Caros – ontem eu fui entrevistado pelo Carlos Alberto Sardenberg sobre o meu tema favorito: empresas que tiverem uma relação profissional com os bancos podem pagar juros/spreads mais baixos. Ouçam aqui.

Mas vale destacar que eu escrevo/palestro sobre este assunto há alguns anos e só agora a mídia passou a se interessar por isso. Ótimo sinal. Outro dia a Folha de S.Paulo também destacou o tema (ver abaixo).

Que assim continue, pois é tema de utilidade pública.

Abraços, Fernando

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Bom dia,

Mas o que será que o crédito, o nosso Banco Central e o finado (e lendário) MOBRAL teriam em comum? Muita coisa. Resumindo, temos:

  1. O BC lançou às vésperas do Natal os números do crédito no país (ver link a seguir). O citado relatório não mostra nada de bom, mas nos induz a pensar que o crédito está, de fato, em expansão no país. http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOM
  2. Focando-se na expansão do crédito, ele nos mostra uma realidade ATÉ POSITIVA, se nos limitarmos a uma rápida análise QUANTITATIVA .
  3. Porém, a realidade é RUIM se fizermos uma análise QUALITATIVA, adicionando outras informações que passaram ao largo do citado relatório oficial.
  4. Economistas, “analistas”, empresários, líderes de todo tipo, gente do governo e jornalistas (*) passaram batido, como de hábito, nos fatos mais relevantes porque não dominam e pouco se interessam por crédito.

(*) O jornalista Carlos Alberto Sardenberg e os ouvintes da rádio CBN viram uma luz diferente sobre o tema, por conta da entrevista que este nada modesto escriba deu para a rádio no último dia 23 (link abaixo).

Entrevista com Fernando Blanco, presidente da seguradora de crédito Coface, ex-diretor de crédito do banco ING e ex-diretor comercial do banco ABN no Brasil

(*) e a ótima jornalista Sheila d’Amorin escreveu o seguinte, no caderno Dinheiro, da Folha de S.P. (edição do dia 24/12): “Este resultado [o aumento do crédito] está inflado pela incorporação de juros e pelo impacto da desvalorização de 10,3% do real em relação ao dólar no mês, sobretudo nos créditos em dólar concedidos pelo BNDES…”.

Note que os 10,3% de desvalorização do dólar que ela menciona, significaram mais de R$ 20 bilhões de aumento no estoque de crédito da economia, sem que um único centavo tivesse sido desembolsado!!

Ah, sim, e o MOBRAL? – o governo militar, que ‘gerenciou’ o país a partir de 1964, lançou o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, cujo objetivo era reduzir o alarmante índice de analfabetismo da nossa população (o link informa mais). http://pt.wikipedia.org/wiki/Mobral

Pois muito bem, como cidadão e contribuinte, eu lanço a campanha para que o Governo reviva o MOBRAL,  objetivando a erradicação do analfabetismo financeiro e creditício do Brasil.

“Fala-se muito, muda-se pouco!”   mas é lógico, pois empresários, executivos e gente do governo não entende como o mundo do crédito funciona! E olha que eu já tentei aproximação (formal!) com um mundo de entidades de classe, políticos, etc., e…nada! Todos acham interessante o que eu digo, mas o tema sai da pauta mental desses senhores na velocidade da luz.

“Mas por que o BC não resolve isso?” – o BC entende muito de um monte de coisas, mas não é um oráculo. Por exemplo, os altos escalões e os funcionários de carreira de uma autarquia, como o BC, ou de um ministério, como o da Fazenda, não dominam o modus operandi de um banco e do seu processo de aprovação de crédito. E não interessa quantos diplomas de PhD o cidadão tenha: falta-lhe vivência! Não é burrice, mas sim falta de experiência em crédito (e isto não está escrito em livro algum, por sinal).

Em suma, para quem não tiver paciência para ouvir e ler os links, aqui vai o meu resumo:

  1. O crédito aumentou no Brasil, mas não da forma que interessa a mim, a você, a nossas empresas e ao país.
  2. O Brasil precisa do crédito crescendo (ou até diminuindo), mas de forma harmônica por todo o sistema, i.e. PF, PJ grande e pequena, etc. Sobressaltos em volumes e custo, assim como migrações de um segmento para o outro, são daninhos para o sistema!
  3. O que ocorreu (I) é que muitas mega-empresas substituíram o crédito externo pelo doméstico. Então, enquanto 1.000 empresas têm suas linhas de crédito reduzidas ou cortadas, uma única empresa, como a Petrobras, saca um único empréstimo e pode dar a falsa impressão de que está tudo normal.
  4. O que ocorreu (II) é que está aumentado a rolagem de dívidas não pagas, com os juros incluídos. Como os juros são altíssimos, o valor do novo “principal” é muito maior do que o “principal” anterior.
  5. O que ocorreu (III) é que os créditos dolarizados (e.g. Res. 63, Lei 4131, ACC/ACE/EPP, etc.) aumentaram muito em valor nominal em reais (conforme entrevista à CBN e Sheila d’Amorim).

O crédito até aumentou contabilmente, mas diminuiu e encareceu para a maioria.

Notem que é um festival de tecnicalidades, mas nada difícil de entender. Se eu e você entendemos, o governo, o BC, as entidades de classe, etc., deveriam entender também. Mas tem que querer entender e ter vontade de comunicar direito…

Crédito é tão importante no Brasil que deveríamos ter o Ministério do Crédito!

Bom último final de semana de 2008 + abraços,

Fernando

A semana será quente aqui na Coface, i.e. menos posts no Blog do Crédito…

O link abaixo traz uma polêmica entrevista que o ministro das finanças do Reino Unido (que muitos insistem em chamar de Inglaterra), o escocês Alistair Darling, deu para o jornal The Guardian. Veja o link: ele toca fogo nas perspectivas econômicas da Ilha. Junto com França, Alemanha e Espanha – só para citar os mais relevantes -, não há muito do que se esperar da Europa.

Aliás, causa-me espanto a forma pouco profunda que a mídia brasileira – e seus analistas regulares – vem dando à situação econômica internacional. Primeiro, foi a catarse coletiva com o crescimento econômico americano no segundo trimestre: jornalistas importantes e veteranos como Celso Ming, C.A.Sardenberg e Alberto Tames prefiraram louvar a “incrível capacidade da economia americana de surpreender e reerguer-se”, quando nem os mais ufanistas economistas americanos foram capazes de comemorar o citado crescimento, como fizeram os brasileiros. Depois é o maior desdém com a fragilidade econômica de Japão e Europa…

E viva o Brasil “blindado”!

Boa leitura + abraços, F.

http://www.guardian.co.uk/politics/2008/aug/30/economy.alistairdarling

Caros,

O link abaixo, do estadao.com.br, mostra que os preços estariam se comportando melhor, após eu e o mundo ficarmos apavorados com a escalada inflacionária de proporções globais. Deus queira!

Ainda é cedo para afirmar que isto é uma tendência, pois há mil motivos para que seja apenas alguma acomodação temporária.  O fato é vivemos num mundo novo, cuja dinâmica de funcionamento ainda não é conhecida por ninguém – repito, ninguém! As commodities agrícolas, metais/minerais e o petróleo vinham subindo aloucadamente, e ninguém sabia (ou sabe ainda) o quanto deste movimento tinha a ver com especulação nas bolsas de mercadorias (i.e. nas BMFs do mundo, que são várias e gigantes) ou demanda aquecida (chinesa, indiana, brasileira, etc.).

Agora os preços das commodities começaram a cair, mas ninguém sabe mesmo o quanto desta queda tem a ver com ‘refluxo especulatório’ e quanto deste movimento, de fato, chegará no preço dos produtos que são consumidos pela sua e pela minha família.

Uma coisa é certa: o pior mal que poderia nos (brasileiros em geral) atingir hoje é uma inflação fora de controle. Com ela o Banco Central continuará aumentando a SELIC (minha aposta é 15% até o final de 2008, lembram?) e isto é ruim para todo mundo. Façamos a nossa parte: é só evitar de comprar produtos com preços remarcados e trocar de varejista.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080824/not_imp229785,0.php

E na mesma linha, segue também um podcast de Miriam Leitão com o Carlos Alberto Sardenberg, na Rádio CBN.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/wma/wma_e.asp?audio=2008%2Fcolunas%2Fmleitao2%5F080822%2Ewma

Abraços, FB