O caderno Negócios e Oportunidades do Estadão de hoje, traz uma matéria muito legal sobre o tema deste post – não consegui achar o link…

Antes de falar de crédito, falarei sobre gestão: não dá para gerenciar direito uma empresa – de qualquer tamanho – sem um adequado arsenal tecnológico. Segundo o SEBRAE nacional, pesquisa de 2005 indicava que apenas 47% das empresas brasileiras era informatizada. Um horror! Na reportagem de hoje, o Banco do Brasil informa que dos seus 1,9 mm de clientes PJ, apenas 500 mil (pouco menos de 25% do total) usa o internet banking. O segundo horror!

Bom, conforme destaquei no post anterior, sobre o leasing, este é o tipo de financiamento bom para o seu negócio. Abaixo as melhores opções:

www.bancodobrasil.com.br/mpe

Proger Urbano EMPL; juros = 0,95% a.m.; 72 meses

Cartão BNDES; juros prefixados; 36 meses

www.caixa.gov.br/pj/pj_comercial/mp/linha_credito

Investgiro Proger; TJLP + 5% a.a.; 48 meses

Cartão Caixa BNDES; TJLP + 3,8% a.a.; 36 meses

GiroCaixa; TR + 0,83 a.m.; 24 meses

www.bndes.gov.br

Os produtos do BNDES são oferecidos a partir da rede bancária, que faz a intermediação e garante o risco para o banco federal. Já os recursos (funding) são liberarados pelo BNDES.

Outros canais para saber das coisas:

www.office.microsoft.com/pt-br

www.driveit.com.br

Para concluir, um recado importante: empresa sem tecnologia adequada é mal vista pelos seus financiadores, pois isto deixa claro que o empresário não está ‘antenado’, a empresa não tem agilidade suficiente e ainda deve incorrer em erros de gestão (e.g. financeiros, controles, etc.), e dificilmente sobreviverá a concorrentes mais modernos.

Abs, F.

http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=2&menu=950

O amigo Raul Marinho informa que o Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), lançou o Programa Revitaliza (ver o link acima).

A quem se destina: setores intensivos em mão-de-obra e que foram fortemente atingidos pela valorização do real frente ao dólar. Os setors são: calçados e artefatos de couro, têxtil, confecções e móveis.

Vale a pena conferir, pois o juros são atrativos.

Abraços a todos e agradecimentos ao Raul. FB

Conforme disse ontem – e já havia dito antes -, bancos e demais financiadores de empresas PJs (e de PFs também) não são preconceituosos se a empresa paga, ou não paga, todos os seus impostos em dia.

Isto não significa que os bancos não avaliam a situação fiscal da empresa que deseja tomar crédito. As seguintes frase saem dos membros de um comitê de crédito:

  • “…está ganhando dinheiro e gerando caixa só porque não está pagando imposto…”
  • “…este não sobrevive à primeira visita do ‘Leão’…”
  • “…empresário rico, empresa pobre…”
  • “…esta empresa vai levar 10 anos para se formalizar…”
  • “…o empresário quer um sócio, mas com tanta informalidade jamais conseguir um que seja sério…”

Pois bem, outra coisa que todo mundo deveria saber é que a Receita Federal (assim como a Polícia Federal) está investindo e ganhando eficiência. As estatísticas estão aí para mostrar: mesmo com o final da CPMF a arrecadação tributária não pára de subir!

E com isso, o risco de empresa/empresário serem autuados e multados por sonegação aumenta diariamente.

Conselho dos bons: faças as contas (no detalhe e, de preferência, com apoio profissional externo) e conheça a situação da sua empresa, se ela pagar todos os impostos. O primeiro “bullet-point” da lista acima é muito importante e bancos sabem da sua situação. Sua empresa poderá perder linhas de crédito sem perceber.

Abraços, F.

http://economia.uol.com.br/ultnot/infomoney/2008/08/01/ult4040u13395.jhtm

O link acima é sobre recente novidade anunciada pela Receita Federal: cidadão (CPF) que declarar ganhar uma mixaria (seja via salário ou por outras vias), mas que girar uma fortuna pelas suas contas bancárias, correrá o sério risco de cair na ‘malha fina’. E o que isso tem a ver com Crédito?

  1. Ainda é comum no Brasil que as finanças da empresa se confundam com as do empresário. Na maior parte das vezes, a empresa tem números péssimos e o empresário leva um padrão de vida incompatível com o declarado para a Receita Federal.
  2. Empresário com problemas sérios com a Receita tem menos tempo para cuidar da empresa – e esta tende a se deteriorar.
  3. Se a Receita chegar até o IR da empresa, por conta da ‘malha fina’ do empresário, esta poderá se lascar também.

Um coisa é certa: os financiadores não têm preconceito quanto a empresas especializadas em ‘criatividade fiscal’. Mas bancos, seguradoras de crédito e fornecedores também não gostam de dar crédito (longo, bom e barato) para empresas que convivem com com alto risco contingente – exemplos: fiscal, ambiental e trabalhista.

Andar na linha – e divulgar isto corretamente – aumenta a oferta de linhas de crédito e, portanto, reduz o custo do dinheiro.

Vale para sua reflexão.

Abraços, Fernando

Empréstimo Tomado é Empréstimo Pago

“Empréstimo Tomado é Empréstimo Pago!!”

Sim, este post faz uma analogia ao Batalhão de Operações Especiais, da PM do Rio de Janeiro, e seu famoso mote “Missão dada é missão cumprida”.

O mote do crédito que maximiza o relacionamento bancário é “Empréstimo Tomada é Empréstimo Pago”. Analisemos:

1. Motivos: sempre que o cliente declara ter dificuldades para pagar um compromisso (seja para o banco, financeira ou seguradora de crédito), por mais que apresente as melhores razões do mundo, o gerente vai ficar com um pé atrás – mesmo que renove o empréstimo, ou cubra a conta, seja lá de que jeito for, a relação ficará marcada. Obviamente, se isto acontecer uma vez e nunca mais, a coisa é esquecida, mas se acontecer “de vez em quando”…e o principal motivo para atrasos nos pagamentos é, na verdade, a mania que nós brasileiros temos de deixar tudo para o último minuto. Se houvesse um melhor planejamento de caixa…

2. A solução: se não for possível pagar um compromisso, o mais correto (*) é tomar um empréstimo-ponte (no prazo em que você tenha fundos para repaga-lo) em outro banco em que você tenha linha de crédito aprovada e pagar aquela dívida a vencer. Notem que isto não significa bicicletear as suas dívidas. Esta é uma solução a ser usada quando você já sabe que logo terá entrada de caixa para zerar a tal dívida.

O objetivo deste post é alertar que furos de caixa custam caro, de um jeito ou de outro. Sendo assim, proteja a sua imagem no banco que está com dívida vincenda.

(*) quando digo “estratégia correta”, o faço de olho no que chamo de Maximizar o seu Relacionamento Bancário”, mantendo a sua imagem de bom pagador, responsável, organizado, etc.

Note que os empresários tem todos os motivos do mundo para atrasarem seus pagamentos, e.g. duplicatas a receber vencidas e não pagas, atraso no desembolso de um outro empréstimo-chave, acidente na fábrica ou logístico, etc. Porém, ainda que os seus credores estejam acostumados com este tipo de situação, atraso sempre causa algum tipo de alarme na sua agência bancária e no departamento de crédio.

Portanto, é bom evitar! Mesmo que, eventualmente, dê um pouco mais de trabalho e, no limite, possa até custar um pouquinho mais caro.

Abraços, F.

…dando continuidade à nossa saga de como tomar o crédito certo para a necessidade certa, na hora e no volume certo, vamos falar de:

2. Capital de Giro

  • Estas linhas se travestem de várias formas: Capital de Giro, Desconto de Duplicatas, Desconto de Cheques, Vendor, etc. Quase todo banco oferece este tipo de linhas, com maior ou menor restrição e custo.
  • É fundamental pedir a linha CERTA. Se a sua empresa tem um ‘buraco’ no seu ciclo de caixa de, digamos, 90 dias, no valor de R$ 2 milhões, é inadequado solicitar um empréstimo para o seu banco, no valor de $ 5 milhões e prazo de 180 dias, “só para ter uma folguinha”. Banco sabe fazer conta melhor que qualquer empresário e não lhe dará esta linha. Pior: seu nome vai ganhar uma (ou) ‘marquinha’(s) no ‘cadastro mental’ do gerente e/ou do comitê de crédito.
  • Exemplos de ‘marquinhas’: “O cliente não sabe fazer conta”, “O cliente é desorganizado”, “Ele quer captar mais do que precisa para usar em outro negócio que não consegue se manter”, “Ele quer captar mais do que precisa para comprar um carrão novo“. A lista é longa e não ajudará a vida do empresário no relacionamento com o banco.

3. Emergência

  • Todo e qualquer empresário tem dúzias de razões nobres para não conseguir liquidar um empréstimo na data pactuada (e.g. atraso no recebimento de uma duplicata grande, redução de vendas, atraso na entrega de mercadorias que atrasa a produção, atraso no desembolso de um outro empréstimo, acidente/dano industrial etc., etc.).
  • É para este tipo de ‘sangria temporária’ que existe a linha conhecida como Conta Garantida. Sem tirar nem pôr, é um cheque especial que o banco te oferece durante (e.g.) 180 dias (e.g. garantido por 50% de duplicatas). Até a data pactuada, você poderá sacar da linha no valor acordado e pronto.
  • Esta linha é, em geral, bem mais cara do que os empréstimos de capital de giro.
  • Esta linha se destina, portanto, para rombos temporários. Se o rombo se tornar estrutural (porque a empresa não consegue gerar caixa para zera-lo), troque a Conta Garantida por um Capital de Giro parcelado, com carência)

4. Expansão/aquisição

  • Os ativos de giro dão retorno, em geral, ao redor de 90 dias, que é o período que vai entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento das duplicatas. Já os ativos permanentes só geram retorno a partir do 2o ano (no caso de um pequeno comércio), ou 5 anos (uma planta industrial) ou 15 anos (um avião de grande porte).
  • Portanto, as linhas a serem captadas para este fim tem que ter prazo similar.
  • No Brasil, BNDES é a fonte! Porém, muitos se queixam da demora do processo – e tem razão de reclamar. Outra dificuldade reside no fato de que quase nenhum gerente de banco gosta de empréstimos do BNDES- em especial os de agência, que atendem as empresas menores! Por que? São muito mais trabalhosas e rendem spreads menores, em geral.
  • O leasing também é uma ótima alternativa para aquisição de equipamentos que dão retorno em 2, 3 anos.
  • Linhas exteras de médio/longo-prazo andam escassas, mais curtas e mais caras, mas são elas que abastecem os bancos, para que você possa tomar um Capital de Giro parcelado de médio-longo prazo.

5. Comércio Exterior

  • O grande lance para quem exporta é poder captar linhas de capital de giro pré-embarque (o famoso ACC) e financiar o recebível põs-embarque (o igualmente famoso ‘irmão-siamês ACE).
  • Estas linhas são dolarizadas e são mais baratas que as similares denominadas em reais.
  • Como sua empresa vai receber o pagamento de suas exportações em dolar, não há um risco imenso de se endividar em dolar, ainda que a moeda possa flutuar no período.
  • As importações também podem ser financiadas por linhas externas, mas aí poderá haver descasamento de moeda e isto não é recomendável.
  • Para o longo-prazo, o exportador pode recorrer às linhas conhecidas como Pré-pagamento de Exportação (ou PPE, ou ainda EPP em inglês). Em geral, são utilizadas para financiar expansões empresariais, que gerarão fluxo de exportação no futuro. São operações estruturadas por áreas Corporate do bancos e, dificilmente, uma empresa PME conseguirá tal linha, mas não custa tentar.
  • Nenhuma linha externa está abundante atualmente. O jornal Valor desta 2af traz uma boa reportagem – comentarei nesta 3af.

PS: há outras linhas de longo-prazo, internacionais, extendidas por organismos multilaterais, como o IFC, ou de fomento à exportação, como o US Eximbank. Os volumes, porém, são marginais e a dificuldade de se obter grande demais.

É isso por hoje. Novamente, o objetivo desta série de posts é alertá-los para os perigos de se tomar crédito no prazo e na modalidade errada. Amanhã tem mais.

Saudações Santistas (depois do 5X2 de ontem, no Vasco, voltei a sorrir!),

Fernando

Boa noite,

Este é o primeiro de uma série de textos que escreverei, por conta das inúmeras vezes que encontrei empresas tomando linhas de crédito erradas para suas necessidades. A similaridade para com a ingestão de alimentos é enorme.

Não se come uma bela feijoada no café-da-manhã, certo? Igualmente, não é recomendável que se almoce um prato de amendoins, assim como jantar um pote de doce de leite apenas. Tem hora para tudo, sem falar nas quantidades adequadas.

Com o crédito é a mesma coisa: tem a hora certa (ou a fase em que a empresa se encontra) para se tomar cada uma das diversas linhas de crédito ofertadas no mercado, e sempre na medida adequada. Isto sob pena de inviabilzar o negócio e/ou infernizar a vida do empreendedor. No entanto, e com destaque para os pequenos e médios empresários, a maioria não capta a linha de crédito mais adequada para o seu negócio.

Exemplos e comentários:

1. Início de operações

  • Muita gente me pergunta qual a melhor linha de crédito bancário para se iniciar um negócio. Eu sempre respondo: o seu próprio dinheiro, seja ele poupado, herdado ou emprestado de um familiar tão querido, que não se importe muito se você não o pagar de volta. Parece piada, mas é muito sério.
  • Para a aquisição de equipamentos, máquinas e utensílios, o negócio é obter prazo com o fornecedor. Linhas de leasing, por terem a garantia do bem, são menos difíceis de se obter nos bancos.
  • E se o negócio tiver fortes elementos de tecnologia e inovação, vale a pena conhecer o www.finep.gov.br.
  • Linha de crédito bancário não é recomendado. Séro. O novo negócio, até por ser novo, é um ambiente de imensas incertezas, a começar pela geração de caixa no futuro, quando parte desta deverá ser utilizada para repagar o empréstimo tomado. 
  • Este processo, em geral, dá uma imensa dor de cabeça, certamente desfocando o empresário do seu negócio, i.e. são mais horas na frente do gerente do banco do que na frente dos clientes.
  • Se não houver outro jeito, tente o milagre supremo de conseguir uma linha de prazo mais longo, tal como um capital de giro parcelado de 1 ano (com alguma carência).
  • Se o negócio for uma franquia, tente, através do franqueador, uma linha que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciam ter para franqueados. Leiam o link abaixo e atualizem-se à respeito.

http://www.sebrae-sc.com.br/noticias/default.asp?materia=13585

É isso por hoje. Amanhã comentarei sobre capital de giro e outras necessidades. Abraços! F.

PS: pedõem-me, mas não como sei este ‘verde’ entrou, nem consigo tirá-lo. Dei uma negritada para melhorar a leitura…espero.

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200807181810_IVN_193442

O texto acima cai como uma luva para um assunto que eu sempre gosto de reforçar aqui no blog: a imensa variação que existe no custo do dinheiro – para mim, para você e para sua empresa (e todas as demais).

Foquemos no caso das empresas, mais especificamente na linha de crédito para Capital de Giro: o texto diz que elas variaram entre 36,73% e 60,18% – ao ano. Vamos aos fatos (não são hipóteses ou “achismos”, não):

  1. Não existe banco bonzinho que cobra só (?!) 36% a.a. e outro malvado e careiro que cobra 60% a.a. Estas taxas são encontradas em todos os bancos.
  2. Também não é verdade que só empresas grandes e mais sólidas conseguiram captar com taxas mais baixas (?!), tipo 36% a.a., enquanto as pequenas e frágeis tiveram que pagar na faixa dos 60%.
  3. Naturalmente, há concentração das maiores na faixa de custo mais baixo, assim como de menores na faixa de custo mais alto – mas isto não é uma regra imutável! Você pode mudar isto!

Surpreso? Sigamos em frente:

  1. Regra 1: paga juros mais baixos aquelas empresas que têm oferta de crédito (volume) muito mais alto do que precisa – e pode fazer o chamado “leilão” entre os bancos.
  2. Regra 2: empresas de idêntico porte, setor, região e solidez podem pagar taxas de juros completamente diferentes umas das outras!

Eu já escrevi sobre isto – ad nauseum -, mas tal como um mantra, vamos de novo:

  1. Dê atenção ao assunto crédito; tenha relacionamento de trabalho (não de cafézinho ou futebol) com o pessoal do banco; faça com que conheçam bem a sua empresa (pois assim terão mais segurança em aprovar maiores limites); mantenha-os informados sobre as coisas boas da sua empresa e antecipe os seus problemas (não gere más surpresas, nunca!).
  2. Sempre trabalhe com mais bancos do que precisa, pois: (a) nunca se sabe quando um deles irá reduzir ou cancelar seus limites, (b) isto ajuda a forçar os seus bancos do dia-a-dia a melhorarem as taxas e tarifas para a sua empresa.
  3. Quem deixa para tomar dinheiro quando mais precisa, mais caro paga! Planeje precisamente as suas necessidades de caixa e vá negociando com os bancos antecipadamente.

Fácil, não? Mas poucos fazem, e por isso a maioria paga 60% e não 36% a.a.

Abraços, FB

Olá, ontem o Estadão publicou uma reportagem sobre a crescente importância do BNDES no financiamento da indústria nacional. O jornal comentou que o banco hoje representa 10% do ‘funding’ dos investimentos das empresas, contra uma participação histórica de 6%.

Mas poderia ser mais, muito mais! Ou melhor, poderia atingir muito mais empresas, em especial as pequenas e médias. Dinheiro não falta: o banco deverá liberar este ano R$ 84 bilhões. E os programas também são muito bons, como por exemplo o Cartão BNDES. Mas então, o que falta?

  1. Você, pequeno ou médio empresário, pretende expandir sua empresa e precisa de financiamento de 2, 3 ou 5 anos, que seja. Ao ir até o seu gerente negociar com ele uma linha do BNDES, irá sofrer muito para convencê-lo. Cansei de ver gerente dizer para o cliente: “Esquece isso! Vai te dar um trabalhão e demorar mais de 6 meses para liberar o dinheiro….isso se o BNDES aprovar. Olha, vou aumentar o prazo da tua conta-garantida de 90 para 180 dias e reduzir a taxa mensal. Que tal de 2,5% a.m. para 2,25% a.m.?” Isto não é piada!! E o empresário tomava (e toma!) a linha curta e cara, ao invés de lutar por uma linha adequada no prazo e no custo!
  2. Os bancos não se animam em aprovar linhas pequenas do BNDES (para empresas médias e pequenas), porque o trabalho para eles é grande e o spread que ganham é menor. E é menor porque a precificação é transparente – tem o custo básico do BNDES e o del-credere do banco privado. Acabou. Não tem CDI+X%, tarifa disso e daquilo, etc.
  3. Realmente, as operações do BNDES são demoradas e trabalhosas. Lamentavelmente, o BNDES exige que, na maioria dos negócios, que haja um banco privado garantindo a operação, i.e. e intermediando-a.
  4. Mas todo empresário tem obrigação de financiar seus investimentos empresariais (que só darão retorno no longo-prazo) com linhas de longo-prazo. Do contrário, é roleta-russa! E tem de lutar para conseguir linhas do BNDES, com o seu banco ou com um concorrente!
  5. Mas atenção: empresa que não tem Balanço – ou que tem daqueles que dizermos serem “feitos no papel de embrulhar pão” – não tem a menor chance.

O dinheiro do BNDES é longo e barato (vis-a-vis o que há disponível por aí), mas demanda competência empresarial (gestão), planejamento (pois a liberação demora mesmo) e determinação (para consegui-lo).

Abraços, Fernando

Boa noite,

Nesta 6af eu tive uma longa conversa com um dos mais bem sucedidos e sérios empresários do nosso mercado de factoring. Este é um segmento que não goza da mais alta reputação no Brasil, mas as perspectivas são positivas. A ANFAC, associação setorial, tem feito um trabalho elogiável no sentido de regulamentar esta linha negócio, que é tão importante para o pequeno e médio empresário – aqui e no mundo.

Na Europa, alguns dos mais importantes grupos financeiros têm sua factoring, e.g. Royal Bank of Scotland (RBS) e Natixis (banco que também controla a ‘minha’ Coface). No Brasil, como os bancos sempre foram mais criativos, criaram o desconto de duplicatas (e de cheques, etc.) e - com uma ajudinha tributária - acabaram empurrando as empresas de factoring para um nicho de mercado de maior risco. 

Duas informações me deixaram surpreso:

  1. O mercado por desconto de recebíveis de empresas PJ e MM está brutalmente competitivo. Os bancos passaram a atacar empresas que antes eram clientes cativos das factorings. Hoje, é mais que comum que as factorings descontem “pré-recebíveis”, i.e. ordens de compra e venda travestidas de duplicatas, que serão substituídas pela duplicata real quando a operação comercial for realizada. Isto é de um risco tremendo para a factoring, mas também abre mercado para obtenção de capital de giro para as empresas ‘sem-banco’.
  2. A carteira de clientes gira em torno de 40% a cada 2 anos, por conta do desaparecimento de empresas ou por estas passarem a ser financiadas por bancos.
  3. Factoring que só comprar duplicata de venda efetivada, terá que concorrer com bancos – e aí é quase impossível ganhar dinheiro.

Vida de factoring não é fácil, pois o risco é muito alto – e a vida de quem precisa de factoring também não, pois tem que pagar juros muito altos.

Abraços, FB

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