É o que escreveu o jornal Valor de ontem e é o que ouvi do maior banqueiro de comércio exterior do país.

É fato que os bancos brasileiros deixaram de utilizar – e estão até pré-pagando – as linhas de emergência que o Banco Central colocou à disposição no pico da crise. Fazem isso porque tem linhas suficientes (e mais atrativas) de bancos e investidores internacionais.

Isto ocorre porque parte da pouca liquidez internacional está sendo alocada no Brasil, pois:

  1. O Brasil está entupido de reservas em moeda forte, o que nos torna um país de risco baixíssimo quanto a calotes na dívida externa.
  2. Os bancos brasileiros, que são os grandes captadores destas linhas, são sólidos, acima de qualquer suspeita.
  3.  Ainda pagamos bons spreads.

Porém, o que ninguém escreveu é que banco algum está com apetite aberto para financiar o comércio exterior de todos que demandam. Além disso, o preço das commodities despencou – e parte do volume também caiu -, o que significa menor valor da exportação e, portanto, do financiamento necessário para esta.

As notícias sempre precisam ser relidas, ‘traduzidas’…não há dúvida que o momento é bom, mas não o é para todo mundo! O momento está bom para os grandes e sólidos.

E os pequenos e médios? Estes devem fazer a lição de casa e praticar Relacionamento Bancário de forma profissional. Só assim conseguirão mais linhas.

Abraços, F.

Não, eu não estou falando da bolsa cair mais 7% e o dólar subir outros 5%. Isso é volatilidade normal (com viés notoriamente pessimista) que não deveria surpreender mais ninguém nessa altura do campeonato. E agora os mercados cairão por conta da perspectiva clara de recessão forte e não mais por conta do medo da crise sistêmica.

Estou falando é de crédito, que está secando barbaramente. Falta crédito em dólar, falta para empresa PME, falta para banco de porte médio pra baixo. Alguns pontos:

1. O Banco Central mexeu no compulsório dos bancos (com potencial para liberar R$ 23,5 bilhões). Só que essa mudança teve um claro viés de apoio para os bancos menores. A liberalidade é restrita aos bancões que comprarem créditos dos bancos menores, i.e. estes precisam de liquidez urgentemente. Eles até tem bons ativos, mas devem estar sem funding, pois houve um “flight to quality” do lado dos depositantes. Em outras palavras, são bancos solventes, mas ilíquidos – e olha que fizeram IPO’s no ano passado. Mas aí faltou o famoso Asset – Liability Management (“ALM”)…

2. Se fizessem uma escala de importância entre os executivos – públicos e privados – do mercado de trade finance do Brasil, eu diria que ontem eu conversei longamente com o número 1 e com o número 2. O que ouvi foi uma calamidade. Os bancos internacionais, que já tinham estendido linhas de crédito para ACC, ACE, financiamento de importação, pré-pagamento, etc., estão cobrando TODAS essas linhas no vencimento. Isto é, não há rolagem possível. São USD 5 bilhões por mês. Não é a toa que o Presidente Lula acordou e parou de falar pérolas do tipo “o problema é do Bush”, “o Bush, resolve os seus problemas aí, meu filho”, lembram-se?

3. A maioria dos bancos, como não tem dinheiro para atender toda a demanda, começam a hierarquizar a liberação de empréstimos, i.e. quem pode mais, chora menos. Chegou a hora de cada empresa mostrar sua competência na desprezada disciplina Relacionamento Bancário, que eu tanto preguei aqui neste blog (antes da crise roubar-lhe espaço…).

Começo a temer seriamente pelo Natal deste ano – a despeito de Lula ter urgido seus ministros a “garantirem crédito para o Natal” – e do crescimento do PIB de 3% para 2009.

É PERFEITAMENTE POSSÍVEL TERMOS UMA DEPRESSÃO MUNDIAL E UMA RECESSÃO NO BRASIL. A CRISE DE CRÉDITO ESTÁ MUITO SÉRIA E O MUNDO APRENDEU A CRESCER COM CRÉDITO FÁCIL E BARATO. E ISSO VIROU FICÇÃO!

Até + tarde, F.

As Sete Práticas Estratégicas para o Relacionamento de Crédito de Pequenas e Médias Empresas
O Raul Marinho é um amigo e estamos unindo forças visando a criação do Instituto do Crédito, que visa a disseminação da educação creditícia. Ele é um especialista em Teoria dos Jogos, escritor, palestrante, etc., e publicou o texto (ver link) no site www.administradores.com.br, que vale a pena ser lido.
Abraços, FB

Este post é direto para os pequenos e médios empresários. Para quem não leu a revista, segue o link de uma pesquisa que a Exame PME fez sobre relacionamento bancário.

Um ponto que destaco, é a falta de noção que os empresários têm sobre a importância do custo do dinheiro e como eles podem reduzi-lo – desde que saibam negociar corretamente. Digo que eles não têm noção porque este tema sequer foi levantado. Outro assunto que a pesquisa poderia ter tratado melhor refere-se a informalidade destas empresas e como isto atrapalha o crédito das PMEs.

De qualquer forma, foi um ótimo começo. Abraços, F.

http://portalexame.abril.com.br/revista/pme/edicoes/0014/m0165536.html

Empréstimo Tomado é Empréstimo Pago

“Empréstimo Tomado é Empréstimo Pago!!”

Sim, este post faz uma analogia ao Batalhão de Operações Especiais, da PM do Rio de Janeiro, e seu famoso mote “Missão dada é missão cumprida”.

O mote do crédito que maximiza o relacionamento bancário é “Empréstimo Tomada é Empréstimo Pago”. Analisemos:

1. Motivos: sempre que o cliente declara ter dificuldades para pagar um compromisso (seja para o banco, financeira ou seguradora de crédito), por mais que apresente as melhores razões do mundo, o gerente vai ficar com um pé atrás – mesmo que renove o empréstimo, ou cubra a conta, seja lá de que jeito for, a relação ficará marcada. Obviamente, se isto acontecer uma vez e nunca mais, a coisa é esquecida, mas se acontecer “de vez em quando”…e o principal motivo para atrasos nos pagamentos é, na verdade, a mania que nós brasileiros temos de deixar tudo para o último minuto. Se houvesse um melhor planejamento de caixa…

2. A solução: se não for possível pagar um compromisso, o mais correto (*) é tomar um empréstimo-ponte (no prazo em que você tenha fundos para repaga-lo) em outro banco em que você tenha linha de crédito aprovada e pagar aquela dívida a vencer. Notem que isto não significa bicicletear as suas dívidas. Esta é uma solução a ser usada quando você já sabe que logo terá entrada de caixa para zerar a tal dívida.

O objetivo deste post é alertar que furos de caixa custam caro, de um jeito ou de outro. Sendo assim, proteja a sua imagem no banco que está com dívida vincenda.

(*) quando digo “estratégia correta”, o faço de olho no que chamo de Maximizar o seu Relacionamento Bancário”, mantendo a sua imagem de bom pagador, responsável, organizado, etc.

Note que os empresários tem todos os motivos do mundo para atrasarem seus pagamentos, e.g. duplicatas a receber vencidas e não pagas, atraso no desembolso de um outro empréstimo-chave, acidente na fábrica ou logístico, etc. Porém, ainda que os seus credores estejam acostumados com este tipo de situação, atraso sempre causa algum tipo de alarme na sua agência bancária e no departamento de crédio.

Portanto, é bom evitar! Mesmo que, eventualmente, dê um pouco mais de trabalho e, no limite, possa até custar um pouquinho mais caro.

Abraços, F.

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200807181810_IVN_193442

O texto acima cai como uma luva para um assunto que eu sempre gosto de reforçar aqui no blog: a imensa variação que existe no custo do dinheiro – para mim, para você e para sua empresa (e todas as demais).

Foquemos no caso das empresas, mais especificamente na linha de crédito para Capital de Giro: o texto diz que elas variaram entre 36,73% e 60,18% – ao ano. Vamos aos fatos (não são hipóteses ou “achismos”, não):

  1. Não existe banco bonzinho que cobra só (?!) 36% a.a. e outro malvado e careiro que cobra 60% a.a. Estas taxas são encontradas em todos os bancos.
  2. Também não é verdade que só empresas grandes e mais sólidas conseguiram captar com taxas mais baixas (?!), tipo 36% a.a., enquanto as pequenas e frágeis tiveram que pagar na faixa dos 60%.
  3. Naturalmente, há concentração das maiores na faixa de custo mais baixo, assim como de menores na faixa de custo mais alto – mas isto não é uma regra imutável! Você pode mudar isto!

Surpreso? Sigamos em frente:

  1. Regra 1: paga juros mais baixos aquelas empresas que têm oferta de crédito (volume) muito mais alto do que precisa – e pode fazer o chamado “leilão” entre os bancos.
  2. Regra 2: empresas de idêntico porte, setor, região e solidez podem pagar taxas de juros completamente diferentes umas das outras!

Eu já escrevi sobre isto – ad nauseum -, mas tal como um mantra, vamos de novo:

  1. Dê atenção ao assunto crédito; tenha relacionamento de trabalho (não de cafézinho ou futebol) com o pessoal do banco; faça com que conheçam bem a sua empresa (pois assim terão mais segurança em aprovar maiores limites); mantenha-os informados sobre as coisas boas da sua empresa e antecipe os seus problemas (não gere más surpresas, nunca!).
  2. Sempre trabalhe com mais bancos do que precisa, pois: (a) nunca se sabe quando um deles irá reduzir ou cancelar seus limites, (b) isto ajuda a forçar os seus bancos do dia-a-dia a melhorarem as taxas e tarifas para a sua empresa.
  3. Quem deixa para tomar dinheiro quando mais precisa, mais caro paga! Planeje precisamente as suas necessidades de caixa e vá negociando com os bancos antecipadamente.

Fácil, não? Mas poucos fazem, e por isso a maioria paga 60% e não 36% a.a.

Abraços, FB