Este post é dedicado àqueles que acreditam em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, entre outros menos cotados.

“COMPRE SEU CARRO AGORA! COM ZERO DE JUROS!” Volto de levar as crianças na escola e escuto esta bizarrice no rádio do carro. Desta vez é a Ford anunciando – todas fazem a mesma coisa.

NÃO EXISTE JUROS ZERO! Como proceder:

  1. Peça (lute, chore, ameace, seduza por) desconto para o preço à vista.
  2. Ao receber o preço à vista você terá a certeza que havia juros embutidos no tal financiamento, i.e. neste momento você saberá que o vendedor e a empresa são mentirosos.
  3. Agora vá nas demais revendas de carros similares ou do seu interesse, e faça o mesmo teste.
  4. Desta forma você saberá quem vende à vista pelo menor preço e a prazo pela menor mensalidade.

E o mesmo raciocínio vale para empresários na hora de comprar matéria-prima, ou vender seus produtos. O dinheiro tem valor no tempo. Banco vive disso.

Faça como o Ricardo Boechat, âncora da Bandnews FM, e economize muito dinheiro.

Abraços, FB

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Hoje cedo, quando eu vinha de levar as crianças na escola, ouvi o Ricardo Boechat, âncora do programa jornalístico matinal da Bandnews FM, dizer o seguinte:

Esse negócio de juros é assim: outro dia eu fiz um leasing de um carro e a taxa de juros que queriam me cobrar era de 1,9% a.m., mas eu falei com vários bancos, dei um tremendo calor num deles e acabei fechando por 1,3% a.m. Tá certo, deu um trabalhão, fiquei uns dois meses negociando, mas a taxa caiu.”

O Boechat fez o que:

  1. O BC deveria fazer, i.e. ensinar a população a se defender das altas taxas, ao invés de dizer “que está tudo normal” quando não está.
  2. O Ministério da Fazenda poderia fazer, ao invés do Ministro reclamar diariamente dos bancos e dos juros altos, quando isto não resolve a vida de ninguém.

O Boechat deveria ser canonizado por esta frase, que deveria ser repetida em horário nobre de rádio e TV.

Eu venho dizendo isto ‘ad nauseum’ por anos! O feirante abaixa o preço do tomate ou da laranja enquanto a demanda está aquecida, às 9 horas da manhã? Mas ele abaixa quando a demanda enfraquece às 13 horas.

Com o dinheiro (a mercadoria) e o gerente de banco (o feirante de grana) é a mesma coisa: quer moleza vai pagar caro. O Boechat ralou e comprou o carro dele (e com o que economizou de juros pôde pagar pelo DVD e GPS no carango novo dele).

Este é o post da semana. Abraços, F.

Bom dia. Rapidinho.

Este espaço nunca foi dado a malhar o governo até por que isso não ajuda nada a resolver os nossos problemas e eu também sei um pouquinho das dificuldades que a turma enfrenta lá em Brasilia, i.e. é mais fácil criticar do que consertar e isso não tem graça para mim.

Mas eu acabo de levar os guris no colégio e ouvia o Ricardo Boechat, craque da Bandnews, esculhambar o governo e ele inspirou este post. Os motivos:

  1. Governo promete mundos e fundos para apoiar ‘n’ setores com dificuldades de liquidez e/ou com consumo cadente. Como: via financiamentos da Caixa, do BB, BNDES e compulsórios do Banco Central (caso de bancos médios e pequenos). Tudo certo.
  2. Só que o custo dessa ajuda é altíssimo, a começar pela taxa básica de juros (13,75%), a SELIC, que é a taxa de juros real mais alta do mundo. Fora o spread, que no caso dos bancos públicos até que são razoáveis (apenas para o padrão local!). Só que os demais bancos estão cobrando muito mais, pois a liquidez está escassa no sistema como um todo. Tudo errado.

O ativismo governamental está centrando fogo nos seguintes focos da crise:

  1. Limitar a falta de liquidez de bancos pequenos e médios (na marra)
  2. Reativar setores (“cadeias produtivas”) importantes para o emprego
  3. Incentivar o consumo da população – em especial da baixa renda

Só que, como de hábito, Fazenda e Banco Central atuam como inimigos na trincheira. Parece que o BC realmente não acredita que haverá uma forte retração econômica no país, ao mesmo tempo que, por outro lado, teme que há um processo inflacionário recalcitrante a ser atacado com força.

Se pensarmos que a recessão que galopa rapidamente é um incêndio, a Fazenda se comporta como o bombeiro zeloso, mas o BC brinca com o isqueiro no meio do incêndio. Já o BC acha que incêndio mesmo é a inflação. Então, dá-lhe jato d’água e pó químico, enquanto a Fazenda prepara-se para jogar mais lenha no fogaréu.

Existe um processo inflacionário, não há dúvida, pois a desvalorização do real foi brutal e certamente haverá repasse do custo inflado dos produtos importados. E não há evidência alguma que o câmbio voltará a um patamar próximo de R$ 2,00. Em 2009, será de R$ 2,20 pra cima, na minha opinião.

Agora… o governo liberar a torneira de liquidez de um lado e o mesmo governo cobrar caríssimo por essa mesma água parece-me um equívoco. Parece-me que o “chefe” dos senhores Mantega e Meirelles deveria chamá-los para uma “conversinha”.

Reparem que 6 meses – sim, é só isso – atrás, o fantasma global era a inflação em função dos altos preços das commodities. Naquele período, nosso BC foi exemplar ao iniciar um vigoroso processo de alta de juros, enquanto os demais bancos centrais titubeavam. O nosso Henrique Meirelles foi festejado em todos os fóruns internacionais. Quando o vento mudou de lado – e não há dúvida de que mudou lá e aqui – os outros BCs foram vigorosos em dobro, derretendo suas taxas de juros, mas aí o nosso – que historicamente tem viés altista – resolveu ser triplamente cauteloso.

O momento pede uma outra abordagem.

Saudações e um bom dia a todos.

Fernando

PS: hoje tem Fernando Blanco no Conta Corrente, do canal Globonews, às 20:30. Não percam! Promessa de grandes revelações!! 🙂