Prezados, o amigo do Blog Alex me instigou a pesquisar mais sobre a questão do crédito para empreendedores, ou melhor, para projetos ‘start-up’, que ainda não existem além do projeto em sí. Como disse a ele, é muito difícil alguém conseguir crédito no Brasil para uma empresa nesta “faixa etária”. É muito mais fácil conseguir um crédito “na PF”, só que este será caro e curto, i.e. de alto risco para o devedor-empreendedor, que precisa do dinheiro até o seu projeto se estabilizar financeiramente.

Dentre os bancos, só os estatais tem algum apetite para o Empreendedor: BB, CEF, BNDES, BASA, BNB, etc.

Enfim, segue abaixo uma série de links que eu julgo importantes para quem tem interesse em empreender, mas não quer (ou não consegue) se endividar. Há múltiplas formas de se capitalizar e inciar o seu negócio, mas nenhuma delas é fácil, todas são demoradas e demandam projetos absolutamente fundamentados.

Caprichem + sucesso! F.

http://www.anprotec.org.br/

http://www.sebraesp.com.br/

http://www.sebrae.com.br/paginaInicial

http://www.endeavor.org.br/

http://www.fapesp.br/

http://www.abvcap.com.br/

http://www.finep.gov.br/

http://www.fgvsp.br/cenn/

Anúncios

Como eu gosto desta palavra! É do empreendedorismo que vem a inovação, a renovação empresarial, a geração de empregos. Não existe grande grupo econômico que não tenha começado no quarto dos fundos, ou na garagem, de um empreendedor.

E a vida dessa gente é dura, especialmente no Brasil. A confusão fiscal, a carga tributária, as leis trabalhistas…mais o crédito restrito e os juros altos. É neste último trecho da frase que eu entro.

Já de alguns anos eu venho tentando, humildemente, colaborar com esta causa, dividindo minha experiência sobre como empresas podem melhorar seu relacionamento com bancos. Antes mesmo deste blog entrar no ar, eu “me convidei” e fui aceito como Voluntário Mentor do Instituto Empreender Endeavor. O Endeavor é uma obra de Deus. É gerido por um grupo de jovens (sim, de 20 e poucos a 30 e poucos anos) brilhantes, apoiados por um Conselho formado pelas maiores autoridades empresariais do país. E para completar, tem gente como eu que os apóia no trabalho de capacitação dos chamados Empreendedores Endeavor, i.e. empresas que são formalmente apoiadas pelo Instituto.

Os últimos meses têm sido bastante ativos, com mentoring individual, palestras e ontem participei de um debate, lá no auditória do IBMEC. Casa cheia. Fantástico. Estive ao lado do André Rezende, da Prática Technocook, empreendedor de sucesso, e do Marcelo Nakagawa, atualmente Pesquisador da USP e professor da FIA, mas também ex-bancário e executivo de fundos de investimentos. Discutimos, entre nós e com centenas de empreendedores (e candidatos a), como estas empresas podem levantar recursos, seja em bancos, via capital de risco ou a fundo perdido (FINEP, FAPESP, etc.).

Heróis – conforme escrevi acima, os empreendedores, como o André Rezende, são verdadeiros heróis. O que me incomoda, é que nosso país produz uma infinidade de mártires para cada herói. E a proposta do Endeavor – assim como a do SEBRAE – é reduzir a mortalidade empresarial, aquela que acontece nos primeiros 2 anos de vida da empresa.

Saber lidar com as finanças e em especial com as dívidas é parte deste esforço. Falaremos mais sobre isso neste espaço.

Abraços,

Fernando

Caros Empreendedores amigos deste Blog,

Apresento a vocês o Beco com Saída, simpático e útil blog feito por colaboradores do SEBRAE.

Ele agora está no blogroll ao lado. Abs, F.

Olá  – a Folha deste domingo trouxe duas matérias escritas pela Cristiane Barbieri, top do jornalismo econômico brasileiro. Eu, como presidente da seguradora de crédito Coface, sou entrevistado e divido com os leitores da Folha – e agora com a blogosfera – alguns números dantescos. Outros profissionais são entrevistados também.

Boa leitura + abraços, Fernando

Sem caixa, redes varejistas já dão calote

Asfixiados pela falta de crédito e pelo consumo menor, lojistas deixam de pagar a indústrias, que acionam seguradoras

Atingidas pela retração, concessionárias de carros e redes de eletroeletrônicos e têxteis negociam a sua venda para grupos maiores

CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL

Nos primeiros 19 dias de dezembro, a seguradora de crédito Coface teve de pagar a 103 companhias que forneceram seus produtos, mas não receberam de seus clientes. Do total, 80% das empresas que não honraram seus compromissos eram redes de varejo – concessionárias de carros, pequenas cadeias de supermercados, eletroeletrônicos e têxteis, que compraram, mas não conseguiram pagar aos fornecedores.
Nos meses anteriores, a Coface tinha pago, em média, 60 sinistros ao mês. Até o fim de dezembro, a seguradora espera ter 115 deles, sendo que o volume de reservas – a quantia de dinheiro que separa para pagar as perdas dos segurados – foi quatro vezes superior às reservas médias do ano. “Houve quebras de grandes varejistas regionais e, por isso, as reservas aumentaram”, diz Fernando Blanco, presidente da Coface, que detém quase 50% do mercado de seguro de crédito no país. “Alguns deles tinham faturamento anual de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões.”
Na Crédito y Caución, que também segura valores que serão recebidos pelas empresas, houve 20 sinistros de agosto a novembro, 125% a mais do que no mesmo período de 2007. A maior parte, foram pequenos varejistas das áreas de eletroeletrônicos e têxtil.
Como parte do mesmo cenário, as grandes redes têm recebido ofertas de cadeias pequenas que querem ser compradas. As mesmas oportunidades têm sido oferecidas a fundos de investimento e estão em consultorias que têm mandatos de negociação para vendê-las.
“Como a economia vinha crescendo forte, os varejistas estavam muito estocados, com o caixa baixo e dívidas bancárias altas”, afirma Blanco. “Mas os bancos chamaram o crédito que concediam, os consumidores pararam de comprar e o varejo vive um momento de asfixia de liquidez.”
Apesar de a maioria dos especialistas não acreditar em uma quebradeira generalizada no setor nem esperar a derrocada imediata de uma grande rede de varejo, os sinais de crise estão por todos os lados.
A inadimplência no comércio, medida pelo número de inscritos no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), não só cresceu em dezembro como, pela primeira vez desde 2003, teve número maior de novos registros do que de pessoas que renegociam a dívida. Além disso, tanto as consultas para vendas à vista (pelo Usecheque), como as feitas para vendas a prazo (no SPC) caíram em novembro.
A queda na venda de carros de 29,5% em novembro em relação a outubro também foi forte, apesar de parcialmente minimizada pela redução do IPI anunciada pelo governo.

Crédito farto compensava ineficiências

Redes de varejo começam a reestruturar operações, mas empresas mais fragilizadas deverão passar por consolidação

Linha da CEF para varejistas tem 40 redes interessadas; empresas irão administrar dia-a-dia e buscarão crédito com a própria indústria

Robson Ventura-13.nov.08/Folha Imagem
 

Concessionária de veículos em SP, um dos setores mais afetados

DA REPORTAGEM LOCAL

A oferta de crédito farto e a demanda em alta, provocada pela entrada de novos consumidores na classe média, encobriam ineficiências do varejo, segundo especialistas do setor. “Com a contenção do crédito, tais ineficiências vieram à tona e as redes ficaram desnudas”, diz Fernando Blanco, presidente da seguradora Coface, que teve mais de 80 sinistros de redes varejistas em dezembro.
Entre os problemas apontados estão estrutura de capital inadequada, resultado de uma relação entre dívida e capital próprio desproporcional. Também há o descasamento de ativos e passivos, que são os recebimentos e as obrigações das empresas. Há ainda erros em planejamento estratégico, principalmente ligados a processos de expansão acelerada.
“Tudo isso funciona com o crédito abundante e o consumo em alta”, afirma Blanco. “Mas quando se pára de pedalar abruptamente, como aconteceu agora, a bicicleta cai.”
As compras de fim de ano e as promoções para desovar estoques deverão garantir capital de giro para o início do ano. A partir daí, os especialistas acreditam que a administração do negócio será literalmente diária, sem qualquer condição de planejamento no longo prazo.
“As empresas estão agindo como se houvesse a volta do processo inflacionário”, afirma Adalberto Viviani, sócio da consultoria Concept. “Cortaram estoques, aumentaram as entradas para 50% e estão apostando na volta do consórcio”, completa.
A intenção evidente é girar o caixa, ao mesmo tempo em que tentam reduzir a inadimplência. “Temos incentivado os varejistas a vender todo o seu estoque, a fazer caixa e evitar a todo custo ir a bancos”, diz Fábio Campos, gerente de serviços financeiros do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Segundo Campos, depois de ver como as vendas se comportarão no Natal, a instrução é que os pequenos comerciantes passem a negociar os prazos de financiamento com a própria indústria. “A reposição de estoques será menor, e os negócios serão administrados no dia-a-dia”, diz Campos.
Viviani cita, como exemplo, o caso de um de seus clientes da área de embalagens, que tinha recebido 50% das encomendas habituais para dezembro. Depois de quatro dias, os pedidos tinham chegado a 65% do normal e, na última semana, estavam em 85%.
“A expectativa tem sido pior do que a realidade, pelo menos por enquanto”, afirma Viviani.

Indicadores confusos
Isso porque, mesmo os indicadores que mostram aumento no consumo, podem esconder, na verdade, uma tendência de queda futura.
“A venda de eletroeletrônicos, principalmente computadores, só não mostrou sinais de queda porque os consumidores resolveram antecipar a compra frente a alta do dólar”, diz Claudio Felisoni, coordenador do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FEA-USP. “Vamos identificar sinais evidentes de crise, principalmente nas lojas que vendem produtos mais caros e dependem do crédito ao consumidor.”
Felisoni exemplifica a teoria falando das concessionárias. Se até três meses atrás um carro usado de R$ 30 mil era comprado pelo lojista com deságio de 17%, hoje ele paga 30% menos sobre o valor de tabela.
“A situação das concessionárias só não é uma hecatombe porque a indústria administra sua cadeia de distribuição de forma muito profissional”, diz Blanco. Já na área de eletroeletrônicos, que teve historicamente as piores quebras do varejo brasileiro, a Coface parou de aceitar pedidos de seguros.
“Acendeu a luz amarela naqueles segmentos que dependem de financiamento”, diz Eugênio Foganholo, diretor da consultoria especializada em varejo Mixxer. “Em muitas delas, boa parte da lucratividade vinha de receita financeira conseguida nos crediários, que diminuíram muito.”
Segundo levantamento do Corecon (Conselho Regional de Economia), o varejo movimenta R$ 15 bilhões em financiamentos de compras por ano. Mas 65% dos varejistas dependem de parcerias com bancos para financiar o consumidor.

Janela estreita
Mesmo com a situação de crédito mais escasso e caro, a CEF (Caixa Econômica Federal) abriu uma linha de crédito voltada especialmente ao varejo. A CEF financia o consumidor de determinadas redes, que até então parcelavam com capital próprio suas vendas.
Por enquanto, no entanto, a linha funciona apenas em projeto-piloto, testado com sete varejistas, com exceção do Estado de Santa Catarina, para o qual foi totalmente aberto em função das enchentes. No total, são 1.600 lojas atendidas.
Com R$ 2 bilhões disponíveis, a estimativa é que a linha de crédito seja oferecida em todo o país a interessados no fim de janeiro. Por enquanto, há 40 redes na fila.
“Não desenhamos essa operação por causa da crise, até porque uma estrutura dessa levou um ano e meio para ser montada”, afirma Milton Krueger, superintendente da CEF. “Pretendemos atender a 250 redes e 11 mil lojas.”

Consolidação do setor
Com poucas alternativas, no entanto, os consultores da área esperam que 2009 seja marcado por fusões e aquisições. “É bastante provável que haja consolidações no setor”, diz Luiz Fernando Biasetto, sócio da consultoria GSMD. “As empresas que estiverem capitalizadas certamente encontrarão boas oportunidades nas que estão mais frágeis.”
Enquanto isso não acontece, os consultores dizem que a demanda por prestação de serviços ligados a reestruturações começou a crescer desde novembro. “As vendas menores e situações como a substituição tributária obrigam os varejistas a buscar eficiência de maneira mais intensa do que durante a época em que o crédito era farto”, diz Biasetto.
Para alguns deles, o momento é importante para essa reorganização, uma vez que, passada a onda de compras de Natal, pode haver um recrudescimento da crise. “O agravamento da crise é inevitável”, diz Blanco. “O único antídoto é o investimento do governo em atividades produtivas, mas isso demorará meses até ser executado. Antes de melhorar, as coisas vão piorar.” (CRISTIANE BARBIERI)

O caderno Negócios e Oportunidades do Estadão de hoje, traz uma matéria muito legal sobre o tema deste post – não consegui achar o link…

Antes de falar de crédito, falarei sobre gestão: não dá para gerenciar direito uma empresa – de qualquer tamanho – sem um adequado arsenal tecnológico. Segundo o SEBRAE nacional, pesquisa de 2005 indicava que apenas 47% das empresas brasileiras era informatizada. Um horror! Na reportagem de hoje, o Banco do Brasil informa que dos seus 1,9 mm de clientes PJ, apenas 500 mil (pouco menos de 25% do total) usa o internet banking. O segundo horror!

Bom, conforme destaquei no post anterior, sobre o leasing, este é o tipo de financiamento bom para o seu negócio. Abaixo as melhores opções:

www.bancodobrasil.com.br/mpe

Proger Urbano EMPL; juros = 0,95% a.m.; 72 meses

Cartão BNDES; juros prefixados; 36 meses

www.caixa.gov.br/pj/pj_comercial/mp/linha_credito

Investgiro Proger; TJLP + 5% a.a.; 48 meses

Cartão Caixa BNDES; TJLP + 3,8% a.a.; 36 meses

GiroCaixa; TR + 0,83 a.m.; 24 meses

www.bndes.gov.br

Os produtos do BNDES são oferecidos a partir da rede bancária, que faz a intermediação e garante o risco para o banco federal. Já os recursos (funding) são liberarados pelo BNDES.

Outros canais para saber das coisas:

www.office.microsoft.com/pt-br

www.driveit.com.br

Para concluir, um recado importante: empresa sem tecnologia adequada é mal vista pelos seus financiadores, pois isto deixa claro que o empresário não está ‘antenado’, a empresa não tem agilidade suficiente e ainda deve incorrer em erros de gestão (e.g. financeiros, controles, etc.), e dificilmente sobreviverá a concorrentes mais modernos.

Abs, F.

Olá,

O último post foi brindado com dois comentários – da Zailda e do Faber -, que originaram o título deste post. Abaixo, indico dois traços marcantes do nosso empresariado:

  1. O brasileiro tem uma essência empreendedora, pois é criativo, otimista, não desiste nunca.
  2. Mas o brasileiro, até pela sua capacidade inventiva  – e “inventiva” -, tende a desprezar importantes competências para o sucesso: disciplina, método, estudo (em geral).

A Zailda comentou que no Brasil poucos tem acesso à informação – VERDADE. E quando tem não a usam – TRISTE VERDADE. Tenho certeza que o empreendedor alemão, dinamarquês e autríaco enfrentam apenas 10% dos desafios que os brasileiros tem pela frente, mas ainda assim são mais detalhistas, planejados, etc., que os nossos.

Já o Faber comenta que o empresário, no fim das contas, acaba tendo que encarar os juros altos, etc. Graças a Deus que nossos empreendedores não se acovardam frente às suas imensas dificuldades, como juros altos, impostos altos, etc. É por isso que o país anda!

O drama é que poderiam pagar menos juros se fossem mais preparados. Eu sei que a vida é dura, que o empreendedor tem que abrir a loja/fábrica, produzir, vender, contabilizar, zerar o caixa e fechar a loja/fábrica. Exagero? Uma vez, quando fui palestrar na dinâmica Birigui, capital do calçado infantil, o Sindicato local me pediu que a palestra começasse à 18 horas – e não antes. Ao estranhar a precisão do horário, me explicaram que os empresários tinham que ‘fechar a fábrica’ e que isto aconteceria ao redor das 17:30. Foi um choque de realidade para mim.

Falta estrutura administrativa para o empresariado brasileiro. Tem o SEBRAE, tem a ENDEAVOR, tem o apoio que as instituições de classe oferecem. Só não se prepara quem não quer –  e não estou falando apenas de crédito, não. Isto vale para todo mundo.

Ah, mas o empresário não tem tempo. Puxa, mas não dá para contratar uns estagiários? Tem uma garotada super bem informada, capaz de dar uma tremenda ajuda na gestão, na captura de informações, etc.

Enxergo duas questões aqui:

  • Há toda uma geração de empreendedores “tecnicos”, i.e. que aprenderam o ofício na raça, sem estudar muito – em especial estudo de gestão.
  • Existe o fato também que uma vez que o empreendedor é ‘sugado’ pelo rodamoinho dos negócios, ele tende a não mais se concentrar para analisar detalhes. A dinâmica mental altera-se profundamente.

Amarrando estes dois pontos, temos: “Um leigo em finanças e mercado financeiro, com pressa e sem concentração para discutir um assunto que não faz parte do foco do negócio dele”. Não dá para ser pior…

Lançarei a campanha: “Contrate um estagiário e modernize a gestão da sua empresa”. Até eu, na pessoa fisica, estou contratando um para fazer pesquisas sobre crédito!

Abraços, FB