestando com gosto!

Semana passada eu conversei com dois empresários de médio porte, que são atendidos por plataformas de Middle Market. Os dois têm ótimos produtos, mas sempre foram gerenciados de forma amadora. Agora se profissionalizaram, mas a contabilidade ainda não reflete a nova gestão – isso demora pelo menos 1 ano.

Estão precisando de crédito. Um teve uma oferta a 1,7% a.m. e o outro a 1,65% a.m. Isto significa 22% a.a., ou um spread de 12,5% a.a. Notem que eles pagam 2,5 vezes a SELIC – daí a minha eterna luta para que se discutisse o spread e não mais a SELIC.

De acordo com o Relatório do Banco Central, os juros médios para as empresas estão em 28,5% a.a., i.e. meus interlocutores, ao pagarem 22% a.a., pagaram um tantinho abaixo da média (que inclui pequenos varejistas, nano-empresas, etc.).

Podem pagar menos, mas precisarão se apresentar melhor para os bancos, estruturando-se melhor para isso.

Abraços, F.

Prezados amigos,

A SELIC caiu mais 0,5% e foi fixada em 8,75% a.a. – recorde histórico. Não esperem novas quedas.

Já os juros, que embutem o spread bancário, ainda podem cair mais um pouco, mas isto não depende do governo. Depende de você.

O Estadão de ontem trouxe reportagem de Leandro Modé, que me entrevistou. Eu repeti a eterna ladainha: juros não caem por decreto, discurso ou oração…cabe a cada um de nós se apresentar corretamente para os bancos, profissionalizar o relacionamento com eles, sempre visando reduzir a percepção de risco que eles têm de você e sua empresa.

Só assim a oferta de crédito aumenta e você pode barganhar mais, entre um banco e outro. Aí os juros caem. Palavra de escoteiro.

Na reportagem, um professor não identificado diz que “os bancos aproveitam que o produto que vendem (dinheiro) está escasso para cobrar mais“. Eu não sei se ele quis dizer isso para criticar os bancos ou para explicar o fato em sí. De qualquer forma, a frase é absolutamente correta, pois a precificação dos juros segue a lei da oferta e da procura. Igualzinho ao que acontece com tomate e banana na feira, ou aluguel de imóveis, entrada do cinema, etc.

Na minha visão, a oferta de crédito tende a aumentar:

  1. SELIC baixa desencoraja o investimento em títulos públicos e os bancos e investidores passam a procurar créditos que tragam uma adequada relação entre risco e retorno.
  2. Os bancos aprenderam a emprestar. O fizeram de forma exagerada, assim como se retrairam excessivamente. Mas voltarão a emprestar mais, aos poucos.

Faça a sua parte: profissionalize a sua relação com os bancos. Negocie, busque taxas mais baixas e as encontrará (*).

Abraços,

Fernando

PS: dá trabalho, mas vale a pena!

Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza…”

Assim cantava, na distante e charmosa década de 70, o controverso Wilson Simonal. Mais ufanista do que esta, só aquela “Este é um país que vai pra frente…”, cuja letra parece ter sido ditada pelo então Ministro-chefe da Casa Civil, General Golbery do Couto e Silva – eu disse Casa Civil? Velhos tempos… 🙂

Mas é isso: somos ufanistas, bem humorados, otimistas, pensamos positivamente, não tem crise que abale a nossa confiança…e não estamos nem ai para os juros altos.

É só por isso que os dados recém divulgados sobre intenções de consumo estão em níveis pré-setembro de 2008. E eu digo: que bom! Se tivéssemos a cabeça dos europeus, o país estaria numa recessão daquelas, ainda que os juros estivessem lá embaixo (lógico, porque os meus amigos europeus me dizem que os juros verde-amarelo são ultrajantes e que não comprariam nada a prazo se aqui morassem).

Se por um lado este novo boom de consumo é ‘patrocinado’ pela oferta de crédito, por outro lado a inadimplência não para de subir e essa conta não fecha…

Mas a melhor notícia que tenho mesmo é que as siderúrgicas começam a dar sinais de retomada de produção, i.e. ajustaram seus estoques e a demanda da construção civil, de infraestrutura e bens de consumo duráveis mostra-se firme.

Boas notícias! “Moro, num país tropical…”

Abraços, F.

Amigos,

Eu não sou economista, mas fui um bom aluno de economia quando estudei Administração de Empresas, na FGV, em…terá sido no século 19 ou faz menos tempo? Como faz muito tempo e o meu “reservatório intelectual” não é dos mais maiores, eu resolvi guardar apenas um conhecimento de macroeconomia, que é a fórmula do Equilibrio Macroeconômico.

Ela me é absurdamente útil para analisar a conjuntura econômica, o estado do crédito no país, etc. E é por isso que eu divido com vocês os meus parcos conhecimentos sobre o tema.

Conjuntura – no Brasil, a situação do crédito já esteve pior, não há dúvida, mas ainda assim estamos longe do ideal. E por três motivos:

  1. Os bancos e as seguradoras de crédito corporativo continuam colecionando problemas de crédito, o que reduz o apetite de risco desta turma. Menos crédito ofertado = preço mais alto pelo crédito (juros pra cima!).
  2. Bancos e investidores internacionais também continuam sem apetite para crédito nos seus próprios países, muito menos para o nosso. (idem)
  3. As empresas também perderam interesse no crédito. Menos crédito demandado…juros mais baixos para quem nega a oferta dos bancos.

É isso mesmo: a oferta e a demanda por crédito andam retraídas nestes dias de ressaca econômica – e não é só por causa dos bancos, pois muitas empresas brecaram também.

Isto posto, olhando para a equação do equilíbrio macroeconômico, temos que:

Y = C + I + G + (X – M), onde:

Y = Demanda agregada, ou PIB

C = Consumo das famílias (i.e.  aluguel, alimento, escola)

I = Investimento das empresas (i.e. máquinas, equipamentos)

G =Gastos do governo (custeio + investimentos)

(X – M) = Saldo da balança comercial, ou exportações menos importações

Algumas contrapartidas desta fórmula são:

  • C demanda W (do inglês “wages”, ou salários) e crédito disponível.
  • I demanda S (do inglês “savings”, ou poupança) e crédito disponível.
  • G demanda T (do inglês “tax”, ou impostos) e crédito disponível. 

Observações sobre os pontos acima: no Brasil W é baixo demais, mas a massa salarial vem crescendo, graças à política do governo Lula, que vem aumentando o salário mínimo além da inflação e aumentando seu poder de compra graças ao Bolsa Família. Já S é mais baixo ainda, pois temos carências de sobra e hábitos consumistas excessivos para a renda que temos, i.e. poupa-se pouco no Brasil. E T? Bem, T não para de subir no Brasil, graças a eficiência arrecadatória da Receita Federal.

Fácil, não é? Pois bem, considerando-se que no Brasil W e S são baixos, a única forma para o agregado C + I + G + (X – M), i.e. o PIB, crescer é que haja crédito, muito crédito disponível, para que os agentes econômicos possam financiar seus gastos. E neste, como andará o quadro deste agregado Y (ou PIB)?

C = o consumo vai mais ou menos bem porque o crédito para o consumidor continua firme, segurando o PIB. Mas como este consumo não é explosivo, varejistas e industriais não vislumbram investimentos para suprir a demanda. As empresas estão tomando crédito, em sua imensa maioria, apenas para capital de giro.

I = nossa indústria já vinha investindo consideravelmente nos anos anteriores (nível de 18% do PIB) e não irá ampliar a capacidade, pois: (a) os juros estão altos, (b) há falta de fontes de crédito de longo-prazo e (c) há incertezas quanto ao crescimento econômico. É por isso que o setor fabricante de máquinas e equipamentos está vendendo tão pouco e o BNDES vive anunciando que os pedidos para suas linhas vêm caindo tanto.

G = este é um setor que gasta com gosto, até para compensar a anemia dos demais parceiros de demanda agregada – o que entra no caixa do governo via T, sai em G – 🙂 – só que a grande crítca é que o governo gasta mal (muito custeio da máquina pública  e pouco em investimentos em infra-estrutura).

(X – M) = o quadro é depressivo, pois o mundo desenvolvido está deprimido e compra muito menos do que temos para oferecer. Vide os preços das commodities e os alto-fornos desligados das siderurgícas. O crédito para o comércio exterior está mais normalizado (graças ao Banco Central e ao Banco do Brasil), mas custando bem mais do que antes.

Isto tudo posto, é natural que nossas empresas estejam tímidas na captação de crédito. Algumas consequências:

  • O spread bancário vem caindo para as grandes empresas, assim como para aquelas não tão grandes mas que se apresentam para os bancos de maneira profissional.
  • Os bancos, que precisam ganhar dinheiro e não querem risco com as menores, acabam por canalizar suas linhas para as grandes e a competição reduz o spread que elas pagam. Só isso.
  • Assim que a inadimplência da PJ e do Middle Market se acalmar, veremos os bancos brigando novamente para emprestar para estas, o que puxará ainda mais o spread para baixo. Daqui a 1 ano, os spreads que a Nestlé, Perdigão, Basf, etc., pagam estará tão baixo que os bancos passarão a brigar pelas empresas do Middle Market. Nada de novo, sempre foi assim.

Mas atenção: os bancos e seguradoras de crédito aprenderam a lição e não irão mais distribuir crédito longo, barato e sem garantias para qualquer um, como fizeram até setembro de 2008.

É isso. Espero que a fórmula do equilibrio macroeconômico torne-se útil para vocês, assim como vem sendo para mim…nos últimos séculos! 🙂

Abraços, F.