Caros – segue o link da entrevista que eu dei para o Roberto Nonato, da CBN, na última 5af. Abs, F.

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Em poucas palavras (depois escreverei mais), o relatório oficial de abril nos diz que:

  1. A situação é boa para PF: mais crédito ofertado e juros mais baixos.
  2. A situação é ruim para PJ (PME): menor volume ofertado e juros mais altos.

Isto são médias e médias são ‘burras’. Tem empresa de pequeno porte com boa oferta de crédito, pois são ligadas a cadeias de valor como Sadia e Nestlé. Tem outras, médias e grandes familiares, que têm bom crédito porque são profissionais no relacionamento bancário.

E eu acho que o crédito está bem fechado para empreendedores…

Quanto as PF’s, os bancos aprenderam que ganham um bom dinheiro com esse povo, só que não acredito que qualquer um irá conseguir financiar o carro novo em 6 anos, só com o CIC e o RG na mão.

Abraços, F.

Caros, o crédito veio com força na mídia impressa hoje. Os diários Estadão, Folha de SP e Valor Econômico trouxeram vários artigos sobre o tema, todos na mesma direção: mais crédito e juros mais baixos no Brasil.

Destaque para o Banco do Brasil, que anunciou a liberação de mais de R$ 13 bilhões em crédito, para 10 milhões de clientes. A reportagem da Folha diz que este crédito foi adicionado automaticamente às linhas já existentes destes clientes.

Isto significa que são linhas para pessoas físicas e pequenas empresas, pois as grandes têm seus limites definidos caso-a-caso em comitês de crédito. Também me é claro que este aumento de limites não se deu de forma homogênea para todos os 10 milhões de atingidos. Tem gente que ganhou mais linha e outros menos, sempre dependendo do perfil de risco de cada cliente, com base no chamado credit/behavior score.

De qualquer forma, esta pode ser uma ótima oportunidade para cidadãos e empresas que já têm conta no BB, assim como dívidas em outras bancos e financeiras. Explico: como tais clientes devem estar pagando juros mais altos em outros bancos, deveriam negociar crédito novo no BB e repagar tais dívidas.

Outros bancos também vêm anunciando melhores condições para empréstimos imobiliários e para financiamento de automóveis – com prazos bem dilatados. No entanto, o processo de concessão está mais rígido! Tais créditos não serão dados para qualquer um – ver post anterior.

E mais, eu não acredito que este movimento seja apenas um “soluço”, ou seja, temporário, como alguém declarou no Estadão. Acho que a oferta de crédito começa a se ajustar num novo patamar, que é mais baixo do que nos dias da farra pré-crise e acima do quase contingenciamento pós-15 de setembro.

Mas e os bancos, ficaram bonzinhos de repente? Não…apenas detectaram que o risco de crédito não ficou tão ruim como esperavam, limparam as carteiras de maus neoendividados e, finalmente, detectaram que estavam lucrando menos que o desejado.

Mercado de bonds internacionais – outra boa notícia vem do mercado de capitais internacional, com o aumento do apetite de risco dos investidores para títulos (bonds) emitidos por empresas brasileiras de grande porte e solidez comprovada. Apesar dos juros ainda altos (para o padrão internacional, destaque-se), os volumes são grandes (até USD 100 mi) e os prazos longos (3 a 5 anos neste momento), o que é quase impossível de se obter no Brasil de hoje.

Com a reabertura deste mercado, as grandes empresas brasileiras – que estão no meio de projetos de expansão – poderão captar recursos no exterior, deixando de competir com as empresas de menor porte, por recursos escassos.

Concluindo, caminhamos consistentemente para um aumento da oferta de crédito bancário no Brasil, forçando com isso a queda dos juros/spreads. Ainda está caro. Mas,  quanto menos crédito você demonstrar precisar, mais barato pagará por ele. Não se esqueça desta regra de ouro!

Abraços, F.

Calma, os lucros NÃO cairam porque o juros foram reduzidos! Muito pelo contrário, lamentavelmente…

Iniciemos com alguns axiomas:

  1. Banqueiro, mais do que qualquer outra espécie do ecossistema capitalista, tem intolerância para lucrar menos do que lucrou antes.
  2. Ninguém (fora o Controller do banco) pode dizer com certeza o quão preciso é o balanço publicado de um banco. Fraude? Não! Julgamento apenas (e.g. provisões para devedores duvidosos).
  3. Gerente de banco é obcecado por entregar resultado, para ganhar mais bonus, e precisa dar crédito e conquistar novos clientes.

Mas é fato que os bancos brasileiros estão convivendo com muito mais inadimplência. Por outro lado, não seria politicamente correto demonstrar que estão lucrando mais com a crise, enquanto reduzem a oferta e aumentam o custo do crédito.

De todo modo, assumindo que o que lemos é a mais pura expressão da verdade contábil, temos:

  1. Os bancos irão buscar mais resultados a partir de agora.
  2. Eles vão querer emprestar mais, só que para as maiores empresas.
  3. E toparão emprestar para empresas menores, desde que com garantia de clientes grandes (tipo Adiantamento a Fornecedores), ou descontando recebíveis acima de qualquer suspeita.
  4. Desta forma, aos poucos, o spread cairá junto com a Selic

Analise este cenário e use-o a seu favor. Mas vá para a negociaçao de forma profissional, recheado de informações sobre você e sua empresa, para reduzir a percepção de risco que  banco tem do seu negócio.

Saudações, FB

Caros – ontem eu fui entrevistado pelo Carlos Alberto Sardenberg sobre o meu tema favorito: empresas que tiverem uma relação profissional com os bancos podem pagar juros/spreads mais baixos. Ouçam aqui.

Mas vale destacar que eu escrevo/palestro sobre este assunto há alguns anos e só agora a mídia passou a se interessar por isso. Ótimo sinal. Outro dia a Folha de S.Paulo também destacou o tema (ver abaixo).

Que assim continue, pois é tema de utilidade pública.

Abraços, Fernando

Muita gente pergunta, diretamente ou via Google, “quando os juros (e os spreads) vão cair”. Obviamente o foco desta pergunta é: quando os juros cairão para as PF’s e PJ’s (pequenas e médias).

A resposta é simples: quando os bancos aumentarem a oferta de crédito para estes segmentos. E isto acontecerá quando eles tiverem mais segurança. Em outras palavras, só quando eles tiverem a percepção de que o risco destes clientes darem um calote diminuir. Enquanto isto não acontece a oferta é pequena e os juros altos.

Por enquanto, os bancos e investidores só olham com “carinho” para as grandes empresas, e.g. Nestlé, Perdigão, Pão de Açucar, Votorantim, etc. As óbvias de sempre.

No entanto, em breve estas empresas terão oferta excessiva de crédito e, como consequência, elas poderão barganhar muito mais e os juros que pagarão será muito mais baixo. É neste momento que dizemos que há um “empoçamento de liquidez”, pois a maior parte do crédito é directionado para elas.

Resultado: os bancos começam a ganhar pouco dinheiro com as mega empresas e se animam em emprestar para as médias…e depois voltam a emprestar para as pequenas. É sempre assim desde que o mundo é mundo.

Agora, cabe a você (seja PF ou PJ) posicionar-se corretamente para que os bancos te enxerguem como um risco baixo e, portanto, passem a canalizar mais crédito para você. Só isso fará com que os juros que VOCÊ paga caiam mais rapidamente.

Não se engane pensando que pelo fato da SELIC ter caído os seus juros cairão também. Não existe uma tabela de preços “imexivel” na frente do gerente. Ele te cobrará os juros que imaginar que você pagará – cabe a você fazê-lo perceber que a sua oferta de crédito no mercado é alta e que ainda merece mais.

É isso + abraços, F.

…nunca esteve tão baixa, mas podia ter sido melhor. Eu dei umas declarações para a Folha de S.Paulo e divido com vocês a minha opinião sobre o efeito dela no crédito:

  1. Este 1% de queda não representará nada nas dívidas da imensa maioria dos brasileiros, em especial das famílias.
  2. Para elas, os spreads só cairão quando a inadimplência cair e esta é função do nível de emprego – que continuará ruim por um tempo.
  3. Já para as grandes empresas os juros (i.e. os spreads) já começaram a cair, na medida que os bancos detectaram que não houve nenhuma hecatombe.
  4. Agora, com a Selic mais baixa, o fluxo de empréstimos tende a aumentar para elas, que repassarão sua liquidez para suas cadeias, i.e. fornecedores (via adiantamento) e clientes (via prazo de pagamento).
  5. E assim as pequenas e médias empresas, que estão com acesso restrito ao crédito bancário, voltarão a respirar melhor.
  6. Este raciocinio não vale tanto para o pequeno e médio varejo, que vem sofrendo muito com a crise de crédito. Muitas empresas deste perfil vêm quebrando – e dando calote. Só que mudam o CNPJ e colocam o cunhado como acionista e a vida continua (não mudam nem a placa…).

É isso por enquanto. Saudações, F.