Graças a Brad Setser e seu super blog, eu descobri  este discurso de Geithner quando ele ainda era um jovem (e importante) CEO do FED de N.York.

Resumo e comento:

  1. Ele tinha uma visão muita clara do desbalanceamento da economia global, em que os EUA se endividavam contra o mundo, consumindo mais do que devia, sendo que China e Índia estavam na ponta oposta, i.e. produziam, exportavam, poupavam e investiam suas reservas nos EUA.
  2. Se por um lado Geithner alertava, já em 2005, para o endividamento das familias americanas, ele não percebeu a bolha imobiliária – e os maus créditos concedidos por conta do preço ‘inflado’ dos imóveis.
  3. Quando comentou (em 2005) sobre as instituições financeiras americanas, errou fundamentalmente. Sua crença nestas instituições não levou em consideração o frágil arcabouço legal e regulatório americano.

No post de onde tirei o link acima, Setser explica que trabalhou sob a liderança de Geithner no FMI e no Tesouro americano (quando Geithner era apenas um funcionário graduado – e não o Secretário [Ministro] como é hoje). Detalhe: Nouriel Roubini também trabalhou sob as ordens de Geithner no Tesouro, junto com Setser, durante o governo de Bill Clinton. Acho que é por isso que Roubini vendo sendo mais, digamos, suave em seus comentários sobre as ações e propostas do atual governo, para tirar a América da crise.

Me deu maior conforto saber como ele pensava 4 anos atrás. Como era lúcido, mesmo em tempos de ‘vacas bem gordas’. Geithner sabe das coisas. O seu plano, pelo qual rezo para que dê certo, tentará tirar o mercado do buraco utilizando-se de instrumentos…de mercado (com subsídio do Estado). Temo que não irá funcionar. Mas estatizar o mercado financeiro não é algo que ele saiba fazer – mas quem saberia?…O Chavez, talvez…

Abraços, FB

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Caros – espero que o vídeo abaixo funcione, pois o “padrinho” deste Blog, Professor Nouriel Roubini, nos atualiza quanto à severidade da contração econômica dos EUA, além de opinar sobre ativos. Enjoy!

http://www.bloomberg.com/avp/avp.htm?N=av&T=Roubini%20Says%20Stocks%20May%20Fall%20Another%2020%25%20Before%20Recovery&clipSRC=mms://media2.bloomberg.com/cache/vl1xviiQUTmk.asf#

Mas se não funcionar, ou se você não quiser se aborrecer com o inglês dele, abaixo eu listo o essencial das suas declarações:

  1. Ele não espera uma Depressão, mas “apenas” a pior recessão dos últimos 5o anos, nos EUA (i.e. no mundo!).
  2. A dita recessão teria começado em dezembro de 2007 e se arrastará até o final de 2009, i.e. dois anos. A recuperação plena também levará dois anos, mas será mais lenta do que todas as demais. Em sua visão, 2010 e 2011 serão anos fracos de crescimento, abaixo do potencial econômico.
  3. [Visão do Blog: a recuperação será mais lenta porque o crédito será fraco e os investidores estarão menos capitalizados do que nunca].
  4. Roubini estima que a economia americana terá 4% de queda do PIB nesse período. Pior que isso, pelo que ele projeta, só no pós-II Guerra e na Grande Depressão.
  5. Ele defende o bail-out (i.e. “salvação”) das montadoras americanas (GM, Ford e Chrysler) porque elas representam mais de 2 milhões de empregos. Sua bancarrota teria um impacto regional devastador (na região de Barack Obama, by the way…).
  6. Nouriel Roubini é bearish (“baixista”) nos seguintes ativos: US Dollar, commodities, stocks (ele prevê que os mercados de ações ainda deverão cair mais 20% até começarem a reagir).
  7. As perspectivas para a economia mundial não são boas, pois a Europa continua tímida nos seus pacotes fiscais e os mercados emergentes não estão sólidos como muitos pensam [nós brasileiros, p.ex.] e crises financeiras surgirão [ai, Jesus!…].

Oremos + abraços,

Fernando

Caros – a revista Exame traz uma corajosa e realista matéria (de capa) que esculhamba com a categoria acima citada de profissionais. E, lógico, a carapuça também serviu para este “palpiteiro econômico das horas vagas”.

Primeiramente, deixe-me explicar um pouco como funciona esse negócio de análise de bancos e similares:

  1. Analista macroeconômicos: todos os bancos tem os seus. Eles são funcionários dos bancos e tem como missão apoiar a decisão de investimento de seus clientes. Os bancos, na hora de decidir o que farão na mesa de operações ou com a carteira de crédito, NEM SEMPRE SEGUEM as opiniões dos seus próprios economistas.
  2. Analista de ações: idem, só que a análise é voltada para ações, setores da economia e fusões e aquisições. É a área mais controversa, pois, apesar de gozar de uma suposta independência, é fortemente influenciada pelos chefões das áreas de mercados de capitais, e até pelas próprias empresas analisadas.
  3. Economistas/gurus externos: aqui falo de gente como Nouriel Roubini, que em tese não tem maiores interesses em jogo (salvo seus próprios investimentos).

Tem de tudo neste mercado e, como sempre, o ideal é que o investidor e/ou interessados em geral coletem opiniões diversas, preferencialmente divergentes, para que possam decidir com mais embasamento.

O problema é encontrar as tais opiniões divergentes. Leram o meu post recente sobre Síndrome do Pensamento Único (link abaixo)? É difícil achar e acreditar nas poucas vozes dissonantes quando a manada já se estabeleceu e “decidiu qual é a direção certa”.

https://blogdocredito.wordpress.com/2008/11/29/sindrome-do-pensamento-unico/

Mas voltando às relações viciadas entre bancos/corretoras e seus analistas, dou-lhes dois exemplos cabais:

  1. Independência para valer: nos anos 90 eu trabalhei num banco estrangeiro que liderava o mercado de emissão de bônus internacionais de empresas, mas não conseguia vencer mandatos para lançar títulos do governo federal. Uma vez, numa reunião com o presidente do nosso Banco Central, este disse na nossa cara: “Como é que vocês dizem que vão lançar o nosso papel no mercado e vendê-lo, se o próprio economista-chefe de vocês vive avacalhando com o Brasil, dizendo que vamos quebrar? No dia que vocês conseguirem controlar este economista nós voltaremos a conversar”. Vexame total. É que, de fato, o nosso economista, que ficava sediado em New York, era cheio de opiniões contrárias ao Brasil e ‘adorava um microfone’, i.e .não ficava quieto nem quando estávamos negociando um mega negócio.
  2. Quando há corrupção: as crises americanas das “ponto-com” e da Enron/MCI (no início dos anos 90) foram alvos de investigações do governo dos EUA, que descobriram que analistas chegavam a trocar e-mails entre eles, fazendo gozação das suas próprias análises e recomendações irrealistas.

Lamentavelmente, o mercado de ações só ganha dinheiro pra valer quando o mercado sobe. E é assim que estes analistas mantem-se empregados e ganhando belos salários e bonus. Há, portanto, um interesse natural que o mercado suba, sempre. Eliminar a promiscuidade deste mercado, portanto, é muito difícil.

Querem exemplo melhor que o festival de emissões de ações no Brasil, nos últimos anos? Eu não daria crédito para mais da metade delas, que dizer comprar suas ações. Eram (ou melhor, são) empresas com todo tipo de vício: sem a menor noção de governança corporativa, imenso grau de informalidade, só cresceriam se tivessem crédito abundante, não tinham balanço para mostrar (faziam balanços “pro-forma” às pressas), montaram equipes “profissionais” também às pressas, etc. Enfim, uma receita perfeita para o desastre que agora vemos.

Não sou arquiteto de obra pronta: cansei de comentar isso com amigos e colegas de mercado – e até com jornalistas. Mas o Pensamento Único já havia decidido que os investidores queriam comprar de tudo, inclusive lixo, e os bancos de investimentos foram atrás de coisa boa e de muito lixo também.

E não estou teorizando, não! Eu já fui membro de Conselho de Administração de empresa-alvo de IPO e sei bem o que ouvi dos bancos de investimentos!!

Enfim, vale a pena a leitura da bela reportagem abaixo (se houver problema para conectar, digitem a palavra-chave HANÓI) .

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0932/financas/oue-servem-analistas-405036.html

Destaque final para a conclusão do jornalista, impagável!

Abraços e boa semana! FB

Dia corridos, difíceis = posts de menos. Lamento. Aqui vai um tema filosófico que explica em grande parte a crise que vivemos.

Você já ouviu falar em Síndrome do Pensamento Único (“SPU”, para facilitar)? Definitamente, a SPU vem norteando os nossos comportamentos, culminando na maioria dos desastres econômicos, ambientais e sociais que infestam a sociedade moderna.

No mundo dos negócios e na prática de governos e mercados, usamos expressões como Efeito Manada e Efeito Cardume. Elas mostram que após um comando central todos se deslocam na mesma direção. É um pensamento único. No entanto, por que será que seres (medianamente) racionais como o homo sapiens também se comportam como manadas e cardumes, ou seja, adquirem facilmente a Síndrome do Pensamento Único?

Virou moda nos EUA, nesses dias de caos, acadêmicos e políticos se perguntarem “como não conseguimos identificar a bolha se formar, assim como prever o tamanho da crise que se avizinhava?”. No NYT (e no Estadão de hoje), Paul Krugman sugere dois bons motivos para que ninguém percebesse nada:

  1. “Quem iria querer escutar aqueles economistas sinistros alertando que o processo todo era, na realidade, um gigantesco engodo?”.
  2. “Todo mundo estava muito preocupado, comemorando o sucesso no combate às crises (Ásia, Rússia, Ponto.com, Enron, etc.) recém debeladas para notar qualquer outra coisa”.

Krugman e eu (pretensão, hein?!) achamos que em períodos de bonança, existe um magnífico acordo (ou seria conluio) implícito entre governantes e mercados. Os primeiros desejam colher dividendos políticos por conta do aumento da riqueza, enquanto os segundos querem continuar vendendo alegremente seus produtos e soluções visando o lucro a qualquer preço.

Por exemplo, Nouriel Roubini ficou 4 anos demonstrando que tudo aquilo era um castelo de cartas, mas quem queria ouvi-lo? Se o Mago Greenspan dizia que os mercados eram soberanos, quem era aquele obscuro professor imigrante para dizer o contrário?

Por aqui, sofremos da mesma síndrome quando o assunto é câmbio e juros, não é mesmo? Nossos governantes, em nome das práticas do livre mercado, adoram ver nossa moeda se fortalecer às custas do Capital Cigano (expressão do Professor Carlos Lessa), para em seguida vê-la derreter graças ao massivo repatriamento à primeira crise. Quanto aos juros, nada de diferente: são sempre altos porque nosso BC enxerga inflação até quando o mundo está à beira de uma depressão. E vá lá você dizer o contrário: seguramente será taxado de ter fugido das aulas de economia!

O mesmo acontece com as mega-fusões corporativas. Eu vejo analistas de mercado, a mídia, os governos e a torcida do Flamengo ejaculando alegria por conta da recente aquisição da Anhauser Bush pela Inbev (que tem suas raízes na Brahma-Antarctica, Ambev e Interbrew, lá na Bélgica). Eu não acho a menor graça quando se criam essas mega-organizações que são inadministráveis no curto-prazo e insustentáveis no longo-prazo. Contudo, essa prática não sai de moda (pelo menos há crédito sobrando). Afinal, “cria valor para os acionistas” graças às famosas sinergias (que são calculadas apenas na elaboração dos planos de negócios).

Mas quem pensar diferente disso é que porque não entende nada de Corporate Finance, não é mesmo?

Ao pesquisar sobre o tema, achei algo no site do Pueri Domus ( www.pdea.com.br ), tradicional colégio de São Paulo. Abaixo, segue um pedacinho do texto de José Pacheco que trata de educação (publicado em 12/02/07), mas que vale perfeitamente para a SPU de mercado:

“A lista das doenças que afetam as escolas é extensa. Tratarei de algumas aqui…

…A “síndrome do pensamento único” consiste em um conjunto de afecções patológicas muito comuns em formadores de opinião e professores. Para esses doentes, existe um só modo de pensar, um só modo de agir, um só modelo de escola. Todo o pensamento divergente, toda a prática dissonante os impele a reações violentas (quase sempre, por escrito). Publicam artigos de opinião, ou meros comentários, em tom persecutório. Quem ousar interpelar o modelo único, sugerir alternativas, ou instituir outras práticas, sofrerá perseguições, porque os cultores do pensamento único não permitem veleidades….”

O autor prometia, à época, publicar o Pequeno Dicionário dos Absurdos da Educação. Não sei se o fez, mas talvez alguém devesse escrever o Pequeno Dicionário dos Absurdos do Mercado. Venderia muito!

E o primeiro e mais maléfico absurdo é o pensamento único. Que Deus nos dê forças para enfrentar a esculhambação que nos será imputada, cada vez que nos posicionamos de forma diferente do grupo dominante que nos impõe o pensamento único. Afinal, como diz Paul Krugman, o momento de começar a impedir a próxima crise é agora.

A sua opinão é importante: comente este post. E se alguém achar textos sobre a SPU no campo da economia e negócios, envie-nos para publicação.

Abraços e bom fdes!

Fernando

Caros – Nouriel Roubini nos brinda com mais uma visão do inferno. Segundo suas análises, o mundo caminha para uma estagflação – terrível combinação genética de inflação com recessão. É um fenômeno de difícil ocorrência, mas grande poder de empobrecimento. Não tenho elementos para julgar, pois ele se baseia em dados fora da nossa realidade, mas é sempre bom ouvir o que o guru fala.

Os seus comentários e opiniões são muito bem-vindos.

Abraços, Fernando

RGE Monitor’s Newsletter

Greetings from RGE Monitor!

 

The financial wildfire has turned around the stagflationary trends seen earlier this year into a vicious cycle of global deflation in debt, assets, wages, and goods.  Headline consumer inflation has peaked in most of the developed and emerging world, except in places where food/fuel subsidies were recently rolled back or post-Q3 data are still unavailable.  According to the IMF’s October World Economic Outlook, the world’s average consumer prices have increased 6.2% y/y Q2 2008.   JPMorgan expects world CPI inflation to slow to 2.6% y/y Q2 2009.   Lower commodity prices subdued headline inflation and are expected to continue doing so on slackening global demand.   Core inflation has yet to show a significant decline but a feedback loop of debt deflation, asset deflation, commodity deflation, wage deflation, and slower global growth will likely lead to flat or lower headline and core consumer and producer prices in Q4 2008 through 2009.  But in the short- to medium-term, stag-deflation seems the most likely scenario for the world economy.

 

The continued fall of U.S. house prices has morphed into global de-leveraging, which threatens to spark global deflation.   Debt deflation at first sent investors seeking safety in commodities as inflation accelerated worldwide due to the weakening dollar.   The dollar weakened as the world seemed resilient to the U.S. slowdown.   But the lag between U.S. growth and growth in the rest of the world soon ended and so did the lag between growth and inflation.

 

Commodity prices slid on fund liquidation to cover losses in other asset classes and on expectations that commodity demand will weaken in a global recession.   The prospect of a U.S. hard landing and a global recession, and demand destruction triggered by high commodity prices earlier this year, has already led to an across the board commodity selloff, with the CRB falling almost half from its July peak.   Oil has fallen even further as the prospect of slower demand growth from China and other emerging markets may fail to offset falling demand from the OECD, especially the U.S. where demand for all petroleum products have fallen.  Not even a 1.5 million barrel production cut from OPEC and the news that many producers were cutting production (erasing this year’s earlier production increase) was enough to stem the decline.

 

Meanwhile many oil producing companies (even state-owned ones like Russia‘s )are feeling the double whammy of lower demand and tighter credit which may freeze capex and new projects, especially from the most expensive, unconventional supplies. With marginal costs of production still rising (for now), this may point to a mid-term supply crunch once an expansion finally begins.  Such supply constraints could occur in agricultural and metals over time, especially given that some base metals are trading below cost.

 

Commodity exporting countries are being pressured by falling prices and the withdrawal of global credit which may sharply reduce inflows and thus imports- contributing to another source of slack in the global economy in the next few quarters.   Countries like Russia, Venezuela and Iran could account for the most significant slowing though many petro-states have become used to oil prices above $70-80 a barrel – and the negative wealth effects of current and looming asset price corrections will have an effect.   While Chinese government infrastructure spending might limit the drop in demand for some commodities, its coffers do have their limits and even if Chinese property sector stabilizes, the past forecasts of Chinese demand growth for products like steel, copper and coal might have been over optimistic meaning that fundamental and technical factors could point to further downside for commodities until the credit markets stabilize.

 

As investors recast their outlook for corporate earnings in light of a slowdown in global activity, stock and corporate bond prices all over the world declined in a virulent episode of asset deflation.   Debt deflation exacerbated asset deflation by reducing the amount of leverage investors could take on.   Wage deflation will most likely contribute to a worsening the corporate earnings outlook by inhibiting consumer spending.   Labor markets have slackened on the corporate belt-tightening triggered by tighter financing and sagging sales.   Continued loosening of labor markets, marked by rising unemployment, will slow wage growth as jobs are cut back.   With household financial wealth shrinking in bearish markets and rising debt servicing burdens, lower household income will further erode consumption.   

 

The carry trade succumbed to bank de-leveraging and investor repatriation, resulting in the appreciation of carry trade funding currencies – the most popular being the JPY and USD.   Bank de-leveraging has led to a shortage of these currencies, as most cross-border bank liabilities were denominated in them.   With tighter lending, investors have had to unwind their carry trades to meet margin calls and, as asset prices adjusted to a recessionary outlook, to avoid further losses.   U.S. and Japan provided the lion’s share of the world’s investment flows.   The repatriation of U.S. and Japanese investor funds sapped the strength of other currencies versus the USD and JPY.   

 

The spread of recession and financial crisis beyond the U.S. to several other countries kills the appetite for foreign investments, driving repatriation.   This leads to further currency depreciation in carry trade destination currencies – especially emerging markets which had over-hedged or under-hedged against USD strength.   A stronger dollar may contribute to further commodity price declines as countries with weaker currencies are able to purchase fewer goods.   By the same token, weaker non-U.S. currencies may sow the seeds of higher inflation in countries vulnerable to imported inflation.  In an environment where high yield alone is no longer attractive, the combination of slowing growth and rising inflationary pressures may set up emerging markets for further punishment from currency markets.

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Foi um dia cheio de coisas acontecendo. Nenhuma notícia ou decisão que promova uma virada no mau momento em que vivemos (não irei publicar/comentar nenhuma má notícia hoje). Ainda assim, foram várias iniciativas, aqui e ali, positivas.

1. Swap de Moedas: o Banco Central acertou com o FED americano uma operação de USD 30 bilhões. Essa medida se encontra na polêmica Medida Provisória 443; a tal que dá poderes para o governo federal comprar bancos, empresas, padarias, etc. Pelo que deu pra entender, o BC brasileiro poderá sacar USD 30 bi do governo americano que ficaria com o equivalente em reais para seu uso.

O acordo é positivo para o Brasil, pois aumenta o poder de fogo do governo para combater ataques ao real, como vem ocorrendo. Já para o Bush… o que ele iria fazer com R$ 70 bi? O governo quer mostrar que não irá deixar sangue rolar pela rampa do Palácio do Planalto. Tem uma turma especulando forte, jogando pesado contra as empresas que se entubaram com aqueles derivativos cambiais. Acho que o governo está com ódio viceral desse pessoal, mas não quer manchetes de jornal dizendo que meia-dúzia de grandes empresas (ou bancos) quebraram por conta de “especularem com derivativos” (e nem foi isso precisamente).

http://www.bancocentral.gov.br/noticias/Noticias.asp?noticia=1&idioma=P&cod=1905

2. COPOM/SELIC: o nosso BC já provou que é macho. Ele peita mercado, imprensa, ministros e quem mais se apresentar. Desta vez resolveu não mexer na taxa da SELIC, mantida nas alturas de 13,75% a.a. Na verdade, o BC ficou entre a gritaria da indústria que clama pela redução da taxa e uma ala de monetaristas radicais, que apostam na existência de uma severa inflação em gestação e que, por não subir a SELIC agora, terão de subí-la mais lá na frente.

Não concordaram? Entrem no blog A Mão Visível aqui ao lado e tentem entender porque o Alexandre Schwartsman e seus seguidores acreditam nisso. Eu não consegui. Por onde olho e falo só vejo desaquecimento na indústria. Não chegou no varejo, mas vai chegar em janeiro. Não entendo que inflação é essa que estão vendo. Será que o câmbio teria tanta força? A ver (e sentir).

3. As bolsas: apesar do mercado de ações ainda não ter condições de refletir minimamente para onde vai a economia real, o simples fato da BOVESPA não ter caído 10% nesta 4af é positivo. Talvez queime minha língua e ela caia 15% na 5af… Chamou a atenção a festa européia, onde todas as bolsas relevantes subiram mais de 8%, enquanto NY ‘andou de lado’, com leve queda. O que posso dizer? Já está barato além da lógica dos números para quem quer comprar com visão de longo prazo, mas Nouriel Roubini Primeiro e Único diz que ainda pode cair + 30% (e mostra números para isso!). Para quem gosta de dar uma especulada é o momento ideal.

4. Bancos: comento dois assuntos, sendo um chato e outro interessante. O interessante primeiro: o crédito bancário cresceu nos últimos 12 meses alguma coisa como 30%, mas os lucros dos bancos não cresceram na faixa dos 20% a 30% (anualizados) neste trimestre como vinha acontecendo há anos, trimestre a trimestre. Não tive tempo para analisar, mas isso chamou a minha atenção. Talvez estejam perdendo muito, ainda que temporariamente, com as operações de derivativos – os bancos têm que pagar a chamada margem na BMF (despesa) enquanto seus clientes negociam uma reestruturação das dívidas com derivativos (receita pendente). A chatice é essa interminável lenga-lenga de que os bancos não liberam o crédito, etc. Já falei sobre isso aqui umas 100 vezes. Não adianta reclamar: banco algum vai dar crédito enquanto estiver na dúvida sobre a solidez dos clientes, sobre os setores dos clientes e sobre a tendência macro daqui pra frente. Para a choradeira da FIESP, do Ministro Mantega, do Papa Bento XVI, etc., sabe o que FEBRABRAN faz? Leiam o link abaixo…pura “mensagem institucional”…

http://www.febraban.org.br/noticias1.asp?id_texto=376

5. Lula Papai Noel: foi anunciado o pacote de R$ 3 bilhões que a Caixa utilizará para dar crédito para construtoras com problemas de liquidez. A MP 443 também criou a CaixaPar que poderá comprar participação em empresas do setor. Já falamos disso aqui. A dúvida que eu tenho é como irão diferenciar o joio do trigo. Mutuários em situação complicada existem aos milhões, mas como definir qual empresa terá ajuda? Por que o Condomínio Véu da Noiva do meu amigo continuará a subir e o meu, o Chateaux Magoux ficará parado? Em tese, a ajuda é para evitar uma crise que prejudique o povo. Por outro lado, talvez beneficie maus empresários que descasaram ativos e passivos, só têm terrenos e nada no caixa, etc.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461905.shtml

E no Salão do Automóvel, aqui em SP, o Presidente Lula disse que irá ajudar este setor também. Juro que não sabia que havia tanto dinheiro disponível assim. Sério, a intenção é maravilhosa, mas a execução de tais medidas são tão complexas e arriscadas…parece-me impossível que não se cometam injustiças sérias. Deus o ajude.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461978.shtml

6. Despesas Financeiras: a notícia é velha, mas vale a pena comentar. O repórter Toni Sciarreta, da Folha, escreveu nesse último domingo sobre um estudo da consultoria Economática. Lá diz que, neste terceiro trimestre, na média, 70% do resultado operacional das empresas de capital aberto será utilizado para pagamento de juros. A mini-máxi desvalorização do real ajuda, mas a alta dos juros é fundamental. Detalhe: o estudo não contempla as tais operações com derivativos.

Então, administrar o passivo bancário é ou não é importante? É… mas poucos empresários dão valor para isso. A mídia? Não quer nem saber. Eu tenho falado sozinho sobre o tema. Depois reclamam que a SELIC sobe. Só que esquecem que o problema não é os 13,75%, da SELIC, mas sim os 35% que são pagos pela maioria das empresas brasileiras (e nem percebem, porque não fazem conta…).

Abraços, F.

Roubini is back no Blog do Crédito! 

E a possível catástrofe do dia chama-se: HEDGE FUNDS.

Primeiro, o que são Hedge Funds: são…fundos muito agressivos, que tomam empréstimos para comprar mais ativos do que podem, assim como faziam short-selling para poder vender mais ativos do que tinham em mãos.

E qual o problema? Como vivíamos num mundo sem risco  (percepção é tudo…), fundos agigantaram-se a ponto de virarem risco para todo o sistema financeiro mundial – alguém já ouviu falar disso recentemente? Há exatos 10 anos durante a Crise da Rússia, tivemos o famoso caso do LTCM, fundo que tinha dois Prêmios Nobel em suas fileiras e que foi à bancarrota apenas para ser resgatado por uma operação coordenada pelo FED de NY. Ver link abaixo.

http://en.wikipedia.org/wiki/Long-Term_Capital_Management

Como os Hedge Funds não são regulados ou monitorados por ninguém, sabe Deus o tamanho da encrenca. E Roubini nos alerta que ainda podemos ter uma Crise do Subprime Parte II à nossa frente.

Em suas próprias palavras: “one cannot rule out that some systemically important hedge fund may get into trouble with systemic consequences. If larger and systemically important hedge funds were at risk of failing the Fed will have to engineer a massive private sector bail-in of such hedge funds (a larger scale rescue a la LTCM) where the prime brokers of such funds are forced to maintain repo exposure to such funds rather than be allowed to shut off such exposure. This is a radical suggestion but the alternative of a Fed liquidity bailout of systemically important hedge fund is not politically feasible.

Traduzindo e condensando, temos: talvez o governo Americano tenha que gerenciar um novo resgate de instituições (os Hedge Funds), mas desta vez sem dinheiro público. As próprias instituições contrapartes terão que renegociar suas posições com os fundos. E eu agrego: sim, mas as contrapartes, que estariam esperando grandes somas serem liquidadas a seu favor, precisarão se zerar com alguém (pois não haverá caixa nesta operação). E aí é dinheiro público que terá de ser usado, do contrário o risco sistêmico se restabelece. Complicado…

A RGE Monitor, empresa de Roubini, reporta que SÓ PARA OS NEGÓCIOS INTERMEDIADOS PELO FINADO LEHMAN BROTHERS, os Hedge Funds têm que pagar USD 65 bilhões de cobertura adicional. “O banco quebrou, mas suas dívidas permanecem”, diz Roubini.

A coisa pode ficar ainda mais preta se for confirmado que papéis (bonds, ações) que os Hedge Funds tinham depositado no Lehman Brothers para cobertura de operações alavancadas, foram realmente emprestadas pelo banco falido para outros clientes fazerem ‘short-selling’.

O absurdo definitivo  – o RGE Monitor informa que, segundo a Investors Insight, os Hedge Funds seriam responsáveis por algo como 32% da vendas de Credit Default Swap (os famosos CDS’s), numa aterrorizante cifra de USD 14 trilhões. Como estimam que os fundos sob gestão dos Hedge Funds sejam de “apenas” USD 2,5 tri, fica o terror de que esses fundos venderam muito mais ‘seguro’ do que teriam capital e ativos para cobrir.

Roubini também coloca – e se apóia em outros experts – que é bem possível que esses Hedge Funds tenham que fritar suas carteiras (“fire sale”) e eu digo: já não estarão fazendo isso há algum tempo?

Se tudo isso for verdade, não tenhamos dúvida que teremos a Hecatombe II. Também riremos dos poucos mais de USD 3 bilhões que somavam a crise do LTCM.

E também não teremos dúvida de que houve a maior fraude da história da humanidade.

Isto é Roubini, isto é (ou era) o Capitalismo Financeiro Acelerado.

Fernando