Pois é, o que alertamos aqui há alguns dias se confirmou: os Ministros da Economia dos 20 países mais importantes do mundo, que se reuniram na Inglaterra, não se entenderam. Ou melhor, discordaram da posição dos EUA, que pregava que todos os países deveriam se unir em torno de um grande programa global de estímulo fiscal.

O fato é que todos estes países, com maior ou menor profundidade, já fizeram algum esforço fiscal, só que agora um bloco europeu, liderado por França e Alemanha, resolveu bater pé que a prioridade deve ser a reorganização do sistema financeiro global.

Meu Deus! É óbvio que isto deve ser feito, mas se os governos não gerarem empregos com urgência, os consumidores não irão comprar (por medo de perder emprego) e os empresários não irão investir (porque não há quem compre). Consequentemente, o comércio internacional será um fiasco, fechando com recessão a equação da demanda agregada.

Desta forma, por mais saudáveis e regulados que estejam os bancos do mundo todo, nenhum deles vai querer emprestar para ninguém, pois o sistema produtivo estará em frangalhos!

Na verdade, é tudo jogo de cena e política: não querem é dar palco para os EUA ditarem as regras. Afinal, se os americanos quebraram o mundo, quem são eles “para nos dizerem o que temos de fazer?”. Tipo, eles que consertem as mazelas que fizeram; eles que imprimam todos os dólares e produzam consumo de novo; eles que consertem seus bancos e voltem a emprestar.

E por aí vai! Pra onde? Para a depressão, oras!

Abraços e boa semana! F.

Amigos – se você não bateu o olho no post debaixo deste, cheque Veja: Brasil 10 x 1 Crise -olho no tira-teima.

Você já viu uma foto do inferno? Como estas aqui embaixo, cortesia do Blog do Brad Setser, eu nunca havia visto. Acho que nem ele, que é PhD em economia, etc.

Sinistro, muito sinistro! Haja estímulo fiscal para reverter estes monstros!

E como se não fosse pouca má notícia, a AIG e outras instituições financeiras continuam demonstrando que nem todas as perdas com ativos tóxicos e garantidas extendidas para holders de ativos tóxicos foram contabilizadas. Quanto mais lixo tóxico haverá escondido? Até onde chegará a metástase deste tumor?

E dá-lhe paciência enquanto esperamos o magma derreter todas as estruturas financeiras mal arquitetadas nestes últimos anos.  Abs, FB

 

The data on industrial production — presented as a year-over-year fall — tells a similar story.

The G-7 countries are all contracting. And, alas, a host of emerging economies are contracting even more. It shouldn’t be a surprise that Merrill has joined BNP Paribas in forecasting that global growth will dip below zero in 2009. The big issue globally is how to shift out of the current dynamic, one where weakness in demand in one country generates further weakness in all of its trading partners — and one where financial losses in one part of the globe trigger reductions in lending throughout the world, and thus add to the global credit crunch.

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Eu já deveria estar na cama faz tempo, mas estou muito mal humorado com as informações econômico-financeiras que estão chegando. A de hoje sobre a indústria, então, me arrasou.

Não foi surpresa para mim e para quem acredita no que escrevo, mas a produção despencar perto de 15% (2008 x 2007) foi ruim demais (*). Lembram da minha analogia? É como vir a 180 km/h e brecar violentamente. Quem estiver mal equipado capotará ou sairá pelo vidro. Os bens equipados terão apenas lesões faciais e imensas dores toráxicas por conta do impacto com o air bag. Não morre, mas sai machucado. E um monte de gente morre nessa.

(*) Detalhe: os “analistas” esperavam 7%, segundo noticiado. Estamos bem de analistas…

Leia mais aqui sobre a derretida da indústria brasileira.

Crédito, Juros, Spread – é óbvio ululante que a tragédia acima é fruto da redução da oferta de crédito. Os motivos já são conhecidos do leitor assíduo do blog, mas a gente repete para o não-iniciados:

  • As linhas externas secaram – representavam algo como 19% do total.
  • Os bancos muito mais conservadores por conta desaceleração da economia.
  • Linhas de crédito migraram para grandes tomadores, como Petrobras.
  • O ‘calote negociado’ do affair derivativos reduziu a disponibilidade dos bancos.
  • O spread subiu porque a oferta de crédito diminuiu. Simples!

“E quando então a oferta de crédito vai aumentar e os juros/spreads cairão?”, você está se perguntando: Vai demorar, porque os bancos sabem que haviam emprestado demais nos últimos anos e, consequentemente, estão enfrentando grandes perdas. A economia terá que se reaquecer com estímulo governamental, para que só depois os comitês de crédito comecem a afrouxar suas decisões. Lá para março/abril de 2010. Antes será difícil.

Balança Comercial, Câmbio, USD – um dos posts mais sérios que eu já escrevi foi solenemente ignorado pelos amigos. Chamava-se “Caos, Câmbio…”. Tivemos uma ‘maxi-desvalorização’ do real e ninguém notou, ou reclamou. Eu previa – e confirmo -que teremos um câmbio nervoso em 2009, porque o mundo comprará menos produtos nossos e as nossas commodities exportadas valerão menos; teremos menos investimento estrangeiro no país (*) e nada de crédito externo. Por outro lado, apesar de importarmos menos também (viva a desaceleração!), as multinacionais aqui instaladas continuarão enviando dividendos para o exterior com voracidade e os juros/principal das nossas dívidas terão de ser pagos/remetidos. Acho, portanto, que em 2009 sairá mais dólar do país do que entrará, i.e. o real perderá valor.

(*) em 2009, registramos o mais inesperado dos recordes: entrarão no país USD 45 bi de investimento direto, inclusive no final do ano. Não tenho dúvida que este número não se repetirá, nem de perto em 2009.

Atenção, portanto, com o seu fluxo de caixa em moeda forte! E explique bem a sua situação para o seu banco, na hora de tomar crédito. Se o seu banco desconfiar que você importa demais e terá alta nos custos (por causa do câmbio), sem poder repassar esta alta nos preços, bye-bye linha de crédito! Serão reduzidas, cortadas, encarecidas, etc.

Leio no Estadão (repórter Adriana Ferreira) que as exportações de janeiro cairam 22,8% em relação a janeiro de 2008 (e 25% em relação a dezembro). Ruim demais. Enquanto isso, as importações cairam apenas 12,6% e 6,3% respectivamente. Ruim de menos. O deficit comercial em janeiro atingiu expresivos USD 518 milhões. Péssimo. Foi porisso que o governo tomou aquela decisão estabanada, na semana passada, de “monitorar” as importações – mas que voltou atrás.

Notícias internacionais – não irei aborrecê-los com páginas e páginas de más notícias vindas de todos os fronts do mundo. Até porque tornaram-se banais e não deveriam surpreender mais ninguém (e.g. crédito paralizado, economias encolhendo, prejuízos recordes nos balanços das empresas, etc).

Atenção: não quero ninguém pessimista (“Oh meu Deus, vou vender tudo!”), mas nem otimista (“O mundo não vai acabar! Vou comprar mais!”), mas sim realista (“Dado o cenário de profunda recessão mundial e de recessão leve aqui…”). Outro dia eu disse para um grupo de “otimistas”, que eles estavam era praticando auto-ajuda econômica, tipo O Segredo, Neurolinguística do Lair Ribeiro, etc.

Não gostaram….

Abraços, F.

“Os bancos irão emprestar ou entesourar os recursos do Tesouro?” – será uma frase de efeito para a mídia, vinda do Ministro Mantega… ou terá mais o estilo do Paulo Skaf, da FIESP…?

Que nada! Essa é a manchete desta matéria da Business Week!!!! E é sobre o crédito nos EUA!!

http://www.businessweek.com/magazine/content/08_45/b4107026056954.htm

No entanto, a coisa ficou preta mesmo é na França. Eu já disse antes que francês não gosta do “financismo” que tomou conta do capitalismo global. Mas eu não fazia idéia que o Presidente Sarkozy estava tão furioso com o sistema financeiro do seu país.

Olhem a manchete de hoje do importante jornal francês Le Monde: “Os bancos franceses sob a ameaça de uma nacionalização parcial”.

http://www.lemonde.fr/economie/article/2008/10/31/les-banques-francaises-sous-la-menace-d-une-nationalisation-partielle_1113161_3234.html#ens_id=1099210

A matéria acima (em francês) traz os seguintes comentários do Presidente Sarkozy, todos fortíssimos:

  1. Eu chamo os bancos às suas responsabilidades. Por conta das condições muito excepcionais que estamos atravessando, as empresas, especialmente as menores, mais do que nunca precisam de previsibilidade e estabilidade nas suas finanças bancárias. Eu vos demando, portanto que, salvo exceções incontestáveis, não renegociem os termos e condições dos negócios atuais”.
  2. Sarkozy criou uma função pública chamada Mediador de Crédito e, sem qualquer cerimônia, sugeriu que este vá à mídia e que diga na televisão “…os exemplos de restrições inaceitáveis de crédito em cada região da França. Todos compararão aqueles [bancos] que fazem o seu trabalho e aqueles que não o fazem”.

Já um assessor muito próximo de Nicolas Sarkozy teria declarado ao jornal: “O Presidente foi muito claro: se os bancos não jogarem o jogo, ele utilizará a bomba atômica”.

O meu mantra é o seguinte:

  1. A crise global de crédito começou porque os bancos americanos perderam muito dinheiro por conta de créditos de péssima qualidade, ficando insolventes. 
  2. A falta de liquidez do sistema, portanto, lançou o mundo às portas da recessão.
  3. Em seguida, a liquidez dos bancos foi parcialmente restaurada por conta das linhas de redesconto e de liquidez dos BC’s e da capitalização realizada pelos Tesouros nacionais.
  4. Mas aí os bancos reduziram seu apetite de crédito e aumentaram seus spreads porque: (a) Haviam perdido confiança decisorial (por conta de suas próprias perdas de crédito) (b) Perderam a confiança na solidez da economia real.

É o que chamo de processo de RETROALIMENTAÇÃO DA CRISE DE CONFIANÇA.

No Brasil, lamentavelmente, também encontramos uma situação de parcial restrição ao crédito, ainda que com tipologia diferente. A conjuntura econômica (interna) e a estrutura do sistema financeiro aqui são incomparavelmente melhores do que nos EUA e Europa e não deveríamos estar passando por isso. Nosso país não convive com nenhuma “bolha” sistemicamente séria (como nos EUA), nem nossas famílias e empresas decidiram “fechar para balanço” e ‘produzir’ uma recessão como fizeram na Europa ocidental.

No Brasil a complicação começou com a restrição das linhas externas (20% do funding total, segundo alguns), mas essa situação evoluiu rapidamente para a aversão ao risco e aumento do custo de crédito, por conta das seguintes incertezas (na ótica dos bancos):

  • Capacidade de refinanciamento de dívidas das empresas e famílias.
  • Viabilidade de exportadores por conta do novo patamar do câmbio.
  • Eventuais ‘esqueletos’ nos balanços das empresas gerados pelas operações com derivativos.

O governo brasileiro vem tomando decisões de apoio ao sistema quase que diariamente, mas estarão elas sendo suficientes? Nos EUA, o FED passou a financiar empresas diariamente. Sarkozy faz ameaças explícitas, em público, de nacionalizar o sistema financeiro. Se a irrigação do crédito não evoluir a contento, podemos contar com uma das duas opções:

  1. Uma brutal desaceleração, com efeito equivalente a uma bela recessão.
  2. Uma ação governamental forte – não me arrisco, porém, a especular sobre o perfil desta…

Comentários, críticas e sugestões são muito bem-vindos.

Abraços,

Fernando

Caros – eu tento, eu juro que venho tentando ser menos pessimista. Mas quanto mais se cava, mais coisa errada e perigosa a gente acha. Eu já comentei sobre os Hedge Funds. Eles compõem a primeira bomba-relógio: dependendo de quem explodir, o mercado e o crédito sofrerão novos enormes abalos – assumindo que o FED não irá ajudar fundos (não-banco) ultra-especuladores.

Agora que as cotações reagiram um pouco, os jornalistas foram atrás de mais uma bomba-relógio. E acharam os já falados cartões de crédito dos americanos. O texto abaixo, em inglês, mostra a crescente preocupação de banqueiros e governo com a contínua deterioração das carteiras de bancos, empresas de cartões e varejistas. E como a situação econômica só irá piorar nos próximos 12 meses, espera-se também que o desemprego contribua para que hajam perdas ainda maiores. Falam em USD 55 bilhões nos próximos 12-18 meses – já tiveram mais de USD 20 bilhões este ano. Eu acho que será pior. Pode considerar mais USD 100 bi na conta de Mr. Paulson & Mr. Bernanke.

A situação não seria tão grave se os bancos não estivessem tão descapitalizados e tão fragilizados gerencialmente.

http://www.nytimes.com/2008/10/29/business/29credit.html?pagewanted=1&_r=1&hp

O link abaixo mostra um complemento perigoso para o consumo dos americanos: o índice de confiança do consumidor bateu o recorde histórico de baixa, desde que o índice foi criado. Isso fortalece o sentimento de que a recessão será forte e duradoura, conforme previu Nouriel Roubini meses atrás.

http://www.ft.com/cms/s/0/776b96f0-a4f8-11dd-b4f5-000077b07658.html

Anotem aí: o fim do liberalismo americano atingirá novos patamares. O Barack Obama terá que resgatar pessoas físicas, como nem o mais radical republicano sonhou fazer. Terá que cancelar impostos durante um ano ou coisa parecida, pois a população está quebrada de tanto crédito e ainda perdendo emprego aos milhares por semana (segundo as estatísticas). Após resgatar bancos, após o FED emprestar dinheiro para EMPRESAS, o que mais falta? Financiar o cidadão comum, oras – afinal, eles é que votam! E o farão via corte brutal de impostos ou algo com similar criatividade.

Bem, certamente não haverá tanto dinheiro no mundo para comprar tanto título público americano. Acho que a máquina de imprimir dólares será usada com sofreguidão. Mas aí tem inflação, né? É… mas deixa isso pra lá…um drama de cada vez.

Oremos para eu estar errado!

Fernando

Prezados:

Após tantas conversas com clientes e amigos e os posts sobre essa crise, eu cheguei a duas conclusões:

  1. Acho que as pessoas estão cansadas de tanta leitura.
  2. Acho que a maioria ainda não entendeu a dinâmica dessa crise.

Resolvi então juntar os meus limitados conhecimentos de PowerPoint com a minha experiência em crises e gestão de crédito e de bancos. Surgiu daí uma visão esquemática desta crise. Espero que com essa abordagem mais lúdica e didática, o tema torne-se menos árido:

 

 

Então, as Crises Clássicas, sejam elas motivadas por um desequilíbrio macroeconômico (e.g. crise cambial) ou por crises nos mercados de ações e de bonds, logo desagüam em recessão. Estas, em geral, atingem as famílias (por conta do desemprego) e os elos mais fracos do sistema empresarial (varejo e indústria de pequeno e médio portes). Caem as vendas, cai o fluxo de caixa e…reduz-se brutalmente a capacidade de se obter crédito. Quadro clássico. 

Já as indústrias líderes das cadeias de valor sofrem menos, pois caem as vendas e os lucros, mas continuam com prestígio junto aos bancos e investidores, não tendo problemas de liquidez. Rapidamente reduzem suas estruturas operacional e administrativa, limitando seus prejuízos. Os bancos e multimilionários se machucam, mas sobrevivem. Ou, como representado acima, o tsunami varre os menores, mas tem pouca inércia e apenas respinga nos maiores.

Na Crise de Crédito é diferente. Destaco que, nesta crise, o duradouro derreter das bolsas é função do desespero gerado em todos os agentes de mercado por conta da falta de crédito! Se é verdade cristalina que os bancos perderam a confiança uns nos outros – paralisando o mercado interbancário -, é razoável afirmar que o topo da pirâmide desta vez foi atingido primeiro e com impacto fulminante. Da mesma forma, as indústrias que lideram suas cadeias de valor e que fazem boa parte da irrigação da liquidez (via antecipação a fornecedores e/ou dando prazos aos seus clientes), enfrentam problemas com seus fornecedores e clientes, pois o crédito foi cortado no andar de cima da pirâmide! 

Mas e a base, como fica nesse contexto? Afinal, o consumo continua forte, salvo em certos setores dependentes de crédito mais longo (e.g. veículos e imóveis). Notem que o sistema demora a parar na base. Tem sua própria inércia. Mesmo que a montadora suspenda a produção, tem muito consumidor com dinheiro – pois o desemprego no topo ainda não impactou a base – e os distribuidores (i.e. o varejo) têm produto estocado.

No entanto, a lei da gravidade joga a favor da avalanche, diferentemente do tsunami. Mais cedo ou mais tarde, a grande indústria e o sistema financeiro desempregarão e os juros já aumentaram, reduzindo o consumo num quadro clássico de recessão.

Pior: este é um cenário que é retro-alimentado, pois começou no topo, chegará na base e este processo deixa o topo – bancos e investidores – ainda mais temeroso de liberar o crédito e viabilizar a retomada da economia.

O quadro não é bonito. Eu adorarei ouvir os comentários e críticas a este modelo. Como nunca se viu crise similar, eu estou bem longe de ter absoluta certeza do que estou dizendo.

Forte abraço, Fernando

Não, eu não estou falando da bolsa cair mais 7% e o dólar subir outros 5%. Isso é volatilidade normal (com viés notoriamente pessimista) que não deveria surpreender mais ninguém nessa altura do campeonato. E agora os mercados cairão por conta da perspectiva clara de recessão forte e não mais por conta do medo da crise sistêmica.

Estou falando é de crédito, que está secando barbaramente. Falta crédito em dólar, falta para empresa PME, falta para banco de porte médio pra baixo. Alguns pontos:

1. O Banco Central mexeu no compulsório dos bancos (com potencial para liberar R$ 23,5 bilhões). Só que essa mudança teve um claro viés de apoio para os bancos menores. A liberalidade é restrita aos bancões que comprarem créditos dos bancos menores, i.e. estes precisam de liquidez urgentemente. Eles até tem bons ativos, mas devem estar sem funding, pois houve um “flight to quality” do lado dos depositantes. Em outras palavras, são bancos solventes, mas ilíquidos – e olha que fizeram IPO’s no ano passado. Mas aí faltou o famoso Asset – Liability Management (“ALM”)…

2. Se fizessem uma escala de importância entre os executivos – públicos e privados – do mercado de trade finance do Brasil, eu diria que ontem eu conversei longamente com o número 1 e com o número 2. O que ouvi foi uma calamidade. Os bancos internacionais, que já tinham estendido linhas de crédito para ACC, ACE, financiamento de importação, pré-pagamento, etc., estão cobrando TODAS essas linhas no vencimento. Isto é, não há rolagem possível. São USD 5 bilhões por mês. Não é a toa que o Presidente Lula acordou e parou de falar pérolas do tipo “o problema é do Bush”, “o Bush, resolve os seus problemas aí, meu filho”, lembram-se?

3. A maioria dos bancos, como não tem dinheiro para atender toda a demanda, começam a hierarquizar a liberação de empréstimos, i.e. quem pode mais, chora menos. Chegou a hora de cada empresa mostrar sua competência na desprezada disciplina Relacionamento Bancário, que eu tanto preguei aqui neste blog (antes da crise roubar-lhe espaço…).

Começo a temer seriamente pelo Natal deste ano – a despeito de Lula ter urgido seus ministros a “garantirem crédito para o Natal” – e do crescimento do PIB de 3% para 2009.

É PERFEITAMENTE POSSÍVEL TERMOS UMA DEPRESSÃO MUNDIAL E UMA RECESSÃO NO BRASIL. A CRISE DE CRÉDITO ESTÁ MUITO SÉRIA E O MUNDO APRENDEU A CRESCER COM CRÉDITO FÁCIL E BARATO. E ISSO VIROU FICÇÃO!

Até + tarde, F.